Cultura

Galeria do Semba quer criar nova dinâmica

Analtino Santos

Jornalista

A Galeria do Semba está a preparar a reabertura pública com uma nova dinâmica e contribuir para a elevação do estilo que os angolanos almejam o reconhecimento da UNESCO como Património Imaterial da Humanidade.

23/07/2022  Última atualização 09H15
Espaço de configuração museológica conserva a história do semba e dos seus protagonistas © Fotografia por: DR
Segundo o músico Dom Caetano, assessor e porta-voz, já existe uma preocupação com a realização de debates, palestras e colóquios que serão peças importantes para passar a informação à nova geração e não só, como parte de um processo inclusivo.

O porta-voz frisou que um dos assuntos fundamentais para a reabertura do espaço é a selecção e formação de guias para serviços administrativos, que vão passar a informação condigna durante o período de expediente, garantindo que estão a ser criadas condições técnicas para que o acervo fonográfico proporcione visitas virtuais guiadas e exposições itinerantes.

Dom Caetano avançou que estão a ser produzidos textos inéditos, uma vez que o trabalho de pesquisa é outro foco, tendo exemplificado a colaboração com o Egar Selecta, maestro que tem trabalhado na pautação de músicas angolanas.

Nesta nova fase, realçou, a visita efectuada há um mês por estudantes do Centro de Formação de Viana que receberam conhecimento sobre a música popular angolana e do semba, durante a qual fizeram demonstrações daquilo que sabiam sobre o semba. "Isto está dentro do nosso projecto que é o de potenciar as pessoas interessadas no conhecimento da música angolana. Vamos convidar entidades diplomáticas e trabalhar com os adidos culturais na produção de conteúdos para levar noutros espaços culturais”.

O músico destacou também o contributo do projecto de elevação do semba a Património Imaterial da Humanidade, pois como disse "temos trabalhado com o professor Edgar Seleka, que também colabora com o Instituto Nacional do Património. Queremos agregar ao dossiê do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente alguns subsídios técnicos, científicos e testemunhos  para a sua aprovação e posteriormente o encaminhamento à UNESCO”.

Dom Caetano defende uma maior interacção com países que têm estilos já reconhecidos para beber das experiências dos mesmos, uma vez que já conseguiram este feito.

Quando as vozes divergentes justificou nos seguintes termos: "penso que a diversidade de ideias não pode ser entrave para não se avaliar aquilo que se tornou mais evidente ao longo dos 1970 anos. É verdade que algumas ideias preconceituosas também emperram, mas é verdade que os ritmos angolanos são muitos e ricos, como chianda, cabecinha, cacoxe e outros, mas se juntarmos todos chegaremos a conclusão que ao longo deste tempo o que mais se evidenciou desde os anos 1940 é mesmo o semba, da região kimbundu. Hoje a proposta é o semba e no futuro outros ritmos também podem ser propostos a sua elevação a Património Imaterial Nacional.

O porta-voz defendeu que na Galeria do Semba podemos encontrar outras nuances rítmicas, porque qualquer música feita por angolanos também contribui para o nosso mosaico cultural.

A Galeria do Semba é um espaço de configuração museológica que conserva a história deste estilo musical e dos seus protagonistas.

O espaço, que tem como directora Rosa Roque, foi inaugurada a 25 de Janeiro de 2020 e dois meses depois, em Março, teve de interromper as actividades pelas restrições impostas pela Covid-19.

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