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Gestão do novo coronavírus divide deputados guineenses

A reunião da Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP) realizada na quinta-feira, para aprovação da ordem do dia e a marcação da data da Sessão Ordinária do próximo mês de Maio, foi inconclusiva devido à falta de consenso entre os membros das bancadas parlamentares que compõem o órgão.

21/04/2020  Última atualização 11H45
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À saída da reunião, Hélder Henrique Barros, porta-voz e membro da Comissão Permanente da ANP da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), informou que foram apresentadas algumas propostas ao presidente da ANP e depois de discutidas não chegaram a consenso relativamente ao primeiro ponto que tinha a ver com a definição da data da Sessão

Sessão Ordinária
Hélder Barros frisou que a sua bancada entendeu que o país está numa situação difícil, provocada pela pandemia, pelo que seria pertinente fazer um trabalho de base a nível da Comissão Permanente, marcando a sessão para Maio e se nãoforem reunidas as condições necessárias desconvocá-la, mas as outras bancadas opuseram-se à proposta e em consequência “não foi criada a Comissão para gestão dos fundos de apoio de combate à Covid-19, nem a marcação da sessão ordinária”.
Abdu Mané, membro da Comissão Permanente da ANP da bancada parlamentar do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM G-15), defendeu que face a pandemia, o Presidente da República exerceu as suas prerrogativas constitucionais, declarando o Estado de Emergência e, estando em curso não é oportuno ANP forjar a marcação da data da Sessão Ordinária.
Abdu Mané assegurou que a doença “é gravíssima, de maneira que as pessoas não podem brincar com as coisas sérias, sob pena de ser uma irresponsabilidade do Parlamento forjar a marcação da Sessão Ordinária”.
“ O Estado de Emergência cessa a 26 do mês, depois da avaliação da situação epidemiológica, se as condições forem favoráveis, não há nenhum problema em marcar a data”, sublinhou. O deputado do Partido de Renovação Social (PRS), João Alberto Djata, considerou,também, que o Governo já criou uma Comissão interministerial e se a Assembleia Nacional Popular quer participar na luta contra a Covid-19 deve procurar mecanismos para integrar a mesma.
O presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, propôs a criação de uma Comissão para angariar fundos e fiscalizar a prevenção e combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus no país.
“É urgente e prioritário encontrar uma solução consensual sobre a criação de uma Comissão de operacionalização, angariação de fundos e fiscalização da luta contra a Covid-19, que deve congregar todos os actores nacionais e parceiros internacionais”, afirmou Cipriano Cassamá, na abertura da reunião da Comissão Permanente do Parlamento. As bancadas parlamentares continuam, também, sem consenso sobre a gerência de 25 por cento dos salários dos deputados para apoiar os mais necessitados durante este período do coronavírus.

Voluntários solidários
Face à situação da Covid-19 no país, um grupo de voluntários pôs mãos à obra, distribuindo uma cesta básica às pessoas que estão a passar por dificuldades devido ao Estado de Emergência. Pelo menos, 400 famílias receberam produtos alimentares e sabão na primeira fase.
Muitas pessoas estão a passar fome no interior do país e nos bairros periféricos de Bissau, segundo activistas da sociedade civil, e o apoio do Estado tarda em chegar.
Por isso, um grupo de voluntários lançou a iniciativa “Tadja Fome”, que significa em português (Evitemos a Fome).
“Em duas semanas, os voluntários angariaram produtos alimentares suficientes para distribuir uma cesta básica às famílias mais necessitadas”, contou à imprensa o coordenador da iniciativa, Saturnino de Oliveira.

Novos equipamentos
A Organização Mundial de Saúde (OMS), reforçou o Centro de Operações de Emergência com equipamentos de comunicação. Os equipamentos, que vão permitir melhorar a comunicação com as direcções regionais de Saúde, foram entregues pelo representante da OMS em Bissau, Jean Marie Kipela, ao coordenador do Centro, Dionísio Cumba.
“Tivemos muita dificuldade a recolher todas as informações por causa da Internet e da Comunicação, que neste período é fundamental para o seguimento deste processo da Covid-19, explicou Dionísio Cumba, citado num comunicado da OMS divulgado à imprensa.
Jean Marie Kipela considerou que os equipamentos também vão permitir a aprendizagem pelos técnicos guineenses dos conteúdos que a OMS disponibiliza on-line sobre a Covid-19.

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