Desporto

Girabola: Clássico pesa toneladas no título do campeonato

António Cristóvão

Jornalista

Com o Covid-19 a dominar a actualidade mundial, em todos os sectores, num cenário de completa incerteza quanto ao regresso à normalidade, o clássico dos clássicos do futebol angolano tem peso de toneladas, se for disputado, na decisão do título do Girabola.

29/03/2020  Última atualização 09H26
Vigas da Purificação| Edições Novembro © Fotografia por: Petrolíferos precisam de conquistar pelo menos um ponto para evitar depender dos rivais

Em risco de ficar sem efeito, caso a paralisação do campeonato ultrapasse os 30 dias, pelo facto de os plantéis estarem a observar um período de completa inactividade, o resultado da disputa entre o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, referente à 26ª jornada da segunda volta, pode ser a chave para o consagrar o próximo campeão nacional. Às ordens do espanhol Antonio Cosano, a formação petrolífera tem a vantagem de liderar a classificação, com 54 pontos, mais três que os militares orientados pelo bósnio Dragan Jovic, a quem a vitória é o único desfecho que permite continuar a depender apenas de si, na corrida ao inédito penta, conquista do quinto troféu de forma consecutiva.

O triunfo na primeira volta, por 2-0, coloca os tricolores na condição de parte forte, na abordagem feita com base no confronto directo, critério usado para o desempate, depois da realização das duas partidas. Bastará à formação do Catetão (Centro de Treinos Demóstenes de Almeida) empatar.
Já os rubro-negros estão obrigados a vencer, porque outro resultado cria um quadro de dependência do percurso a ser feito pelos arqui-rivais, até à última ronda da competição, pois será mantida a actual diferença pontual.
No entanto, a vitória, independentemente da margem de golos, coloca o 1º de Agosto com estrada livre, visto que deixará o Estádio Nacional 11 de Novembro com os mesmos 54 pontos do adversário. Na jornada seguinte, os tetra-campeões recebem o Recreativo do Libolo e, caso vença, chegam aos 57, ao passo que o Petro de Luanda folga, por força da desqualificação do 1º de Maio de Benguela.
Neste cenário, os pupilos de Jovic encaram as derradeiras três jornadas com gordura para queimar, pelo facto de precisarem de sete dos nove pontos, contrariamente à equipa de Cosano, obrigada a fazer o pleno, dependência que espera evitar.
Quando estiverem ambas com o mesmo número de partidas realizadas, as equipas vão cumprir o seguinte calendário: Recreativo do Libolo - Petro de Luanda e Académica do Lobito - 1º de Agosto (28ª joranda); Petro de Luanda - Académica do Lobito e 1º de Agosto - Sporting de Cabinda (29ª); Wiliete de Benguela - 1º de Agosto e Sporting de Cabinda - Petro de Luanda (30ª).
Salta à vista o facto de o título ser festejado fora da capital. Em Cabinda, se cair para o lado dos petrolíferos, e em Benguela, em caso de consagração dos militares. Os leões do norte, em risco de despromoção, também entram na equação, por cruzarem o caminho dos candidatos.

 

Paragem prolongada ameaça forma desportiva

A realização do jogo não depende só da normalização das condições para o regresso das competições. A forma desportiva dos atletas, de momento a cumprir programas de manutenção física, individual, em casa, é uma condicionante de peso.
Entrevistado pela Rádio 5, Artur Barros, vice-presidente para o Basquetebol do Petro de Luanda, especialista no treino desportivo, limitou o período de inactividade a um mês, o mesmo período que os plantéis precisarão para voltar a reunir condições para competição.
“A forma desportiva tem duração de três meses. No quadro actual, de completa inactividade, os jogadores terão de treinar durante 30 dias, numa espécie de pré-temporada, de modo a estarem aptos a regressar ao contexto competitivo. São remotas as hipóteses de conclusão da época, se a paragem for prolongada”, esclareceu.
À mesma estação, o médico João Mulima, director do Centro de Medicina Desportiva de Angola, foi mais incisivo: afastou qualquer cenário de retorno dos campeonatos, dado o risco de desfechos catastróficos, como eventuais mortes em campo.
“Não está posta de parte um desfecho trágico, caso a inactividade se arraste para lá do tempo inicialmente estipulado. Os atletas estão parados, apesar dos planos individuais que cumprem em casa. Jogar nessas condições pode terminar até em mortes, porque todo o indivíduo bem treinado resiste apenas entre cinco a sete dias de paragem. A solução é anular a época ou fazer uma preparação nunca inferior ao tempo de paragem”, advertiu.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Desporto