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Guiné-Bissau prepara-se para “os piores efeitos da pandemia”

O Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Nuno Nabia, disse que o país está a preparar-se para “os piores efeitos da pandemia” e que precisa de apoio no sector da saúde, mas também para as consequências económicas.

13/06/2020  Última atualização 10H24
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Em entrevista à Lusa, Nuno Nabia afirmou que a pandemia do novo coronavírus vai ter na Guiné-Bissau um custo económico “pesado e duradouro”, que vai ameaçar o “progresso” e ampliar as desigualdades.
“Estamo-nos a preparar para os piores efeitos desta pandemia, mas precisamos de apoio na preparação para a crise de saúde e para as consequências económicas”, sublinhou.

Questionado pela Lusa sobre os laços do seu Governo com os principais parceiros internacionais, o Primeiro-Ministro guineense disse estar “focado em aprimorar as relações” e que atinjam o “ponto óptimo”.

“Herdei o Governo e deparei-me com a situação dos cofres do Estado depauperados pelo meu antecessor. Portanto, face a estas emergências latentes, era crucial o apoio e amparo dos parceiros internacionais”, disse Nuno Nabia.

Nuno Nabia foi nomeado Primeiro-Ministro pelo Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, que demitiu o Governo de Aristides Gomes, que saiu das legislativas de Março de 2019.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que tem mediado a crise política no país, tinha dado até 22 de Maio para ser formado um Governo, que respeitasse os resultados das eleições legislativas.

O Parlamento da Guiné-Bissau, de onde emana o Governo, está dividido em dois blocos e ambos reclamam ter a maioria para governar. Contudo, o Presidente guineense decidiu dar um prazo até 18 de Junho para que o impasse político seja resolvido no Parlamento.
Segundo o Primeiro-Ministro guineense, no início do seu mandato, sentiu um “ligeiro constrangimento da comunidade internacional”, talvez devido à “desconfiança”.

Esse é um “facto que estamos gradualmente a superar graças à nossa forma de dirigir, assente numa estratégia muito simples: gestão transparente e prestação de contas”, afirmou.

Nuno Nabia afirmou também que a gestão da pandemia do novo coronavírus foi gerida no “início apenas com meios e dinheiros do Estado”.
O que, disse, terá “despertado na comunidade internacional a confiança de que necessitavam”.

“Hoje, o quadro que temos, tanto a nível bilateral, como multilateral é bem diferente de há dois meses, ou seja, efectivamente, temos recebido apoio de alguns parceiros, como o Banco Mundial, por exemplo”, salientou.

O Primeiro-Ministro guineense disse também que recebeu, sem surpresa, o relatório do Programa da ONU para o Desenvolvimento sobre o impacto sócioeconómico da pandemia no país e que avisa para a possibilidade de um aumento da pobreza e do colapso do sistema de saúde.
“Era previsível que o impacto da pandemia fosse devastador a nível social e económico”, afirmou.

Segundo o chefe do Governo, foi feito um esforço “incomensurável e apenas com recursos internos” para combater a pandemia e garantir a segurança alimentar.

“Adquirimos e estamos a distribuir a toda a nossa população mais de 25 mil toneladas de arroz e 10 mil toneladas de açúcar. Esse esforço colossal representa para o Governo a certeza de que nenhum guineense irá passar fome ou deixará de ter uma alimentação adequada, por força dos danos colaterais da pandemia”, sublinhou.

Nuno Nabia disse também que estão a ser avaliadas medidas e acções a serem implementadas para “recuperar as finanças públicas, apoios e incentivos às empresas, como forma de salvaguardar empregos e rendimentos” e recordou que o Estado já emprestou dinheiro aos bancos para capitalizar os operadores nacionais da campanha de caju.

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