Cultura

Homenagem a Moliére nos seus quatrocentos anos

A direcção da organização não-governamental Globo Dikulo, que há dezasseis anos consecutivos, através do Centro de Animação Artística do Cazenga ANIMART realiza o Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), já começou a organizar a nova edição do evento, depois da última que teve lugar de 8 a 19 de Dezembro passado.

16/01/2022  Última atualização 06H40
Clássicos da comédia satírica © Fotografia por: DR
O presidente de honra da Globo Dikulo, Orlando Domingos, que fez o anúncio, afirma que pretendem comemorar, em parceria com as autoridades francesas, os quatrocentos anos desde o nascimento de Molière, dramaturgo francês, que foi também actor e encenador. Nascido a 15 de Janeiro de 1622, Molière é considerado um dos mestres da comédia satírica. Ele teve um papel de destaque na dramaturgia francesa, até então muito dependente da temática da mitologia grega.

Molière usou as suas obras para criticar os costumes da época. É considerado o fundador indirecto da comédia francesa.
Segundo a sua biografia, Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière,  morreu a 17 de Janeiro de 1673, enquanto representava no palco o protagonista de sua última obra, "O doente imaginário”. O dramaturgo sofreu um repentino colapso no palco e morreu poucas horas depois, em sua casa de Paris. Para Orlando Domingos "é um compromisso grande, um trabalho muito sério homenagear uma grande figura do teatro francês do século dezassete e levá-la [a sua obra] aos palcos do Cazenga”.

Orlando Domingos sublinha que a referida pretensão os obriga a realizar "um festival especial e muito forte”. Trata-se de um desafio para os grupos que apostam na evolução. "Aqueles que gostam de teatro, de evolução, que se preparem para nós podermos fazer uma festa a todos os níveis que dignifique o nosso Cazenga”, afirma.

A organização do FESTECA pretende também voltar a realizar o festival no mês de Julho, época em que "não chove e não há constrangimentos” do ponto de vista de circulação de pessoas e viaturas na área onde está localizado o ANIMART.
A Covid-19 fez com que o evento passasse a ser realizado em Dezembro, levando Orlando Domingos a desejar que os números da pandemia "não subam tanto” para que se possa voltar a realizar o FESTECA em Julho. Para o mês de Fevereiro está prevista a abertura da apresentação das candidaturas de grupos e companhias nacionais e estrangeiras para o Festival de Teatro do Cazenga.


Parceria internacional

A pesquisadora brasileira Samara Costa, actriz da Companhia Obalofónica do Rio de Janeiro, a única organização de teatro estrangeira que actuou durante a edição de 2021 do FESTECA, considera o evento "uma experiência enriquecedora”, pois permite o intercâmbio cultural e de vivências.

Samara Costa, que deixou quinta-feira, 13, Luanda, afirmou tê-lo feito com o entendimento de que "o Cazenga e o Rio de Janeiro têm coisas em comum em relação ao fomento das artes, do teatro, ao desenvolvimento e à formação”.

"Conseguimos firmar um acordo de parceria com a Associação Globo Dikulo, que vai garantir a formação conjunta, a colaboração entre artistas no Brasil e em Angola”, esclareceu Samara Costa, professora e pesquisadora na área da arte de representar a partir do teatro africano e das relações com o teatro que é feito por africanos e afro-descendentes no Brasil.

A parceria, segundo a actriz, prevê também a realização de festivais e encontros entre grupos artísticos do Brasil e de Angola, produção de espetáculos conjuntos, formação artística no campo da iluminação, da produção artística, da criação de editais (de que se consideram especialistas) e em autonomia para a gestão de grupos em zonas periféricas da cidade.
Do acordo entre a Companhia Obalofónica e a Globo Dikulo destaca-se igualmente o apoio para a micro e macro-gestão dos grupos, estética do teatro, entre outros.

E ainda no âmbito da recém-terminada edição de 2021 do FESTECA, continuam a trabalhar em Luanda responsáveis da Academia Internacional de Teatro de França para Crianças, visando a instalação da Academia Lusófona em Angola em 2024, e um ano antes em Portugal.

Actualmente, os franceses estão a dar formação a actores no ANIMART nas áreas de expressão e actuação. Depois, seguem para a província de Malanje com o mesmo objectivo.

António Capapa

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