Entrevista

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“Governo investiu 62,5 milhões de dólares na construção de três laboratórios pelo país”

Isaque Lourenço

Jornalista

Em entrevista ao Jornal de Angola, o PCA do IGEO enumerou alguns dos principais desafios que a instituição tem estado a desenvolver, tendo destacado que com o investimento aplicado, a estrategia adoptada passa pela garantia de serviços até aqui eram realizados no exteriror possam ser feitos internamente, de modo a gerar postos de trabalho, poupança de divisas e uma maior contribuição na arrecadação fiscal.

21/06/2021  Última atualização 04H00
© Fotografia por: DR
Quantos laboratórios geológicos tem o país neste momento, em que províncias estão e qual a necessidade real?

Para além de nós, existem outras instituições que possuem laboratórios equipados para prestar serviços as empresas mineiras. Neste contexto, posso citar os laboratórios da Geoangola e da Universidade Agostinho Neto. O IGEO, em particular, conta com três laboratórios geo-científicos construídos no âmbito do Plano Nacional de Geologia. Essas infra-estruturas servem de apoio à actividade geológico-mineira em Luanda, em Saurimo (Lunda-Sul) e no Lubango (Huíla).

Especificamente que ganhos adicionam à Indústria mineira?

O Laboratório Geocientífico Central, em Luanda, oferece serviços como análise do teor de metais nobres em amostras geológicas: (Cobre (Cu), Mercúrio (Hg), Prata (Ag), Platina (Pt) e Ouro (Au)); caracterização mineralógica, e análise qualitativa, semi-quantitativa e "quantitativa” de elementos químicos em amostras minerais, usando microssonda electrónica; análise de parâmetros químicos da água; determinação do pH e a análise termogravimétrica. O da Huíla, no caso, é designado de Laboratório Geocientífico do Centro Regional Sul e Centro de Valorização de Rochas Ornamentais. Atendendo à necessidade de dinamizar, diversificar e prestar serviços especializados a empresas do sector geológico-mineiro, além das análises genéricas, o Laboratório está vocacionado para efectuar análises na área de hidrogeologia. Fora do âmbito do PLANAGEO, foi instalado no Congenge, designadamente, no edifício do Laboratório Geocientífico do Lubango, o Centro de Valorização de Rochas Ornamentais (CVRO). Trata-se de uma unidade de pesquisa tecnológica especializada que responde ao processo de estruturação e modernização do IGEO. A missão do CVRO é realizar ensaios laboratoriais que permitam conhecer as propriedades físicas da rocha ornamental e outros materiais aplicados na construção civil e obras públicas, visando a certificação da origem e valorização do produto, bem como a criação da marca da Pedra Natural de Angola no contexto do mercado internacional.

No caso da Lunda-Sul, o que motivou o laboratório lá instalado?

Já o Laboratório Geocientífico do Centro Regional Este, na Lunda-Sul, tem em curso a construção do Laboratório de Microdiamantes, que visa tratar e analisar amostras de material kimberlítico e aluvionar para apoio à prospecção e pesquisa de diamantes, inibindo a exportação destes serviços assim como o dispêndio de divisas e de tempo; potencializar o aproveitamento económico da mineralização associada ao diamante, e deste modo diversificar a fonte de receitas; dinamizar a investigação científica no âmbito das geociências, com foco no conhecimento exaustivo sobre as gêneses e proveniência dos diamantes e dinamizar a indústria diamantífera da região e garantir a soberania do nosso país.

Quanto gastou o Governo?

Para a construção e apetrechamento dos três laboratórios, o Governo investiu 62,5 milhões de dólares, incluindo a formação e capacitação do Capital Humano.

O que é que se faz nos Institutos geológicos?

O Instituto Geológico de Angola (IGEO) tem como missão estratégica organizar e sistematizar o conhecimento geológico e o potencial dos recursos minerais do território angolano, em harmonia com a política definida pelo Executivo. Presta serviços de gestão do conhecimento geocientífico e do potencial mineiro de todo território nacional; elaboração da Cartografia geológica. Geoquímica e hidrogeológica; elaboração de estudos sobre os recursos minerais e prestação de serviços especializados; armazenamento e gestão da informação geológico-mineira (IMG) em território angolano efectuada pelo IGEO e entidades autorizadas; divulgação da informação geológica; prospecção de águas subterrâneas e a realização de sondagens para identificação de depósitos minerais.


