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Homens armados matam civis em Cabo Delgado

Homens armados mataram duas pessoas e sequestraram uma, sábado, em Macomia, Cabo Delgado, Norte de Moçambique, segundo o relato de duas testemunhas em fuga, citadas, este domingo, pela Lusa.

23/05/2022  Última atualização 08H55
A guerra na provínia de Cabo Delgado, Norte do país, continua a causar vítimas mortais e a fazer milhares de deslocados © Fotografia por: DR

Uma das testemunhas disse que homens armados dispararam sobre residentes em campos agrícolas das aldeias de Nova Zambézia e Nguida, no distrito de Macomia. "Os agressores estão a queimar casas,  levar  comida e a atacar  em  campos agrícolas onde a população se refugia ", descreveu.

Outro residente em fuga para a vila de Macomia disse que rebeldes lhe sequestraram a tia num campo  de arroz,  referindo que militares estão no encalço dos guerrilheiros  .

Antes de o conflito alastrar, Macomia era um dos principais entrepostos comerciais e de transportes da província, por se situar a meio do caminho na única estrada pavimentada a ligar o Norte e o Sul de Cabo Delgado, a Estrada Nacional 380.

A sede do distrito fica a cerca de 200 quilómetros a Sul de Palma e Mocímboa da Praia, zona dos projectos de gás, reconquistada aos rebeldes  pelo Exército com o apoio de tropas rwandesas, em Julho de 2021.

À medida que a ofensiva militar em Moçambique , apoiada pelo Rwanda e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) avança, suspeita-se que também os rebeldes estejam a fugir para distritos e províncias vizinhas,  e na fuga atacam civis .

As autoridades moçambicanas têm pedido apoios à comunidade internacional para financiar o esforço militar em Cabo Delgado, considerando que apesar das melhorias no controlo da região nos últimos dez meses, o combate contra os insurgentes ainda não está ganho.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes , sendo alguns ataques reclamados pelo Estado Islâmico. Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4 mil mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.

 

Lei contra o terrorismo

O Parlamento moçambicano aprovou , na especialidade, a revisão da Lei sobre o regime específico de combate ao terrorismo, com os votos a favor da Frelimo, bancada do partido no poder, e contra da Renamo, principal partido da oposição revelou, ontem, a Lusa.  O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro partido, absteve-se na votação da norma, mantendo uma posição que já tinha tomado na votação na generalidade, realizada na semana passada .

 A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), com 60 dos 250 deputados do hemiciclo, votou contra o diploma, por se opor à pena de prisão de oito a 12 anos aplicada "àquele que intencionalmente difundir informação segundo a qual um acto terrorista foi ou é susceptível de ser cometido, sabendo que a informação é falsa”.

 A bancada do MDM, com seis assentos no Parlamento, considerou alguns aspectos da Lei um retrocesso para o Estado de Direito e  Democrático, assinalando que a norma reprime direitos e liberdades fundamentais.  


UE vai apoiar a regi ão Norte com 65 milhões de Euros   


A União Europeia (UE) anunciou, ontem,  a intenção de aplicar 65 milhões de euros este ano para projectos de desenvolvimento no Norte de Moçambique,  revelou , ontem,  à Lusa o embaixador da UE em Maputo, António Gaspar.

"Os projectos em concreto ainda estão a ser preparados, em diálogo permanente com o Governo e a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), gabinete criado pelo Executivo moçambicano", sublinhou António Gaspar.

 A região Norte abrange a província de Cabo Delgado, flagelada pela guerra, as zonas de Niassa e Nampula, sendo que os 65 mi-lhões de euros representam 45% do total do apoio para este ano da UE a Moçambique.

No caso da região sob ameaça terrorista, a ajuda financeira ao desenvolvimento será aplicada com base num estudo intitulado Estratégia de Resiliência e Desenvolvimento Integrado do Norte (ERDIN) elaborado pela UE, Banco Africano de Desenvolvimento, Banco Mundial e Nações Unidas  e as autoridades moçambicanas.

"O levantamento  que foi efectuado visa relançar, em cinco anos, a base para o desenvolvimento económico e social da região Norte", lê-se no documento que suporta o financiamento.

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