Política

Historiador considera Neto um “construtor de pontes”

O primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, foi um construtor de pontes, que lutou pela união dos movimentos de libertação nacionais para fazer frente ao colonialismo português, considerou o historiador Auxílio Muhongo.

13/09/2021  Última atualização 05H05
Várias actividades estão em curso em todo o país para homenagear o Herói Nacional © Fotografia por: DR
Segundo o também professor universitário, Neto criou condições para o diálogo com os demais líderes de movimentos políticos angolanos da altura, como Holden Roberto, da FNLA, e Jonas Savimbi, da UNITA, mostrando que o inimigo comum era o colonialismo português.

Auxílio Muhongo disse que o Presidente Neto foi uma figura que sempre defendeu que as relações entre os povos deveriam ser contínuas e que nunca deveriam ser atacadas, mas sim o regime colonial.

Falando numa palestra sobre a "Vida e obra do fundador da Nação angolana”, na Mediateca de Benguela, no quadro da semana do Herói Nacional, o historiador considerou difícil caracterizar a figura de Agostinho Neto, tendo em conta as suas dimensões política, poética, cultural e pan-africanista.

Num historial que versou sobre a muldimensionalidade do Herói Nacional, apontou igualmente a sua relação com os chamados "pais do pan-africanismo”, entre os quais Julius Nyerere, Kwame Nkrumah, Leopold Senghor, como parte de uma trajectória que enriquece a sua grandeza política.

"Uma vez que era um homem que defendia que apesar da Independência de Angola, nunca poderemos nos sentir verdadeiramente livres se ainda houver povos africanos oprimidos” – daí a tese segundo a qual na Namíbia, na África do Sul e no Zimbabwe, está a continuação da nossa luta.        


Ao longo da palestra, os participantes indagaram o historiador sobre as diversas facetas de Neto, ao que Auxílio Muhongo prontamente respondeu.

António Agostinho Neto (1922-1979) foi o primeiro Presidente de Angola. Era médico de profissão, poeta por vocação e um líder por natureza. Nascido a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, no município de Icolo e Bengo, na província de Luanda, era filho do pastor metodista Agostinho Neto, catequista da missão metodista americana em Luanda (sendo mais tarde pastor e professor nos Dembos) e da professora Maria da Silva Neto.

Após concluir o ensino primário, entrou para o Liceu "Salvador Correia”, em Luanda, onde terminou o 7º ano em 1944. Depois, partiu para Portugal para frequentar a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Colaborou em várias revistas, jornais e publicações culturais e publicou diversos livros, dos quais se destacam o seu primeiro livro Náusea (1952), Quatro Poemas de Agostinho Neto (1957), Com os Olhos Secos (1963), Sagrada Esperança (1974), A Renúncia Impossível (1982) e a sua Obra poética completa (2016, Fundação Agostinho Neto de Lisboa).
Recebeu o Prémio Lótus (1970) na 4ª Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos e o Prémio Nacional de Literatura (1975).

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