Política

“História do país deve ser esclarecida”

O deputado Lukamba Paulo “Gato” defende o "esclarecimento da História" do país,  passados 43 anos de  Independência.“Precisamos de esclarecer, entender e reconciliarmo-nos com o nosso passado e fazermos dele um cajado para os passos subsequentes da nossa caminhada”, disse o político.

11/11/2018  Última atualização 14H39
Rogério Tuti | Edições Novembro © Fotografia por: Político destacou que a data se comemora num ambiente de mudanças

O político da UNITA, que respondia a um questionário do Jornal de Angola sobre a celebração do 11 de Novembro, afirmou que o Presidente da República deu o primeiro passo, ao falar abertamente de figuras que fizeram história no MPLA. “O Presidente da República deu já um passo importante nesse sentido, ao destapar o véu que estava a escamotear a história do próprio partido da situação. Hoje já se fala abertamente de figuras como Ilídio Machado, Mário Pinto de Andrade, Daniel Chipenda, Gentil Viana, Viriato da Cruz  e outras que fizeram a história do MPLA”, realçou.
O político é de opinião que independente do grau de “antagonismo” entre os angolanos no passado, deve-se  ter capacidade de “voar alto como o nosso ''humbi humbi'' e ter a noção da responsabilidade sobre o presente e o nosso futuro comum”
Para o deputado, o  11 de Novembro deste ano tem um significado especial porque comemora-se num contexto histórico que configura uma perspectiva de mudança aos níveis dos paradigmas de governação, depois de 43 anos de existência de Angola como país independente.
Lukamba Paulo “Gato” apontou dois aspectos essenciais que o Presidente da República  deve falar para se ter uma ideia do rumo que se quer dar ao país:  João Lourenço deve clarificar que conteúdo concreto “quer dar ao problemático conceito de reconciliação nacional, para que isso deixe de ser um simples slogan, passando a ser um processo mensurável nas várias áreas que fazem o todo nacional, nomeadamente nos planos político e institucional, económico, social e cultural”
 O outro pilar importante  sobre o qual o Presidente da República se devia pronunciar , segundo o deputado,  tem a ver com a reforma do Estado. “O Estado angolano foi criado num contexto de conflito entre os três Movimentos históricos de Libertação (FNLA, MPLA e UNITA) pela conquista do poder, ao arrepio do plasmado no Acordo de Alvor”, disse.
O parlamentar afirmou que  o país está, desde 1992, num processo de consolidação de um Estado multipartidário e de Direito, pelo que é importante dar passos concretos nesse sentido, começando pela despartidarização da Administração Pública. O general na reserva lembrou que  o 11 de Novembro é, entre as datas de celebração nacional, aquela que mereceu unanimidade das lideranças dos três movimentos, mesmo em clima de conflito, já com claros contornos de internacionalização em 1975.
Lukamba Paulo “Gato” lembrou um dos textos do Acordo de Alvor que dizia:  “A Independência e soberania plena de Angola serão solenemente proclamadas em 11 de Novembro de 1975, em Angola, pelo Presidente da República Portuguesa ou por um representante seu, expressamente designado”.
  O deputado disse que  apesar do Acordo não ter sido respeitado, em Luanda foi    proclamada a independência, sob o signo de uma República Popular. No Huambo e Uíge foi igualmente proclamada a independência da República Democrática de Angola.
Lukamba Paulo “Gato” afirmou que o  11 de Novembro foi  a primeira grande conquista de todos os angolanos, independentemente da sua raça, credo, origem étnica ou filiação política.
O político propõe   que o 11 de Novembro passe a ser sempre celebrado na capital do país com desfile militar e toda a  “pompa” que o acontecimento impõe. “Reunir a família angolana em torno da celebração desta data é honrar todos aqueles que derramaram o seu sangue para que Angola fosse independente. Não aprovo a forma como temos assinalado essa data tão importante”, afirmou.
O deputado, que diz ser originário de uma família modesta do Bailundo, na província do Huambo,  referiu ter acreditado  que o fim da guerra colonial podia representar, de facto, o surgimento de uma nova era de paz, harmonia e maior crescimento económico e desenvolvimento social das populações, de forma a poderem usufruirem das enormes potencialidades do país. “Infelizmente, foi grande a minha decepção ao assistir à grande fractura nacional agravada com a intervenção de forças externas. Fizeram-se escolhas ideológicas erradas e o resultado foi brutal para a terra e os homens”, disse.
O político da UNITA lembrou que o país teve,  durante 16 anos, um dos mais violentos conflitos do continente, “para depois de tanto sacrifício de vidas humanas voltarmos para o multipartidarismo que já existia no nosso panorama político antes mesmo da independência”, salientou.

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