Sociedade

Hoje é o Dia Mundial em Memória às Vítimas da Estrada

André da Costa

Jornalista

Armanda João, 23 anos, estava a conviver com as amigas numa lanchonete, no bairro Rocha Pinto. Naquele sábado, dia de clima ameno, preenchido por comes e bebes, aliado à música alta, ela sentia que esquecia os problemas do quotidiano.

21/11/2021  Última atualização 07H56
Sinistralidade rodoviária é a segunda principal causa de morte no país, diz Polícia Nacional © Fotografia por: Agostinho Narciso |Edições Novembro
E, Armanda, já meio embriagada, decidiu ir à casa. Ao fazer a travessia da Avenida 21 de Janeiro, foi colhida por uma viatura. O automobilista que a atropelou não parou. Meteu-se em fuga. Momentos depois, quando se procurou socorrer a jovem, a tentativa foi inútil. A pancada tinha sido muito forte, que ela não resistiu!


Armanda foi mais um caso entre milhares de pessoas que perdem a vida, todos os dias, no mundo, por situações relacionadas aos acidentes de viação. Em Angola, a sinistralidade rodoviária, depois da malária, constitui a segunda maior causa de morte, segundo dados da Polícia Nacional.


Agora, ela faz parte das estatísticas das autoridades que revelam que, desde Janeiro a Outubro deste ano, a Unidade de Trânsito de Luanda registou 670 mortos, resultantes de 2.087 acidentes.


Desses acidentes, que causaram 1.900 feridos, entre graves e ligeiros, pelo menos, 1.031 foram por atropelamento e resultaram em 421 óbitos e 731 feridos. Outros 301 acidentes foram por choque entre veículos automóveis e motociclos, que acabaram em 60 mortos e 425 feridos.


Neste período, segundo os dados da Polícia Nacional, os choques contra obstáculos fixos foram 203 e provocaram 30 mortos e 170 feridos.


O comandante da Unidade de Trânsito de Luanda, superintendente Simão Saulo, lamentou a indisciplina por parte de alguns peões, que insistem em fazer a travessia das estradas fora ou debaixo das pedonais.
Este fenómeno é apontado como uma das principais causas de atropelamentos nas estradas do país, disse. Outro factor que tem resultado em atropelamentos, prende-se com o facto de os peões fazerem, igualmente, travessia das vias em locais e usarem roupas escuras, assim como os que o fazem em estado de embriaguez.


Sensibilização contínua


Para reduzir os acidentes e, fundamentalmente, os atropelamentos, a Unidade de Trânsito de Luanda tem vindo a sensibilizar os peões junto às paragens de táxi, pedonais, escolas, comunidades e igrejas, em que se leva a mensagem sobre a prevenção da sinistralidade rodoviária.


O comandante chamou a atenção aos moto-taxistas, pelo facto de estarem sempre a primar pela indisciplina no exercício da condução, com destaque à circulação em sentido contrário, em passeios e sem iluminação às noites.
"Boa parte deles desconhece as regras de prioridade e o Código de Estrada, daí justificarmos os acidentes que envolvem moto-taxistas”, referiu Simão Saulo.


Nestes casos, sublinhou a intervenção dos efectivos da Polícia, que, semanalmente, resultam numa média de 300 motorizadas apreendidas, por falta de documentos e matrícula e por os condutores não disporem de habilitação legal para circularem nestes meios.


 Álcool leva 2.211 à tribunal

Simão Saulo disse que os acidentes, em Luanda, têm tirado a vida a muitos cidadãos ou deixado sequelas graves, como mutilados, a centenas de sinistrados.


"Os automobilistas que conduzem em estado de embriaguez representam um perigo para o ambiente rodoviário”, considerou Simão Saulo, para quem a Unidade que chefia tem feito várias "Operações Stop”, em que se realiza o teste de alcoolímetro, fundamentalmente, aos fins-de-semana.


De Janeiro a Fevereiro, a Unidade de Trânsito de Luanda levou à tribunal um total de 2.211 automobilistas, por conduzirem sob efeito de álcool e foram condenados em penas de 30 a 90 dias de prisão, convertidos em multa de 76 mil a 350 mil kwanzas.


Avançou que a Polícia vai continuar com as operações, aconselhando os automobilistas a não beberem, caso queiram conduzir.


Sobre as senhoras, o comandante disse que há muitas mulheres, com idades compreendidas entre os 20 e 45 anos, apanhadas a conduzir sob efeito de álcool. "Elas têm tido o mesmo tratamento que damos aos homens. Ou seja, acabam por ir parar aos tribunais, onde são julgadas sumariamente”.


Para evitar os tribunais, o comandante referiu que alguns automobilistas costumam tentar corromper os agentes reguladores de trânsito, com dinheiro. Por isso, alertou para se evitar essa prática, que, também, tem levado muitos condutores a julgamento.


Por exemplo, de Janeiro a Outubro, um grupo de 143 cidadãos foi encaminhado à tribunal, julgado e condenado, por corrupção activa. As penas foram de dez a 90 dias de prisão, convertidas em multas, e os agentes indemnizados.
"Também desencorajamos os agentes que pedem dinheiro aos automobilistas, pelo que os lesados dessa atitude, podem se dirigir à sala operativa da Unidade de Trânsito e denunciar o caso”, alertou Simão Saulo.


Benguela aumenta casos

Em Benguela, de Janeiro a Outubro, o Comando Provincial da Polícia Nacional registou 761 acidentes, mais 63 em relação a igual período do ano passado, de que resultaram em 162 óbitos (mais 11) e 958 feridos (menos 37 casos).
O comandante provincial da Polícia Nacional, comissário Aristófanes dos Santos, disse que os acidentes ocorreram, maioritariamente, nos municípios de Benguela, com 250 (+29), Lobito 137 (-37), Catumbela, 62 (-29) e Baía Farta, com 43 (+07).


O comissário Aristófanes dos Santos frisou que houve 244 atropelamentos, dos quais 54 deram em óbitos e 194 em feridos. As vias mais afectadas foram a Estrada Nacional 100, Benguela/Catumbela, Catumbela/Lobito e Benguela/Baía Farta.

O comissário apontou o excesso de velocidade, falta de prudência e má travessia das estradas como as origens dos acidentes.

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