Política

Guterres: “O mundo nunca esteve tão dividido”

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou, terça-feira, que o mundo nunca enfrentou tantas ameaças, como destruição da paz, desconfiança ou alterações climáticas e pediu cooperação entre os países presentes, na abertura do debate geral das Nações Unidas.

23/09/2021  Última atualização 09H05
António Guterres abriu a 76ª sessão da Assembleia- © Fotografia por: DR
António Guterres abriu a  76ª sessão da Assembleia-Geral da organização mundial com um alerta: "Estou aqui para soar o alarme. O mundo tem de acordar”, defendeu, alertando que este "nunca esteve mais dividido”.

O líder da maior organização mundial mencionou a preocupação que representa o embate entre as duas grandes potências, EUA e China, avisando que podem criar um problema "muito menos previsível e muito mais perigoso do que a Guerra Fria”.
Joe Biden

Na sua intervenção, o Presidente norte-americano, Joe Biden, reiterou que não está à procura "de uma nova Guerra Fria”, sem referir directamente à China, cuja ascensão tem considerado, noutros palcos, como o principal desafio do século XXI.

Os EUA estão "prontos para trabalhar com qualquer país que procure uma resolução pacífica para desafios conjuntos, mesmo tendo divergências intensas em outras áreas”, referiu.

O líder da Casa Branca defendeu que "segurança, prosperidade e liberdades” de todos "estão interconectadas” e que, por isso, existe a necessidade de "trabalhar juntos como nunca antes”.

Biden, que fez a sua estreia na Assembleia-Geral da ONU, disse ter terminado 20 anos de conflito no Afeganistão, fechando uma era de "guerra implacável” para abrir uma nova era de "diplomacia implacável”. Além disso referiu que, desde que chegou à Casa Branca, deu prioridade a revitalizar as alianças dos EUA, desde a NATO até à União Europeia, passando pela aliança com o Japão, a Índia e a Austrália. 

"Os EUA vão continuar a defender-se, a defender os seus aliados e os nossos interesses contra ataques, incluindo ameaças terroristas, e estamos preparados para usar a força, se necessário”, disse.

Contudo, sublinhou, "o poder militar deve ser a nossa última ferramenta, não a primeira, e não deve ser usada como a resposta para todos os problemas que vemos em redor do mundo”. 

"As bombas e as balas não podem defender contra a Covid-19 ou as suas futuras variantes. Para lutar contra esta pandemia, precisamos de um acto colectivo de ciência e vontade política”, reconheceu Biden, que lembrou os 4,5 milhões de mortos.

Em relação ao aquecimento global, e em vésperas da Conferência do Clima de Glasgow, os EUA comprometeram-se a "duplicar” o montante de ajuda aos países mais pobres para enfrentar as alterações climáticas.

Joe Biden também assegurou que o seu país regressará, plenamente, ao acordo sobre o programa nuclear iraniano, caso o Irão "faça o mesmo” e prometeu impedir que Teerão consiga obter a bomba atómica. "Os Estados Unidos permanecem determinados e prontos para impedir as armas nucleares iranianas”, frisou.

Trabalhamos com os membros permanentes do Conselho de Segurança (França, Reino Unido, Rússia e China) e ainda com a Alemanha "para obter, diplomaticamente, com toda a segurança, o regresso do Irão ao Acordo Nuclear”, afirmou, numa referência ao acordo de 2015, designado Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA). 
Jair Bolsonaro

O Presidente brasileiro defendeu a vacinação - apesar de ele próprio não ser vacinado -, mas mostrou-se contra a ideia do "passaporte sanitário”. Jair Bolsonaro voltou a defender tratamentos precoces para lutar contra a pandemia, cuja eficácia não está comprovada cientificamente.

No seu discurso, tradicionalmente o primeiro ainda antes do líder do país anfitrião, mencionou dados positivos na economia do Brasil ou no meio ambiente, que foram desmentidos por agências de verificação de factos.

"Estamos há dois anos e oito meses sem casos concretos de corrupção”, afirmou ainda, alegando que o país estava "à beira do socialismo”, antes de ele chegar ao Palácio do Planalto. 

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