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Guterres apela à ajuda para o Nordeste de África

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou ontem aos doadores e à comunidade internacional para que financiem urgentemente os planos de resposta humanitária deste ano para o Nordeste de África e “evitem uma catástrofe”. De acordo com Guterres, esses planos de resposta humanitária estão apenas financiados em cerca de 20 por cento, o que considerou "inaceitável".

27/05/2023  Última atualização 07H25
Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres © Fotografia por: DR
"Crises atrás de crises ameaçam as vidas e os meios de subsistência de milhões de pessoas em todo o Corno de África: a seca mais longa já registada, deslocamento em massa após anos de conflito e insegurança, preços elevados dos alimentos, e agora o caos e os combates no Sudão, irradiando instabilidade por toda a região. Devemos agir agora para evitar que a crise se transforme em catástrofe", instou, citado pela Efe.

Guterres, juntamente com os Governos de Itália, Qatar, Reino Unido e Estados Unidos da América, em colaboração com os Governos da Etiópia, Quénia e Somália, realizaram hoje um evento de doação de alto nível para apoiar a resposta humanitária no Nordeste de África. O objectivo do evento é assegurar recursos ampliados para atender às necessidades humanitárias sem precedentes que a região enfrenta este ano e obter dos parceiros humanitários um compromisso para implementar a assistência que salvará vidas naquela região da África.

No ano passado, devido ao apoio de países doadores, a assistência salvou a vida de 20 milhões de pessoas, de acordo com dados da ONU. "Agora, o apoio deve corresponder à escala do desafio. (...) Sem uma injecção imediata e importante de financiamento, as operações de emergência serão interrompidas e as pessoas morrerão", disse Guterres.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a seca do ano passado na Somália ceifou quarenta mil vidas, sendo que metade eram crianças com menos de 5 anos. Embora as chuvas recentes tenham resultado num alívio momentâneo, as comunidades vulneráveis enfrentam mais um ano de muitas dificuldades.

Entretanto, um evento de apoio à resposta humanitária no Corno de África reuniu 2,4 mil milhões de dólares para assistência a 32 milhões de pessoas, informou ontem a Organização das Nações Unidas. Com o Corno de África a enfrentar os impactos combinados de uma seca histórica, conflitos e choques económicos, os doadores responderam a um apelo das Nações Unidas e prometeram entregar recursos adicionais com urgência, para evitar que o cenário piore ainda mais na Etiópia, Quénia e Somália.

Os fundos anunciados permitirão que as agências humanitárias sustentem canais de entrega de alimentos, água, cuidados de saúde, nutrição e serviços de proteção. "Congratulamo-nos com os anúncios de apoio ao povo do Corno de África, que precisa do nosso compromisso contínuo para se recuperar de uma crise de proporções catastróficas”, disse a secretária-geral adjunta das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e vice-coordenadora de Ajuda de Emergência, Joyce Msuya.

"Devemos persistir em pressionar por investimentos intensificados, especialmente para reforçar a resiliência das pessoas que já sofrem o impacto das mudanças climáticas”, acrescentou Msuya, citada em comunicado. Apesar das doações, o valor ainda está distante dos sete mil milhões requeridos pela comunidade humanitária para dar resposta e proteção às pessoas afetadas por secas e conflitos na região em 2023.

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