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Governo da Somália anuncia eleições dentro de dois meses

O chefe da diplomacia da Somália anunciou, ontem, numa reunião com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi alcançado um “acordo de princípio” para realização de “eleições inclusivas, credíveis, livres e justas” no país num prazo não superior a 60 dias, isto um dia depois de John Mahama ter visto aceite o seu pedido para abandonar o cargo de enviado especial da União Africana para o país.

01/06/2021  Última atualização 05H45
Acordo entre todos os estados da Somália abre caminho para a realização de eleções gerais © Fotografia por: DR
"Chegámos agora a um acordo que levará a Somália a eleições inclusivas, credíveis, livres e justas”, disse Mohamed Abdirizak, numa reunião por videoconferência com o Conselho de Segurança da ONU, na qual vincou, segundo a AFP, que "as três principais questões que faltavam completar o acordo foram discutidas e acordadas em princípio”.
O representante da Somália não avançou, no entanto, uma data para a realização de eleições no país, cujos líderes estão desde sábado em negociações sobre as próximas eleições presidenciais e parlamentares.

A 25 de Abril, a capital somali, Mogadíscio, foi palco de confrontos entre apoiantes militares e opositores da prorrogação de dois anos de mandato do Presidente, Mohamed Abdullahi Mohamed, conhecido como Farmajo, uma resolução que acabou por ser rejeitada a 28 de Abril, após pressão da oposição e da comunidade internacional.
A prorrogação, votada pela Câmara do Povo - câmara baixa do Parlamento somali - a 12 de Abril e assinada pelo Presidente no dia seguinte, violou o acordo de 17 de Setembro de 2020.

Este documento estabelecia um roteiro para eleições que deveriam ter sido realizadas em Fevereiro, mas foram adiadas duas vezes desde Dezembro de 2020 devido a desacordos políticos. Por fim, a 1 de Maio, Farmajo pediu aos deputados para rejeitarem a lei e aprovarem o acordo de Setembro de 2020 para a realização de eleições.


 Mahama deixa cargo

Entretanto, o ex-Presidente ghanense John Dramani Ma-hama recuou na aceitação do cargo de enviado especial da União Africana (UA) para a Somália, de acordo com um comunicado emitido ontem pelo seu gabinete.
Numa declaração, assinada pela sua assistente especial, Joyce Bawa Mogtari, o antigo líder ghanense agradeceu à UA pela confiança demonstrada para com ele, observando que a alta importância política da missão proposta exigia que o "alto representante beneficie do apoio e cooperação sem falha de todos os intervenientes políticos”.

Na sua carta enviada ao presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat, John Mahama advertiu que "a falta de apoio do governo federal poderia comprometer todo o processo e trair as expectativas do mundo inteiro, com a esperança de trazer a paz a esta terra estimada que é a Somália”.

A decisão de John Mahama surgiu numa altura em que já se previa a assinatura de um acordo entre o Governo da So-
mália e os líderes dos diferentes estados para a realização de eleições num prazo de dois meses, onde deixou claras as suas "impressões digitais”.

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