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Governo do Líbano cede à pressão da população e renuncia em bloco

O Governo do Líbano não resistiu à pressão popular, demitiu-se em bloco, na noite de segunda-feira (madrugada em Angola), na sequência de um Conselho de Ministros extraordinário, noticiou, ontem, a agência de notícias AFP.

12/08/2020  Última atualização 08H14


O Executivo libanês nunca teve vida fácil desde que iniciou funções, em Janeiro, com o país mergulhado numa grave crise política e económica, e a explosão que arrasou o porto da capital, Beirute, tornou o cenário praticamente inevitável.
A queda do Governo foi anunciada pelo Primeiro-Ministro, que lamentou ter sido incapaz de implementar as reformas pretendidas justificando-se com a corrupção crónica que grassa no país.

A explosão causou uma onda de indignação na sociedade libanesa com a população a exigir explicações sobre as causas do incidente e a rotular o Executivo e os dirigentes políticos do país de negligentes e incompetentes durante os megaprotestos de ruas que juntaram multidões em quase todas as cidades do país.
Na sequência da pressão popular libanesa e internacional, num anúncio, na televisão, o Presidente Michel Aoun aceitou a renúncia do Executivo, mas pediu, no entanto,que este permaneça de maneira interina até à formação de um novo Governo.
A insatisfação crescente da população libanesa ficou patente com assaltos a prédios de ministérios, no sábado e domingo, associados à convocação de um levantamento popular contra o Governo.

Em comunicado, o Primeiro-Ministro pediu, também, o julgamento dos responsáveis pela explosão.
Hassan Diab disse que “o Governo dará um passo para trás”, mas que continua com o povo, criticando, também, a elite do país, a qual acusa de mentir ao povo. E finalizou com a frase: “Que Deus proteja o Líbano”.
A renúncia completa do Executivo surgiu após alguns ministros, entre os quais os da Justiça, Finanças, Ambiente e de Informação terem já renunciado ao cargo nos últimos dias, assim como nove deputados que renunciaram na segunda-feira.

O Governo de Hassan Diab é culpado pela população e a comunidade internacional por permitir o armazenamento de mais de 2.700 toneladas de substância altamente explosiva no porto de Beirute sem qualquer cuidado. O desastre multiplica os problemas na esfera económica, já que destrói a principal porta de entrada e saída do comércio libanês, e da saúde. A explosão destruiu, pelo menos, três hospitais e todo o estoque de equipamentos de protecção destinado ao combate da Covid-19 no país.
Pelo menos, 200 pessoas morreram, segundo dados avançados pelo governador de Beirute, seis mil ficaram feridas e mais de 300 mil perderam as residências.

A investigação para apurar responsabilidades prossegue, na segunda-feira, o juiz Ghassan El Khoury começou a interrogar as chefias das agências de segurança interna no Líbano.
E de acordo com a informação avançada pelos meios de Comunicação Social, citados pela AFP, o major-general Tony Saliba, responsável pela Segurança do Estado, foi o primeiro a ser ouvido.

Enquanto decorrem as operações de limpeza, crescem as promessas de auxílio nacional e internacional. E tal como prometido, há dias, o Presidente francês, Emmanuel Macron, que marcou presença na teleconferência de doadores para o Líbano, no domingo , ao lado de outras figuras, incluindo o Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeram uma ajuda de cerca de 300 milhões de euros, além de uma investigação credível e independente sobre as circunstâncias do incidente.

“Esses compromissos não são condicionados a reformas políticas ou institucionais”,disse , em comunicado o Governo do Presidente Emmanuel Macron. Também foram feitas promessas de apoio a longo prazo que dependeriam de mudanças introduzidas pelas autoridades, segundo o Palácio do Eliseu.
No plano económico, o Fundo Monetário Internacional afirmou que a concessão de empréstimos vai depender das reformas a nível do Governo.
No domingo um avião russo chegou, também, ao país com equipas médicas e de socorro.

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