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Grupo armado assalta armazém do PAM

Um grupo armado, em Cabo Delgado, norte de Moçambique, assaltaou um armazém associado ao Programa Mundial para Alimentação (PAM), no distrito de Quissanga, no primeiro ataque documentado contra uma agência das Nações Unidas naquela província, anunciou, ontem, fonte oficial.

07/05/2020  Última atualização 10H44
DR © Fotografia por: Violência afecta assistência a milhares de moçambicanos

“O incidente ocorreu, quando um grupo armado invadiu um armazém operado por um parceiro local do PAM e roubou alimentos”, disse à Lusa o director interino do PAM em Moçambique, James Lattimer, avançando que não houve vítimas mortais, nem feridos, durante a invasão.
No total, segundo a agência das Nações Unidas, 116.6 toneladas de cereais, leguminosas e óleo vegetal terão sido saqueadas no posto administrativo de Mahate e, segundo fontes locais contactadas pela Lusa, os produtos terão sido distribuídos pela população de Quissanga.
“Este é o primeiro caso documentado em que grupos armados invadiram deliberadamente um armazém humanitário”, disse James Lattimer . A assistência humanitária do PAM em Cabo Delgado atende 95 mil pessoas carenciadas nos distritos de Pemba, Metuge, Nangade, Macomia, Palma, Mueda e Montepuez, mas devido à situação de insegurança, em Março, a agência retirou os funcionários dos pontos afectados pela violência, estando apenas um grupo de “funcionários essenciais” a coordenar o apoio, a partir de Pemba, capital provincial. “Devido às restrições de acesso e insegurança, no período de 1 a 25 de Abril, a assistência humanitária alcançou apenas 39.500 beneficiários com cestas”, afirmou James Lattimer. Cabo Delgado, região onde avançam projectos de extracção de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados “uma ameaça terrorista “, que já provocaram a morte de, pelo menos, 500 pessoas nos últimos dois anos e meio.
As autoridades moçambicanas contabilizam 162 mil afectados pela violência armada. No final de Março, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infra-estruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.
Na ocasião, num vídeo distribuído na Internet, um alegado militante 'jihadista' justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objectivo de impor uma lei islâmica na região. Foi a primeira mensagem divulgada por autores dos ataques, que ocorrem há dois anos e meio na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.

Novo ataque na província de Manica

Pelo menos, quatro pessoas ficaram feridas, incluindo uma com gravidade, na sequência de um ataque contra um autocarro, na terça-feira, na província de Manica, junto à Estada Nacional 1, a principal ligação entre o Sul e Norte de Moçambique, disseram, ontem, à Lusa, fontes locais.
O ataque ocorreu na região de Muda Serração, junto à Estada Nacional e o autocarro, que seguia com passageiros, foi alvejado poucos minutos depois de deixar uma posição militar, onde tinha pernoitado devido à insegurança na região.
“Foi algo inesperado, só ouvimos barulho de tiros”, disse Victor Amos, um passageiro, adiantando que os disparos vinham de uma mata não distante de uma aldeia, quase que desabitada.
Segundo Abdul José, que também seguia no autocarro, foram disparados, pelo menos, seis tiros , que atingiram os pés de quatro passageiros.
O autocarro, da empresa Transportes Terrestres de Moçambique (TTM), e os passageiros, tinham pernoitado na zona de Mutindiri, onde foi montada uma posição militar que impede a circulação de viaturas no troço alvo de emboscadas (entre Mutindiri e Muda Serracao), depois das 18h00.
Em declarações à Lusa, a fonte de uma unidade de saúde local disse que os feridos foram assistidos e depois transferidos para o Hospital Provincial de Chimoio, unidade de referência da província, devido ao grau dos ferimentos.
Este é o quarto ataque que ocorre em menos de uma semana, nos quais ficaram feridas oito pessoas.
Esta incursão surge na sequência de outras registados nas províncias de Manica e de Sofala, que já provocaram a morte de 23 pessoas, desde Agosto, em estradas e povoações daquelas duas províncias do centro de Moçambique. Na região, deambulam guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), liderados por Mariano Nhongo, acusado pelas autoridades de ser responsável pelos ataques, mas que apenas assumiu algumas acções.
O grupo tem ameaçado recorrer à violência armada para negociar melhores condições de reintegração social do que as acordadas pelo seu partido com o Governo. A zona do ataque tem sido palco de outras incursões no troço que liga o norte do pais ao Inchope, importante entroncamento com a EN6, entre a Beira e o Zimbabwe.
Recentemente, analistas moçambicanos consideraram que o Estado deve mostrar “uma indignação genuína” com a morte de pessoas às mãos de grupos armados, evitando tratar estas situações com “leviandade” para não perpetuar a “impunidade”.

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