Cultura

Governador de Luanda reassume promessa na valorização da dikanza

Analtino Santos

Jornalista

Malé Malamba, Fontinhas e Zé Fininho, a título póstumo, figuram entre os vinte e sete distinguidos como Guardiões da Dikanza, no Festival da Dikanza, realizado no domingo, no Marco Histórico do Cazenga, enquadrado na edição Especial -Centenário do Festival Nacional de Cultura (FENACULT).

22/11/2022  Última atualização 08H44
Governador Manuel Homem (ao centro) mostrou os seus bons dotes executantes de dikanza © Fotografia por: Armando Costa | Edições Novembro

Os representantes dos guardiões da dikanza receberam das mãos de Manuel Homem, governador da província de Luanda, o certificado, tendo o governante, na ocasião, reassumido o compromisso na valorização deste instrumento e a aposta na dinamização artística e manifestações culturais, declarações feitas no passado 1 de Outubro, no Parque da Independência, em Luanda, nas festividades do Dia Mundial da Música.

Com iniciativas como esta, Manuel Homem pretende fortalecer os traços identitários angolanos e continuar a homenagear aqueles que fizeram e tudo fazem para os conservar.

O governante assistiu o concerto, na companhia de Manuel Gonçalves, vice-governador para a Área Social, Zeca Moreno, presidente da União da Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores , Tatiana Mbuta, directora provincial da Cultura, Juventude e Turismo e demais convidados, tendo o anfitrião Tomás Bica, a preocupação de colocar o Cazenga no roteiro cultural do país.

Joreg Mulumba, coordenador do "Tuxike O Dikaza”, co-organizador do evento, em parceria com o Governo Provincial de Luanda, fez uma retrospectiva do projecto, que iniciou em Janeiro do ano passado. Fez referência ao trio constituído por José de Fontes Pereira "Malé Malamba”, Euclides de Fontes Pereira "Fontinhas” e José Domingos "Zé Fininho” como principais mentores e personagens que motivaram a criação deste movimento de resgate dos instrumentos endógenos, pois como defendeu "a Dikanza é o primeiro de muitos”.

Foram distinguidos ainda: Adolfo Coelho, Pakito, Novato dos Corvos, António Pascoal do Anazanga, Augusto Chacaya, Mestre Kituxi, Raul Tollingas, Didi da Mãe Preta, Bonga, Massoxi, Nelo dos Jovens do Hungu, Lito Graça, Jorge Mulumba, Lutuima, Tony do Hungu, Zeca Jacó dos Águias Reais, Toni do Fumo, Zeca Piloto, Fabião, Bibas, 07, Lolito, Cláudia Andrade e Flochélsia Mulumba.

O evento ficou marcado pelo atraso, mas a espera foi compensada com o concerto de uma orquestra de dikanza com os principais executantes da actualidade. Num concerto onde os dikanzistas comandaram o conjunto com ngomas e a guitarra de Kintino, Patrícia Faria, Gersy Pegado, Dom Caetano, Massoxi e Tony do Fumo Filho fizeram vibrar aos presentes ao proporcionarem momentos onde as vozes combinaram com os ritmos percussivos.

Patrícia Faria fez dançar e cantar o governador de Luanda em "Ula Upé”, enquanto Toni do Fumo reviveu o pai e fez vibrar a plateia. Já Gersy Pegado recordou David Zé e Carlos Burity em "Kadicazé” e "Tona Caxi”. Massoxi apresentou temas do seu disco, enquanto Dom Caetano, dentre outros, destacou-se em "Messené” e recordou a dikanza que Malé Malamba ofereceu ao Papa João Paulo II, em 1992.

Raul Tollingas e Didi da Mãe Preta actualmente são os dois grandes guardiões em actividade. Cláudia e Filochélsia Mulumba são duas dikanzistas que servem como referência para as outras mulheres.

O projecto "Tuxike O Dikanza” existe fruto do dinamismo de Jorge Mulumba, sendo a materialização de uma ideia que estava no papel e hoje permite dar mais valorização a um dos instrumentos de referência da música angolana. Palestras, concertos, aulas de execução e fabrico do instrumentos têm sido realizados ao longo do tempo de existência do projecto.

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