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Golpe de Estado na República da Guiné

O Presidente da Guiné-Conakry, Alpha Condé, foi, ontem, detido em Conacri, na sequência de um Golpe de Estado, liderado pelo chefe das Forças Especiais, Ma-mady Doumbouya, que terá contado com a cumplicidade dos seus homens.

06/09/2021  Última atualização 08H03
Momentos de tensão nas ruas de Conacri na sequência do golpe de Estado ocorrido ontem © Fotografia por: DR
Num vídeo posto a circular nas redes sociais, pode ver-se Alpha Condé sentado numa cadeira, de camisa aberta e descalço, rodeado por militares armados, deixando perceber que estava impedido de se movimentar e que teria sido apanhado de surpresa.

No vídeo podia ainda ouvir-se uma pessoa a perguntar ao Presidente se ele havia sido agredido, não se ouvindo qualquer resposta.

Às oito horas da manhã local, a France Press citava residentes de Conacri que diziam que tiros de armas automáticas foram ouvidos no Centro da capital e que muitos soldados eram visíveis nas ruas.  Nenhuma explicação foi inicialmente disponibilizada sobre as razões para esta tensão na península de Kaloum, no Centro de Conacri, onde estão localizadas a Presidência, instituições e escritórios comerciais. As autoridades não falaram sobre esta situação.


No início da tarde, Mamady Doumbouya pôs a circular nas redes sociais uma declaração onde assumia que estava a liderar a situação, garantindo que tudo estava "sob controlo”. Na mesma declaração, o líder do golpe anunciava que a situação política e económica do país, bem como a inoperatividade  das instituições republicanas e a instrumentalização da Justiça "levaram as forças armadas a assumirem as suas responsabilidades para com o povo”.

Mamady Doumbouya anunciava a dissolução do Parlamento, Constituição,  Governo e o encerramento das fronteiras.
Antigo legionário integrado nas Forças Armadas Francesas, Mamady Doumbouya criou as Forças Especiais da Guiné, com as quais conseguiu uma independência face ao Exército Regular que lhe permitiu agora dar este Golpe de Estado sem que exista conhecimento de que tenha sido alvo de qualquer tipo de resistência.

Guterres e CEDEAO condenam o acto

O Secretário-Geral das Nações Unidas e a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenaram o acto  e exigi-ram a libertação do Presidente da Guiné.

Numa publicação no Twitter, António Guterres disse que está a seguir a situação na Guiné-Concari "de mui-to perto.
"CEDEAO exige respeito pela integridade física de Alpha Condé, a sua libertação imediata e sem condições, bem como de todas as personalidades detidas pelos militares", adianta a organização em comunicado .

A organização, dirigida atualmente pelo presidente do Gana, Nana Akufo Addo, manifestou "grande preocupação" com os "recentes desenvolvimentos políticos" em Conacri e condenou "firmemente" o que considerou uma "tentativa de golpe de Estado"


Guiné-Bissau reforça segurança na fronteira

A Guiné-Bissau reforçou as medidas de segurança na fronteira Leste e Sul com a Guiné-Conakri, depois de forças especiais daquele país terem afirmado que capturaram o Presidente, disseram ontem à Lusa fontes militares. Os batalhões dos aquartelamentos de Gabu (Leste), de Quebo e Buba (no Sul) receberam ordens do Estado-Maior das Forças Armadas no sentido de reforçarem as medidas de segurança nos postos de fronteira com a República da Guiné. Fontes do Governo disseram que Bissau "está a acompanhar o evoluir da situação" na Guiné-Conacri.

A Guiné-Conakri, país da África Ocidental que faz fronteira com a Guiné-Bissau e é um dos mais pobres do mundo e enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de Covid-19.

A candidatura do Presidente Alpha Condé a um terceiro mandato, considerado inconstitucional pela oposição, em 18 de Outubro de 2020, gerou meses de tensão que resultou em dezenas de mortes. A eleição foi precedida e seguida da detenção de dezenas de opositores.

Vários defensores dos direitos humanos criticam a tendência autoritária observada durante os últimos anos na Presidência de Condé e questionam as conquistas do início da sua governação.

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