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Governo dos talibãs acolhido com suspeita

A União Europeia e os Estados Unidos reagiram, ontem, negativamente à composição do Governo interino afegão, que inclui a velha guarda talibã, mas nenhuma mulher, facto que contraria as promessas de abertura do regime.

09/09/2021  Última atualização 06H55
Executivo integra diversas personalidades talibãs © Fotografia por: DR
De regresso ao poder desde meados de Agosto, os talibãs apresentaram na terça-feira, em Cabul, um Governo que não é nem "inclusivo” nem "representativo” da diversidade étnica e religiosa do Afeganistão, lamentou a União Europeia (UE), na mais severa crítica de Bruxelas dirigida ao actual regime.

O novo executivo integra diversas personalidades talibãs já muito influentes há duas décadas, quando os islamitas impuseram um estrito regime fundamentalista entre 1996 e 2001.

 O Governo dos talibãs foi designado alguns dias antes do 20º aniversário dos atentados do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, que justificaram uma intervenção militar internacional dirigida por Washington e que implicou a queda do poder dos fundamentalistas.

Todos os membros deste Governo, dirigido por Mohammad Hassan Akhund - um antigo colaborador próximo do 'mullah' Omar, fundador do movimento e que morreu em 2013 -, são talibãs. E quase todos pertencem à etnia pashtun.
Diversos dos novos ministros estão incluídos nas listas de sanções da ONU, e quatro estiveram detidos na prisão norte-americana de Guantánamo, na ilha de Cuba.

 Mohammad Hassan Akhund é conhecido por ter aprovado a destruição, em 2001, dos budas gigantes de Bamyain (centro), segundo indicou Bill Roggio, chefe de redacção do Long War Journal.
Abdul Ghani Baradar, co-fundador do movimento, assume a pasta de vice-Primeiro-Ministro, e o 'mullah' Yaqub, filho do mullah Omar, o Ministério da Defesa.

A pasta do Interior foi atribuída a Sirajuddin Haqqani, definido por Washington como terrorista e historicamente próximo da Al-Qaeda.  Ao anunciar o Governo, o porta-voz talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que "não estava completo” e que o movimento tentaria incluir "pessoas provenientes de outras regiões do país”.

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