Reportagem

Hoje é dia dos namorados uma data marcada por decepções e felicidades

O Dia dos Namorados é comemorado hoje em alguns países, como Angola . A data é marca-da pelo romantismo, amor e afecto entre casais, mas, infelizmente, nem todos têm boas recordações, devido às decepções e/ou traições.

14/02/2022  Última atualização 09H00
© Fotografia por: DR
Algumas experiências contadas ao Jornal de Angola indicam que nem tudo é um mar de rosas no Dia de São Valentim.
Carla Lopes é uma jovem de 25 anos, que diz estar traumatizada, porque, há dois anos, encontrou o namorado com outra jovem na cama.

"Quando pensava que seria o melhor dia da minha vida, tornou-se num grande pesadelo. Amava muito o Sérgio, tinha planos para casar com ele, mas, infelizmente, esse sonho tornou-se pesadelo”, desabafou.

A jovem contou que já namorava com Sérgio há dois anos e que faltava pouco para o noivado. "Éramos colegas na universidade e as famílias já se conheciam. Tínhamos os mesmos sonhos e objectivos, mas a infidelidade de Sérgio estragou tudo".

Carla disse à nossa reportagem que no dia 14 de Fevereiro de 2020 recebeu um telefonema de uma amiga, alertando-a de que Sérgio tinha outra namorada e sabia onde iriam estar juntos para celebrar o Dia dos Namorados.

Pediu à amiga que a acompanhasse ao local onde estaria o seu namorado. Depois de lá chegarem, ela viu Sérgio a entrar de mãos dadas com outra jovem, numa das unidades hoteleiras de Luanda.
Minutos depois, Carla decide entrar no estabelecimento e consegue identificar o quarto onde estava o casal. Bate a porta e Sérgio abre de toalha amarrada à cintura, já despido, com a jovem deitada na cama, com uma lingerie.

Carla confessou que não fez nada à rapariga, apenas deu duas bofetadas no rosto de Sérgio e foi-se embora, triste, desolada, a chorar, prometendo que nunca mais voltaria a vê-lo e nem perdoaria.
Hoje, o trauma ainda persiste em sua memória e por isso continua solteira. "Isso aconteceu dias antes dos primeiros casos da Covid-19 no país. Com a situação do isolamento e das restrições estava sem cabeça para pensar noutra relação, além de não conseguir voltar a confiar numa outra pessoa, penso que vou continuar sozinha”, desabafou a jovem.

Ouvimos também a história do casal Erica e Fábio, que namoram há cinco anos, mas não conseguem oficializar a relação, porque não trabalham. Fábio, estudante do último ano do curso de Engenharia, disse que ama Erica e não vê a hora de viver com ela e criar família.

"Temos essa vontade, mas nenhum de nós trabalha, por isso não temos como dar este passo. Sem casa e emprego é difícil realizar este sonho tornando realidade. A sorte é que temos sabido se prevenir contra uma possível gravidez, mas essa situação já tem sido stressante e por vezes brigamos por causa disso”, lamentou.

Para o casal Manuel e Avozinha está tudo programado para que o dia passe da melhor maneira possível. "Vamos jantar num restaurante, com música ao vivo, e depois terminamos num hotel".
Com dois anos de namoro, revelaram que têm tido problemas como qualquer outro casal, mas acabam sempre por superar as diferenças, procurando manter sempre a fidelidade e a cumplicidade.

Manuel revelou que reservou muitas surpresas para hoje. "Quero tornar este dia inesquecível para nós. Ela é o grande amor da minha vida, por isso vou pedi-la em casamento”, confessou.
Procuramos falar com Avozinha sem a presença de Manuel e disse-nos que também tem uma surpresa para o seu amado, mas só pode revelar amanhã, para ele não ler antes no Jornal de Angola.
A nossa reportagem ouviu também alguns casais que hoje já são casados e/ou vivem maritalmente, que foram unânimes em dizer que o namoro é eterno e todos os dias são dos namorados.

