Opinião

Highlights de natureza económica

Juliana Evangelista Ferraz |*

As previsões do Banco Mundial(BM) para a região da África Subsaariana apontam para um crescimento de cerca de 3,6 por cento em 2022, que comparando com o ano de 2021 teve um incremento de 4 por cento, portanto, há uma ligeira desaceleração de cerca de 0,9 pontos percentuais.

26/04/2022  Última atualização 06H20

Este abrandamento foi muito associado a alguns reflexos dos constrangimentos económicos resultantes da pandemia da Covid-19. No entanto, com o levantamento das medidas mais restritivas que decorriam da pandemia, um pouco por todo o mundo, começam a ser concebidas medidas para alavancar a recuperação do crescimento económico, e uma delas, se relaciona com uma maior intervenção dos Estados para fomentar a retoma, ou seja, espera-se um maior aporte dos fundos públicos.


Países como os Estados Unidos da América e a Coreia do Sul, reforçaram o pacote dos seus fundos públicos à economia, a Inglaterra criou um Banco de Desenvolvimento porque para as autoridades inglesas esta foi a melhor solução para alavancar a economia. Já a Alemanha, a maior economia da Europa, reforçou em quatro vezes a capitalização do seu banco público para financiar a recuperação.

Por outro lado, a guerra  entre a Rússia e a Ucrânia, que já dura mais de dois meses, está a impactar negativamente em diversos sectores da vida económica e social de vários países da região, com destaque no preço dos alimentos, com realce no preço do trigo e dos seus derivados, que têm afectado directamente as famílias com o aumento do custo do produto acabado.

Segundo alguns analistas, a situação do aumento do preço dos alimentos pode criar consequências em termos de produção e logística com impacto no nível de transacções comerciais com os grandes compradores de trigo. De acordo com a FAO (Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) a alteração do padrão da procura de cereais (consumo humano vs consumo industrial) situou-se em cerca de 181 pontos no índice mensal de preços de alimentos, valor mais alto nos últimos cinco anos, sendo que este aumento a nível mundial representa cerca de 2,1 por cento, em comparação ao ano anterior.


A ONU alerta que a comunidade internacional tem de agir rapidamente no sentido de se garantir acesso a alimentos, evitar a interrupção dos financiamentos dos países evitando os cortes das cadeias de fornecimento. No entanto, admite que os diversos programas de combate à fome não têm sido bem implementados, e previne que é imprescindível retirar cerca de 100 mil pessoas da situação de desnutrição, para se atingir em 2030 a meta de eliminação total da fome no mundo.  Pois de entre outros males, que arrefecem a economia mundial, aumenta cada vez mais o nível de desemprego e o subemprego (principalmente nos países desenvolvidos, com taxas de 15 á 20 por cento).  

Relativamente à economia nacional o BM prevê uma taxa de crescimento animadora de cerca de 2,9 por cento, e comparando com o ano de 2021que teve apenas um crescimento de 0,7 por cento existe claramente uma variação positiva de cerca de 75 por cento. Um dado novo na conjuntura económica é que a economia nacional irá crescer mais do que a da África do Sul que irá posicionar-se apenas nos 2,1 por cento.


É importante para Angola manter esta trajectória de crescimento, muito próxima das economias mais robustas da região, como a Nigéria e a Côte d´Ivoire que este ano  prevê-se uma taxa de crescimento de 5,7 por cento, e que no médio prazo o país volte a fazer parte das posições cimeiras a nível da região, naturalmente com várias nuances associadas, desde o aumento do fluxo de investimento privado, com enfoque na  agro-indústria  e pecuária  que deve ser a principal alavanca de sustentação da economia nacional.

Também é crucial para o país, o melhor aproveitamento da subida do preço do petróleo no mercado internacional que permitirá a realização de receita necessária para contrapor a pressão sobre as reservas internacionais que seguiam um período de queda e, também, estas reservas poderão equilibrar a divida pública.

Associado a esta dinâmica, vários esforços conjugados foram efectuados como, por exemplo, as medidas do Banco Nacional de Angola para a valorização do kwanza, que se enquadram num conjunto de políticas e reformas que vêm sido implementadas, sobretudo nos últimos anos, que visam desenvolver e modernizar o sistema financeiro nacional alinhadas às melhores práticas internacionais.

Portanto, a lei garante a autonomia na gestão interna e tomada de decisão, e por outro lado, traz  o aperfeiçoamento e transparência nos actos de gestão. Com esta medida entre outras que foram tomadas, houve uma melhoria do rating que traz uma componente positiva nas condições de financiamento da economia, por exemplo na captação de financiamento com taxas mais atractivas, ou seja a um preço mais baixo.

 

* Economista

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião