Opinião

Hortas de quintal

Das grandes apostas do Governo, em plena pandemia - ou, talvez, também, por isso - é a agricultura familiar que pode, no imediato, contribuir para o aumento da produção nacional, inclusive, em Luanda, e reduzir importações.

26/06/2020  Última atualização 08H40

Os mais novos que, eventualmente, leiam estas linhas hão-de torcer o nariz, rirem-se com a agricultura em Luanda, mas a verdade é que já houve, designadamente na cidade capital. Eram, até pouco antes da Independência, os pequenos pomares e hortas que a abasteciam diariamente de muitos dos produtos integrantes do que agora designamos por “cesta básica”.

Além disso, qualquer pedacito de espaço de terra no quintal ou nas proximidades das casas era aproveitada, não tanto com o objectivo de vender, mas para consumo próprio. Era a aplicação da “economia doméstica”, no autêntico significado das palavras, motivada pela necessidade de compensar salários baixos e reduzir gastos escusados. Que frutos, mesmo hortaliças, eram vendidos na rua e quem os comprava? Mesmo que nada disto tivesse acontecido, tão apressados como somos em imitar tudo o que se faz lá fora podíamos agora ver o que outros fazem sem riscos de cairmos no ridículo.

Hortas comunitárias são cada vez mais comuns, em cidades - até em bairros e quarteirões - de vários continentes, a maioria das quais com menos espaços do que as nossas. Além das vantagens económicas , não menos importante são as ambientais, bem como a da redescoberta do sentimento de vizinhança. Agora que, volta e meia, se fala da importância de recuperar hábitos, talvez seja a altura de experimentar fazê-lo com um exemplo prático.

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