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Guterres destaca tarefas colossais que o “mundo deve responder”

António Guterres tomou, ontem posse para um segundo mandato como Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, declarando-se um “multilateralista devoto” e voltou a pedir distribuição de vacinas contra a Covid-19 como “prioridade mundial absoluta”.

19/06/2021  Última atualização 07H00
Secretário-geral da ONU voltou a chamar a atenção para o sofrimentodas mulheres no mundo © Fotografia por: DR
António Guterres, que prestou juramento pela segunda vez em cinco anos à frente de uma organização com 193 Estados-membros, em Nova Iorque, admitiu que existem "tarefas colossais” a que "o mundo deve responder unido”, com destaque para a prevenção de conflitos e preparação da segurança social em caso de futuras pandemias. 
Expressando gratidão a Portugal pela renomeação, o Secretário-Geral declarou-se um "multilateralista devoto, mas, também, português orgulhoso”, num discurso que proferiu em três línguas - inglês, francês e espanhol - na Assembleia-Geral da ONU. 

"Tudo o que aprendi e me tornei” foi resultado do trabalho "em conjunto” com o povo português, disse o antigo Primeiro-Ministro luso, agradecendo, ainda, a presença do Presidente  Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve na assistência para este momento solene. Ainda assim, na sua função à frente da ONU, Guterres sublinhou que vai servir, igualmente, a todos os 193 Estados-membros, como mediador e "construtor de pontes” para um multilateralismo que quer ver reforçado. 

O Secretário-Geral da ONU voltou a pedir vacinas contra a Covid-19 como "prioridade mundial absoluta” e defendeu um sistema sócioeconómico mundial mais equitativo, solidário e igualitário e "recuperação justa, verde e sustentável”. 

"Estima-se que 114 milhões de empregos foram perdidos, mais de 55 por cento da população mundial ficou sem qualquer forma de protecção social e, pela primeira vez em vinte anos, a pobreza está a aumentar, entre 119 e 124 milhões de pessoas caídas na pobreza extrema em 2020”, declarou Guterres sobre a pandemia da Covid-19, um dos mais graves desafios para a ONU, em 75 anos de história. 

O político e diplomata chamou a atenção para o sofrimento das mulheres em todo o mundo, que terão sido as mais afectadas nesta crise. Apelou, também, para uma maior participação dos jovens, das mulheres e  da sociedade civil em processos de tomada de decisão em todo o mundo, principalmente em defesa da igualdade de género. 

António Guterres defendeu como prioridades para o "sistema internacional”, a "prevenção e preparação” frente aos grandes desafios mundiais que são "a evolução da natureza dos conflitos e a probabilidade de futuras pandemias e outros riscos existenciais”. 

As mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição ambiental são outros dos desafios globais, segundo o antigo Alto-Comissário da ONU para Refugiados, ao lado do "declínio dos direitos humanos, falta de regulamentação no ciberespaço e uma divisão digital crescente”. No sistema mundial pré-pandémico, o Secretário-Geral quis reconhecer "pontos positivos” como o avanço tecnológico que permitiu o teletrabalho para grande parte da população e não teria sido possível há 10 anos. 

António Guterres mostrou, ainda, confiança na importância da organização que lidera, por ter conseguido um consenso multilateral para "reformas nas áreas de desenvolvimento, gestão, paz e segurança” e por um certo "ímpeto para algumas das transformações mais profundas. 

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