Casado há 13 anos, Marcelo Quintas disse que hoje vai levar a esposa a um jantar romântico e aproveitou dar alguns conselhos para quem está a começar uma relação.
"O mais importante numa relação é a sinceridade, cumplicidade e respeito. O casal tem de saber caminhar de mãos dadas, independentemente das dificuldades que encontrar. Quando duas pessoas se juntam é para assumirem que um é responsável pelo outro, tanto na doença como na pobreza, o mesmo deve acontecer na riqueza e na saúde. Feliz Dia dos Namorados a todos angolanos”, disse Manuel.

 
Compra de presentes

Até ontem, era visível por quase toda a cidade de Luanda a montagem de tendas e bancadas, com brindes, ursinhos de peluche, cestos com mimos, flores, caixas de chocolate, sendo as cores vermelha e branca as mais predominantes.

Na Vila Alice, foi montada uma feira, como é de hábito, nas imediações do largo das Jembas, onde encontramos um pouco de tudo ou o necessário para oferecer à pessoa amada.
Os preços vão dos dez mil kwanzas para cima.

Maria Cândida, de 28 anos, é vendedora há mais de três anos e considera que este ano foi de poucas vendas. "Vendemos um pouco de tudo, qualquer coisa que se quer para oferecer à namorada ou namorado encontra-se aqui, mas, infelizmente, este ano, estamos com fracas vendas, não há quase nenhum cliente. Nos outros anos não era assim”, lamentou.

Destacou ser mais frequente a compra de presentes e mimos por parte dos homens, situação que anteriormente era mais equilibrada.  "As mulheres devem ser mais independentes, acabar com as relações de dependência e mostrar aos homens que são capazes também de dar presentes”.

Manucha Vieira Dias, outra vendedora, diz que faz o negócio há mais de seis anos e que começou com a venda de flores, mas, hoje, vende diversos tipos de presentes, além de decorar festas e quartos para casais.

"Este ano está mal, quase não há clientes, durante os dias que estamos aqui houve fracas vendas, apesar de hoje em dia se encontrar a venda de presentes em qualquer bairro ou esquinas, coisa que antes não era possível, porque já havia locais específicos para o efeito".


Data histórica

O Dia dos Namorados é chamado, também, Dia de São Valentim. É uma data especial e comemorativa, na qual se celebra a união amorosa entre casais, em alguns lugares é o dia de demonstrar afeição entre amigos, sendo comum a troca de cartões e presentes com símbolo de coração, tais como as tradicionais caixas de bombons.

Em Portugal e em Angola, assim como em muitos outros países, o Dia dos Namorados comemora-se no dia 14 de Fevereiro. No Brasil a data é comemorada no dia 12 de Junho, véspera do Dia de Santo António de Lisboa, conhecido pela fama de "Santo Casamenteiro.

A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum, tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor e romantismo chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado. O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras, acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

Continuou celebrando casamentos, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes, dizendo que ainda acreditavam no amor.

Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como "Seu Namorado” ou "De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte, 14 de Fevereiro, também marca a véspera de lupercais, festa anual celebrada na Roma antiga em honra a deusa Juno e ao deus Pan. Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.

Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar são Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adoptada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o Saint Valentine's Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de Fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada.

Na sua forma moderna, a tradição surgiu em 1840, nos Estados Unidos, depois que Esther Howland vendeu 5.000 dólares em cartões do Dia dos Namorados, uma quantia elevada na época. Desde aí, a tradição de enviar cartões continuou crescendo e no século XX se espalhou por todo o mundo.

Actualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados de amor em forma de objectos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.

O Dia de São Valentim era até há algumas décadas uma festa comemorada principalmente em países anglo-saxões, mas ao longo do século XX o hábito estendeu-se a muitos outros países.

Edivaldo Cristóvão e Edna Mussalo      

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