Cultura

Historiador defende a criação de museu no Cuanza-Norte

Manuel Fontoura | Ndalatando

Jornalista

O historiador David João Buba considerou, este domingo, em Ndalatando, Cuanza-Norte, importante haver um museu na província, para preservar, valorizar e divulgar mais todo o acervo histórico registado da região, em especial às gerações mais novas.

30/05/2022  Última atualização 19H20
© Fotografia por: d

Para o historiador, grande parte do acervo histórico já está registado em brochuras e livros, bem como fotografias, pinturas e peças de artesanato que podiam ser usados como base para a  construção de um futuro.

O Cuanza-Norte, lembrou, tinha no Dondo a antiga câmara colonial e no Golungo-Alto a conhecida Casa Capelo, onde eram guardados os documentos sobre a história e a vida social e económica dos povos destas regiões. "Muito deste acervo se perdeu durante o período de guerra que o país viveu entre os anos 1991 a 2002. Até hoje, muito pouco foi recuperado”, lamentou.

Alguns documentos essenciais, destacou, sobre a chegada dos portugueses ao país, a implantação das fábricas de fundição de ferro de Nova Oeiras, a produção de algodão, ou da construção da fortaleza, em 1604, ainda podem ser recuperados para a posterioridade.

Como director da Cultura ao nível da província, David João Buba acredita que um dos locais a serem transformados em museu poderia ser a antiga residência de repouso do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, no Quilombo, localizada ao Sul de Ndalatando.

"Já tínhamos um projecto elaborado e apresentado ao Governo da Província, que por sua vez manteve contacto com o ministério de tutela. Para tal, a residência teria de ser reabilitada sem fugir os padrões arquitectónicos originais, mobilada e aberta ao público, mas infelizmente o projecto não vincou por motivos desconhecidos”, disse.

O professor de História António Dala considera fundamental não só a criação de um museu, mas também a revalorização de todo o Património Histórico, Arqueológico do Cuanza-Norte. "Seria das maiores conquistas quanto à materialização da política do Executivo a favor do estudo, defesa e promoção do património nacional”, defendeu.

Para o docente, o país possui um variadíssimo património histórico-cultural e o Cuanza-Norte destaca-se dentre muitos, por ser das mais antigas e significativas construções da época em que os portugueses iniciavam as campanhas de exploração e de conquistas territoriais no país.

A história do corredor do Kwanza, enalteceu, precisa de ser melhor divulgada, enquanto eixo principal para a penetração dos portugueses para o interior de Angola, nos séculos XVI e XVII. Na época, continuou, foram construídas bases fortificadas. "É nesses centros urbanos que foram construídas as grandes fortalezas, igrejas e outras edificações da arquitectura civil, muitas das quais hoje classificadas como monumentos históricos nacionais Mas toda essa História precisa, urgentemente, estar num museu local, ao dispor de todos”, disse.

O chefe do Departamento da Acção Cultural, do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo e Desporto do Cuanza-Norte, Olímpio Ramiro Marques, acrescentou que a província possui actualmente 20 monumentos reconhecidos pelo Instituto Nacional do Património Cultural, oito dos quais no município de Cambambe.

Em Massangano, destacou, constam ainda entre as referências locais, a fortaleza e a área residencial da barragem de Cambambe, as igrejas de Nossas Senhora do Rosário e das Vitória, erguidas no século XVI, as ruínas do tribunal e a Real Fábrica de Ferro de Nova Oeiras, assim como o Cruzeiro e a moradia "Casa dos Bentes”. "Todos estes locais já enfrentam o drama da destruição por um lado, provocada pelo passar dos tempos. Por isso, os escritos sobre estes locais merecem estar bem guardados e conservados num museu”. 

A igreja da Nossa Senhora das Vitórias, a noroeste do Dondo, contou, está no momento recuperada, sob égide da missão católica, como parte de um acordo firmado em 2010. "Os monumentos de Massangano já têm placas de identificação, falta apenas os localizados nos municípios a norte da província”.

O chefe do Departamento da Acção Cultural considera este processo uma tarefa, não só das autoridades, mas de toda a população, por representar a valorização do mosaico cultural da província. "Todos os angolanos, em particular os natos da província, devem participar mais na preservação e valorização do património histórico”, adiantou.

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