Política

Governo do Cuanza-Sul aposta no crescimento sustentável

Casimiro José| Sumbe

A província do Cuanza-Sul assinalou, a 15 de Setembro do corrente ano, 105 anos desde a sua fundação, à luz da Portaria nº3565, que formalizou o desmembramento do antigo Distrito do Kwanza, que englobava as actuais províncias do Cuanza-Sul e Cuanza-Norte, facto que ocorreu durante a vigência do sistema colonial português, no longínquo ano de 1917.

22/09/2022  Última atualização 08H30
© Fotografia por: DR

A maior parte dos habitantes da província do Cuanza-Sul é oriunda do reino do Ndongo, concretamente na província de Malanje, e também do Norte de Angola, por isso a sua identidade linguística é caracterizada por vários grupos. As principais línguas faladas na província são o Kimbundu e o Umbundu com as suas respectivas variantes.

O Cuanza-Sul é rico em hábitos e costumes. A população alimenta-se, fundamentalmente, de funje de milho e de bombó, batata-doce e rena, hortícolas, peixe e carne.

As festas tradicionais são realizadas na época do cacimbo, período que vai desde finais de Maio a Setembro de cada ano. A população dedica-se, essencialmente, à agricultura, que tem garantido boas safras, motivo para a exibição de danças tradicionais, como cangondó, o olundongo, o Onhaco a catita e outras, que, também, são apresentadas quando morre um membro proeminente da comunidade ou no fim de cada ciclo de circuncisão.  

Na época colonial, o Cuanza-Sul foi, em 1973, o maior produtor de café da então província ultramarina. Essa posição, alcançada naquela época, pode ser retomada tendo em conta as suas potencialidades, em termos de extensão de terras aráveis, clima e hidrografia.

A província do Cuanza-Sul atingiu níveis de crescimento, em todos os sectores, desde a conquista da paz efectiva, em Abril de 2002. Os êxitos deveram-se aos investimentos feitos pelo Executivo, sobretudo nos domínios social, económico e cultural.

As potencialidades e a localização geográfica da província fazem dela uma região privilegiada em investimentos de médio e longo prazos, facto que proporciona a oferta de bens e serviços, bem como a geração de empregos no seio da juventude.

Entre os ganhos, destacam-se a expansão do ensino superior, com cursos diversificados, a melhoria dos sectores da Saúde e da Educação (em infra-estruturas e recursos humanos), além do relançamento da indústria metalomecânica, como a PENAL,  e a fábrica de cimento Yeto, sendo  uma unidade industrial moderna, considerada uma das maiores no continente berço.

Além da componente material, a formação de quadros tem estado nas prioridades do Governo da província, através de bolsas internas e externas, além da constante superação dos quadros e agentes do funcionalismo público.

Os níveis de crescimento repercutem-se na vida das pessoas e, cada vez mais, o sonho se transforma em realidade, com o trabalho de homens e mulheres desta parcela do território nacional.

 Sector da Saúde

O director provincial da Saúde, Abreu Undongo, disse que o sector que dirige apresenta um quadro satisfatório, sobretudo no domínio das infra-estruturas e recursos humanos.

Adiantou que a melhoria da situação sanitária atingiu indicadores qualitativos e quantitativos, fruto dos investimentos feitos, com a  implementação do Programa dos Cuidados Primários de Saúde e, nos últimos tempos, com a execução de obras, no quadro do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).

Acrescentou que, em 2002, a rede sanitária da província era constituída por cinco hospitais de referência, 16 centros médicos, 179 postos de saúde, cujos serviços eram assegurados por 25 médicos, 439 enfermeiros, 91 técnicos de diagnóstico e terapêutica e 78 quadros de apoio hospitalar. "Volvidos 20 anos de paz efectiva, foram dados passos gigantescos em todos os domínios e, actualmente, a rede sanitária é constituída por três hospitais gerais, dois hospitais provinciais de especialidade, nomeadamente o Hospital Pediátrico e a Maternidade Provincial, dez hospitais municipais, 33 centros médicos e 230 postos de saúde".

Deu a conhecer que a província conta com 125 médicos, 1.577 enfermeiros, 289 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 398 efectivos de apoio hospitalar e 328 administrativos.

