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Guterres lamenta ataques da coligação árabe

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou hoje os ataques da coligação liderada pela Arábia Saudita na capital do Iémen, Sana, que provocaram pelo menos 12 mortes e manifestou a sua preocupação com a escalada do conflito.

18/01/2022  Última atualização 22H53
© Fotografia por: DR

O diplomata português tinha condenado na segunda-feira os ataques reivindicados pelos rebeldes houthis nos Emirados Árabes Unidos, membros da coligação liderada pela Arábia Saudita, que provocaram pelo menos três mortos e seis feridos, e apelado "à máxima contenção" de todas as partes.

Hoje, Guterres lembrou as obrigações das partes em "proteger os civis", salientou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, durante a conferência de imprensa diária.

De acordo com o direito internacional, os envolvidos no conflito devem respeitar "os princípios da proporcionalidade, distinção e precaução", sublinhou o porta-voz, especificando que o responsável da ONU voltou a apelar às partes "para evitar qualquer escalada do conflito".

O ataque da coligação árabe, em que pelo menos cinco das 12 vítimas mortais são civis, é uma das acções mais sangrentas contra a capital iemenita nos últimos anos.

O bombardeamento da coligação liderada pela Arábia Saudita foi uma represália contra anteriores ataques com mísseis e 'drones' (aviões não tripulados) reivindicados pelos rebeldes Houthis contra o aeroporto internacional de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que apoia Riade.

Segunda-feira, a maioria da comunidade internacional acusou as milícias rebeldes Houthis do Iémen, apoiadas pelo Irão, pelos ataques ao aeroporto de Abu Dhabi e a uma zona industrial da capital, mas Bennett foi o primeiro líder a responsabilizar directamente o Irão.

Os ataques em Abu Dhabi foram atribuídos aos rebeldes Houthis em primeiro lugar pela Arábia Saudita, que lidera uma coligação de países sunitas, incluindo os Emirados, em apoio ao governo no Iémen.

Vários países da região, como Bahrein, Kuwait, Egipto ou Iraque, bem como diferentes organizações regionais, como o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e a Liga Árabe, também condenaram a agressão.

O grupo também lançou mísseis em aeroportos sauditas, instalações petrolíferas e oleodutos, e usou barcos armadilhados em ataques em rotas marítimas estratégicas.

Embora tenha havido mortes de civis na Arábia Saudita devido a alguns destes ataques, o número esmagador de vítimas mortais tem ocorrido no Iémen.

A guerra iemenita matou 130.000 pessoas, tanto civis como combatentes, e exacerbou a fome e a miséria em todo o país.

O conflito é considerado pela ONU como a maior tragédia humanitária do planeta, actualmente, com 80% da população do país a necessitar de algum tipo de assistência para colmatar as suas necessidades básicas.

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