Economia

Governo anuncia três mil milhões de dólares em poupança adicional

O Governo constitui, este ano, uma poupança adicional de três mil milhões de dólares com ajustamentos adoptados em reacção à degradação da perspectiva económica global, de acordo com um documento oficial divulgado ontem no site da Unidade de Gestão da Dívida (UGD), um serviço afecto ao Ministério das Finanças.

06/05/2020  Última atualização 19H00
Contreiras Pipa | Edições Novembro © Fotografia por: Director do Unidade de Gstão da Dívida, Walter Pacheco

“A resposta de Angola à deterioração da perspectiva económica global”, como se intitula o documento, aponta como ajustamentos a revisão orçamental do preço do barril para menos de 35 dólares e o dos diamantes para 100,3 dólares por quilate, a projecção de descida da produção de petróleo para 1,36 milhões de barris por dia e uma política monetária conservadora para limitar o efeito da queda de preço do crude nas reservas internacionais.
A reforma administrativa que, em Março, reduziu o número de ministérios de 28 para 21 e a fusão ou eliminação de agências do Estado consideradas não essenciais, incluem-se entre os ajustamentos que resultam nessa poupança.
A UGD também anuncia, no quadro desses esforços, “cortes orçamentais significativos, monetização de activos do Fundo Soberano de Angola, venda de activos seleccionados e emissão de títulos de dívida locais para a Agência Nacional de Seguros, representando, em termos agregados, poupanças adicionais de três mil milhões de dólares durante o resto de 2020”.
O documento nota que a deterioração das perspectivas económicas mundiais causada pela pandemia da Covid-19, associada ao choque da oferta de petróleo e à queda de preços das matérias-primas “colocaram pressões adicionais” à economia e às finanças públicas, dando lugar a que as principais agências de notação de crédito baixassem a classificação de risco do país.
A Fitch Ratings desceu, em 6 de Março, a nota de Angola de “B” para “B-” com perspectiva estável, o que é justificado com o impacto da descida da produção e preços do petróleo e depreciação cambial mais acentuada do que o esperado, o que aumentou os níveis da dívida pública.
A Standard & Poor’s baixou, a 26 de Março, a classificação de risco da dívida soberana a médio e longo prazo de Angola de “B-“ para “CCC+” com perspectiva estável, mantendo o risco de curto prazo em “B”, o que é explicado com preocupações quanto ao alcance da consolidação fiscal e aumento dos níveis de dívida pública angolana.
A Moody’s colocou a nota B3 em revisão, para avaliar a credibilidade dos planos e reformas, bem como a capacidade do Governo para mitigar o impacto da recente queda dos preços do petróleo na economia nacional. A Unidade de Gestão da Dívida declara que o Governo continua “totalmente comprometido” com a agenda reformista que está a implementar com o Fundo Monetário Internacional, para fortalecer a estabilidade económica e financeira do país.

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