Adiantou que o sector regista défice em termos de médicos de especialidade, em unidades sanitárias nos municípios do interior, principalmente nas áreas de Obstetrícia, Cirurgia e Ortopedia.

Ganhos registados no sector da Educação
 

O director provincial da Educação, Inácio Buta Tito, garantiu que o sector caminha há passos largos, enquadrando-se ao plano de desenvolvimento, que visa alcançar bons indicadores em termos de infra-estruturas e  pessoal docente, nos vários subsistemas de ensino.

Fazendo uma análise comparativa, em relação à realidade vivida em 2002, Inácio Buta Tito referiu que naquela época a rede escolar da província era constituída por 338 escolas, que acolhiam 128.243 alunos, nos vários subsistemas de ensino, sendo as aulas ministradas por 4.920 professores.

Actualmente, segundo Inácio Buta Tito, fruto dos investimentos feitos, a realidade mostra avanços e melhorias significativas, no domínio das infra-estruturas, bem como no aumento do quadro docente, que propiciaram o ingresso de mais alunos nos vários subsistemas de ensino. "A rede escolar na província do Cuanza-Sul, hoje, é constituída por 545 escolas, correspondentes a 6.392 salas de aula, que acolhem 343.582 alunos, sendo as aulas ministradas por 11.242 professores, nos vários subsistemas do ensino".

  Agricultura e Pescas

A província do Cuanza-Sul é potencialmente agrícola, com solos e água abundantes, bem como clima favorável para várias culturas e a criação de gado.

Na primeira época da campanha agrícola do corrente ano, a província conta com 237.724 hectares preparados, com o envolvimento de 341.761 famílias.

De acordo com o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, Laurindo Ladeira, em 2013, a província foi eleita para a produção, em grande escala, de cereais e leguminosas, entre outros, alcançou as metas preconizadas devido à crise económica internacional, que afectou a estrutura económica do país.

A província conta com grandes projectos agro-pecuários, destacando-se a Sociedade Aldeia Nova, Fazenda Santo António, Fazenda Mato Grosso Camama, Fazenda Cambondo, Sediac, Emirais, Fazenda Vissolela, Nova AgroLíder, Nuviagro, Catinda e Fazenda Vrelo, grande parte das quais produz cereais e hortícolas, dedicando-se à criação de gado, contribuindo para a segurança alimentar dos habitantes da província e do país em geral.

Laurindo Ladeira apela aos empresários no sentido de investirem no Cuanza-Sul, que considerou "a província mais promissora, em todos os domínios".

Entre os principais produtos agrícolas cultivados destaque recai para o milho, feijão, mandioca, café, algodão, amendoim, batata  rena e doce, abacate, ananás, citrinos, goiaba, maracujá, manga, dendém, soja, tabaco, sisal e hortícolas.

 Habitação

O sonho da casa própria no seio dos jovens começa a tornar-se realidade, com a abertura da Centralidade da Quibaúla, que dispõe de todas as condições necessárias e possui 2.010 habitações, todas da tipologia T3, 1.404 apartamentos, 393 moradias de dois pisos, 213 moradias térreas e 156 espaços comerciais. 

A Centralidade da Quibaúla constitui um dos maiores ganhos da província, em termos de habitação.

 Indústrias em franco crescimento

A província do Cuanza-Sul está na lista de escolha para grandes investimentos. Além de nela estar implantada uma das maiores fábricas de cimento, a cidade de Porto-Amboim alberga uma indústria metalomecânica, a PENAL, responsável pelo fabrico de uma das maiores gruas no continente africano, com capacidade de suportar 2.500 toneladas de peso.

A província destaca-se, também, na produção do palmar, tendo sido já identificadas as áreas para o seu relançamento.

Os principais recursos minerais são o gesso, mica, cobre, calcário, quartzo, asfalto, diamante e ouro.

Sector do Ambiente

O Governo do Cuanza-Sul continua a traçar estratégias para fazer face às alterações climáticas. Nesta senda, procedeu à reflorestação de mangais em toda a orla marítima, de Setembro de 2021 a Maio do corrente ano, com um total de 222 plantas, com a finalidade de proteger e conservar as espécies de plantas naturais e tropicais, que toleram a água salgada.