Que impacto têm estas actividades para a economia nacional?

Antigamente, a principal referência do sector dos recursos minerais era a exploração diamantífera. Agora há uma clara diversificação na prospecção e exploração de outros recursos, pois foram identificadas várias áreas que podem estimular a economia. Estão assim criadas as condições para aumentar a eficiência no sector e a utilização das receitas resultantes da exploração mineira. Há diligências para promover o aumento da produção e da arrecadação fiscal.

A actividade geológico-mineira resume-se no PLANAGEO?

Não. O PLANAGEO é apenas um plano estruturante para melhorar o conhecimento geológico do território angolano, capacitar os quadros do IGEO e garantir infra-estruturas de apoio à actividade mineira.


Fale-nos um pouco mais detalhadamente sobre o Planageo e outras actividades em curso?

O PLANAGEO é um Projecto estruturante, aprovado pela Resolução nº 85/09, de 24 de Setembro. Foi concebido para melhorar o conhecimento da geologia e do potencial dos recursos minerais do território nacional à uma escala que permita o fomento e a implementação de políticas que visam a actividade mineira em Angola, através do fornecimento de informação geológica fiável aos investidores. Assim, constituem objectivos principais relançar e dinamizar o subsector de Geologia e Minas ao nível do país; melhorar o conhecimento da geologia e do potencial dos recursos minerais do território nacional; reestruturar, capacitar e apetrechar o Instituto Geológico de Angola (IGEO); assegurar o desenvolvimento sustentável do país e aumentar a contribuição fiscal do subsector de Geologia e Minas.

O que se investiu para realizar o PLANAGEO, quando termina e com que parceiros contam?

Temos previsão para concluir o PLANAGEO no fim deste ano, apesar do impacto desfavorável que a pandemia da Covid-19 tem causado no desenvolvimento deste projecto.

Os recursos geológico-mineiros são estratégicos e fundamentais na diversificação da economia. O que está efectivamente a ser feito para a completa identificação da riqueza nacional escondida no subsolo?

Para este efeito, está em curso o PLANAGEO  que tem como subprogramas os levantamentos aerogeofísicos, geológicos, geoquímicos, bem como estudos específicos.


Falamos muito em diamantes, ferros e rochas ornamentais. Mas há outros recursos...

Angola não tem apenas esses recursos, tem mais que isso. Porém é preciso mais trabalhos para a descoberta de outros recursos. A informação recentemente adquirida no âmbito do PLANAGEO indica a existência de mais recursos e que será necessário mais trabalhos de detalhe.


Pouco ou nada sabemos sobre Terras Raras, Nióbio e até mesmo o Fosfato?

Temos um considerável conhecimento sobre esses minerais que mencionou. Por exemplo, a existência de potenciais ocorrências de elementos de terras raras no complexo alcalino da Serra da Neve, localizada na província do Namibe, no litoral-Sul de Angola.
Trata-se de um complexo de aproximadamente 11 mil quilómetros quadrados que, para além do seu potencial em terras raras, dispõe de mineiros como fosfatos, rochas ornamentais e composto de garbo-anartosítico.


Pelo conhecimento que detém, qual é a nossa posição no quadro dos países mineiros em África e no mundo em geral?

Os cientistas dizem que Angola ainda é um território quase virgem. Ainda há muita coisa por se descobrir e muita investigação científica por ser efectuada.


Qual é a relação entre o Instituto Geológico e a Direcção de Geologia e Minas?

Essa Direcção a que se refere pertencia ao antigo Ministério da Geologia e Minas. Actualmente, existe a Direcção Nacional dos Recursos Minerais, conforme o Estatuto Orgânico do Ministério dos Recursos Minerais Petróleo e Gás. O também conhecido por MIREMPET é um órgão do Executivo a quem cabe ditar as políticas para o sector. Por sua vez, o IGEO tem como atribuições realizar estudos e projectos de geociências, visando a avaliação e aumento do conhecimento do potencial geológico e mineiro do país.


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