De acordo com o director do Gabinete Provincial do Ambiente, Resíduos Sólidos e Serviços Comunitários, Lunginge Correia da Silva, a iniciativa visa à salvaguarda das plantas em risco de extinção. "Os mangais são ecossistemas naturais tropicais, compostos por espécies de plantas que toleram as águas salgadas, localizadas em zonas costeiras e de transição entre os ambientes terrestre e marinho, denotando-se, nos últimos tempos, a sua extinção, face às actividades humanas”.

De acordo com Lunginge Correia da Silva, "os mangais a nível da costa estão em risco, porque são plantas que as comunidades piscatórias junto à orla marítima derrubam para produzir carvão vegetal, empobrecendo o santuário e os berçários para a multiplicação das espécies marinhas e aquáticas”.

A par do programa de repovoamento dos mangais, o sector do Ambiente na província também tem em marcha outro programa de reflorestamento, que abrange os 12 municípios da província, com o repovoamento de plantas.

 Aposta do Governo 

O governador do Cuanza-Sul, Job Capapinha, considerou que o desenvolvimento da província pode ser consumado, a julgar pela gente trabalhadora que dispõe. "A província do Cuanza-Sul tem tudo para dar certo, porque congrega uma população jovem e trabalhadora, capaz de alcançar o destino que merece”, disse, tendo solicitado aos habitantes da província a conjugação de esforços, entre governantes e governados, para o Cuanza-Sul atingir altos patamares de desenvolvimento.

Quanto à aposta do Governo Provincial, no mandato que se inicia, Job Capapinha reafirmou o compromisso de se continuar a trabalhar para garantir aos habitantes da província maior dignidade, o que passa pela conclusão das obras do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), com destaque para as de escolas, hospitais e outros serviços sociais básicos.

Outros desafios apontados pelo governador da província têm a ver com o relançamento da produção agro-pecuária, a melhoria da rede sanitária e humanização dos serviços de Saúde, da Educação, alargamento e melhoria dos sistemas de abastecimento de água potável nas comunidades e de energia eléctrica e não só, bem como fomento do processo de formação técnico-profissional dos jovens, visando a redução do desemprego.

Por ocasião das celebrações dos 105 anos desde a fundação do Cuanza-Sul, o governador Job Capapinha apelou aos filhos e habitantes da província no sentido de terem espírito empreendedor, mas também patriótico, para serem alcançados níveis aceitáveis de convivência harmoniosa. "Por ocasião dos 105 anos de existência da província do Cuanza-Sul, apelo a todos os habitantes desta parcela do território nacional a colaborarem e contribuírem nas várias tarefas de desenvolvimento da região e a denunciarem os fora da Lei”, frisou, para quem a melhoria dos serviços públicos e privados deve contar com o apoio de todos.

Turismo e lazer

Em termos de infra-estruturas, a província do Cuanza-Sul conta com 18 unidades hoteleiras e 350 empreendimentos turísticos, que acolhem vários turistas nacionais e estrangeiros. 

Segundo o responsável da Hotelaria e Turismo no Cuanza-Sul, Francisco Ventura, o sector procura dinamizar-se, apesar dos condicionalismos inerentes às questões financeiras. "Estamos a observar um avanço significativo, com a dinamização dos aldeamentos turísticos, pensões e hospedarias, que disponibilizam 13.699 alojamentos, restauração e similares”, frisou, tendo adiantado que decorre um trabalho de mapeamento, para se aferir o número real de equipamentos que possam garantir estadia condigna.

Francisco Ernesto Ventura disse que a província tem muitas atracções turísticas, mas, devido à falta de investimentos, algumas estão em estado de abandono.

"Algumas intervenções são notórias e alguns investimentos começam a resultar, como é o caso da zona turística de Lupupa Lodge, na Fazenda Kungo Agrícola, situada a 15 quilómetros da cidade do Wako-Kungo, no município da Cela", sublinhou Francisco Ernestro, acrescentando que a antiga Estação da Direcção da Agricultura e Florestas, desde 1950, a actual Fazenda Kungo Agrícola, implantada numa área de 120 hectares, dispõe de seis bungalows, quatro suites com SPA, mini-ginásio, hidromassagem, restaurantes, sala de conferências, uma piscina e outras áreas não menos importantes.

Deu a conhecer que o Cuanza-Sul conta, também, com a Fazenda Cabuta, situada a 25 quilómetros da sede municipal do Libolo, como área que turistas nacionais e estrangeiros mais visitam. "A Fazenda Cabuta, além de ser um gigante na produção, torrefacção, processamento e comercialização de café a nível da província e do país, oferece também condições de comodidade".

Na área de Hotelaria e Turismo, "podemos encontrar na Fazenda Cabuta excelentes condições de hospedagem, num total de 53 suites, entre as quais uma suite master e outra presidencial". 

A par das potencialidades nos sectores da Agricultura, Minas e Indústria, a  província tem outras atracções turísticas, com destaque para as  Cachoeiras do Binga, a foz do rio Keve, as praias do Porto Amboim, as  águas termais de Tocota, a Catanda, o Porto do Condo - uma região que servia de travessia, na época colonial, entre os povos do Sul e os do Norte  de Angola, sobretudo aqueles que eram contratados para trabalhar em áreas de cafezais e diamantíferas.
 
População aguarda por dias melhores

Cidadãos de vários estratos sociais aguardam por dias melhores, com a entrada em funções do novo Governo, resultante das Eleições Gerais de 2022.

César Gomes disse à nossa reportagem que a província do Cuanza-Sul ocupa um lugar de destaque, por isso deve ser contemplada com programas e projectos que visam melhorar o saneamento básico, projectos de habitações sociais, melhoria do sistema de saúde, qualidade do ensino e de outros sectores.

Domingos Luciano Manuel é outro cidadão que considerou que a província necessita de mais atenção do Governo, sobretudo nos aspectos ligados à melhoria dos serviços dos principais sector nas comunidades.

Rita da Cunha, munícipe do Sumbe, é de opinião que a principal tarefa do novo Governo passa pela conclusão das obras de requalificação da cidade, que, no seu entender, é um dos grandes constrangimentos que a província enfrenta. "As obras começaram, faz tempo, mas até ao momento o seu término está longe de acontecer, por isso pedimos que se façam esforços para a conclusão, e que a cidade do Sumbe volte a ser o cartão de visita da província”.

Wilson Vicente considera que a província do Cuanza-Sul tem tudo para dar certo, mas falta-lhe programas estruturantes para o seu desenvolvimento. Para ele, a saída dos problemas passa pela conjugação de esforços entre governantes e governados, sobretudo nas matérias ligadas ao saneamento do meio, asfaltagem das ruas da cidade do Sumbe e outras sedes municipais da província.

Iveth Fernando é outra cidadã que fez ouvir a sua voz, iniciando por fazer uma caracterização da província, como sendo o espaço territorial de Angola com histórias marcantes na senda da luta de libertação nacional, mas que carece de muitos investimentos. "A nossa província tem escrito o seu nome nos anais da história da luta de libertação nacional, pois foi aqui que se travaram heróicas batalhas que foram determinantes para o alcance da Independência Nacional”, frisou, tendo apelado ao Governo para conferir mais dignidade à população, com mais investimentos, saneamento do meio, fomento habitacional e outros projectos que venham dar empregos à juventude.

Comissários e governadores

Desde a Independência de Angola, em 1975, governaram a província do Cuanza-Sul cinco comissários e igual número de governadores provinciais, sendo Gaspar da Conceição, Paulo de Dokui de Castro, Armando Fandamo Dembo, Francisco José Ramos da Cruz e Aurélio Segunda, que encerrou a fase dos comissários, mas sendo reconduzido como  governador da província. 

 Na sequência, em 1992, Francisco José Ramos da Cruz voltou a governar a província, substituído depois por Higino Carneiro, em 2001, este por Serafim do Prado, que deu lugar ao general Eusébio de Brito Teixeira, mas tarde substituído pelo actual governador, Job Pedro Castelo Capapinha.



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