Reportagem

Gabela transformada num pólo de atracção turística

Casimiro José| Sumbe

A cidade começa a ganhar novo fôlego e tornou-se num ponto de destino dos turistas nacionais e estrangeiros mercê de alguns investimentos feitos no quadro do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios

07/06/2022  Última atualização 06H50
Uma cidade encantadora mas a reclamar por mais intervenção no sentido de acolher todos os que a visitam em conforto © Fotografia por: Casimiro José | Edições Novembro | Gabela

Gabela, sede do município do Amboim, na província do Cuanza-Sul, celebrou, ontem, 60 anos da sua elevação à categoria de cidade.

A ascensão ocorreu a 6 de Junho de 1962, à luz do Decreto-Lei nº 3.254, por ordem de Venâncio Augusto Deslandes, durante a vigência do sistema colonial português.

A cidade da Gabela começa a ganhar novo fólego e já se tornou ponto de destino dos turistas nacionais e estrangeiros, fruto dos investimentos feitos pelo Executivo, no quadro do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) e de outras acções do Executivo.

Já são visíveis as transformações que a cidade da Gabela vai conhecendo, destacando-se o projecto "Cimento e Tinta”, que consiste na pintura dos edifícios públicos e residenciais, a requalificação de ruas, passeios e lancís, piscinas e o Jardim Municipal, entre outros.

As comemorações dos 60 anos da elevação da Gabela à categoria de cidade estão a ser marcadas com a realização da II edição da Feira do Café, que junta no mesmo espaço os produtores e comerciantes do bago vermelho, bem como o estabelecimento de parcerias.

Durante a feira estão a ser debatidos temas como oportunidades oferecidas com a produção e comercialização do café, bem como os entraves que ainda persistem no mercado nacional e internacional. No programa comemorativo para assinalar os 60 anos da cidade da Gabela estão, igualmente, inscritas actividades de índole desportiva e cultural, destacando-se a realização da corrida de motorizadas e o concurso "Miss Gabela”, para a eleição da mulher mais bela da localidade.

 

Nova imagem

A cidade da Gabela vai-se transformando num ponto de atracção turística e de negócios, fruto dos investimentos que estão a ser desenvolvidos, disse, ao Jornal de Angola, o administrador municipal do Amboim.

Eliseu Miranda garantiu que as autoridades administrativas do município estão a trabalhar no sentido de resgatar a imagem condigna da cidade da Gabela. "A cidade da Gabela foi, no passado, um lugar de atracção turística e de negócios, além de ter albergado algumas direcções provinciais, fruto das suas infra-estruturas”, disse.

Assinalou que os efeitos do conflito armado deixaram a cidade com problemas de devastação do seu manto florestal, que deve ser reposto com programas de repovoamento florestal.

De acordo com o administrador municipal do Amboim, "o balanço registado até aqui é considerado positivo e a comemoração da sua elevação à categoria de cidade serve como momento de reflexão”.

 

Gabela mais moderna

O administrador municipal do Amboim, Eliseu Segunda Miranda, disse ao Jornal de Angola que o sector social constitui uma das prioridades para o presente e o futuro, com acções que vão incidir no melhoramento das ruas do casco urbano da cidade, mobilizar os habitantes sobre a necessidade de mudar a imagem velha para nova, através de um conjunto de acções, destacando-se a pintura de edifícios, tanto públicos, como residenciais. "Já identificamos os grandes problemas que estão a criar embaraços no ordenamento da cidade da Gabela, sobretudo dos edifícios degradados que, mesmo sendo pertença das pessoas, não fazem a manutenção requerida. Por isso, estamos a implementar o projecto Cimento e Tinta”, frisou.

Outra aposta da administração, segundo Eliseu Miranda,  para os próximos tempos, é da atracção de investidores para o sector da Indústria Transformadora. "Já elaboramos projectos e remetidos às estruturas centrais e potenciais investidores, que consistem na implantação de indústrias transformadoras, uma vez que a nossa região é potencialmente agrícola”, disse, para quem as forças incidem na qualidade da corrente eléctrica que a cidade consome, proveniente da barragem de Cambambe.

No capítulo do abastecimento de água potável, o administrador Eliseu Segunda Miranda considerou de preocupante, salientando que o sistema actual foi construído para as necessidades da época do passado e com um número reduzido de habitantes que, comparado com a população actual, ultrapassa a sua capacidade instalada. "Nós temos concebido um projecto ambicioso que aguarda pela aprovação das estruturas centrais, que consiste na construção de um sistema de abastecimento de água potável com capacidade para atender um universo de 120 mil habitantes”, frisou.

 

Hotelaria

De acordo com Eliseu Segunda Miranda, a rede hoteleira da cidade da Gabela necessita de maior impulso, tendo em conta a sua localização geográfica e considerou que deve haver maiores investimentos no sector. "Temos um défice em termos de hotéis e a cidade da Gabela precisa crescer mais neste domínio, porque as potencialidades turísticas da região, aliado ao seu clima húmido, pode atrair mais turistas nos próximos tempos. Por isso, estamos abertos para os que queiram investir no sector de Hotelaria e Tu-rismo na cidade da Gabela”, garantiu.

 

Cultura e Turismo

A Cultura na região do Amboim é rica em várias manifestações. As danças da região são o cangondó,rebita, quimbuelela e merengue.

Possui locais de atracção turística, destacando-se as águas termais do Assango e das Salinas, pedras do Béu, Kipupa, Hamba, Zambla, Cateco de cima e Inguiço, quedas do Adão, a piscina da Gabela, jardim central da cidade, barragem da Cadá, Cruzeiro do Santo António, a Estação Experimental do Café, as Sepulturas da Regedoria da Capanga e as paisagens das Salinas.

 

História

De acordo com dados extraídos do Boletim Oficial de Angola, a actual cidade da Gabela foi palco de duras batalhas travadas entre as forças ocupacionistas contra os nativos, tendo no final os colonialistas portugueses se instalado na região, a 28 de Agosto de 1907. Em 1934, Gabela passou, sucessivamente, de circunscrição civil para Concelho de 3ª classe e povoação da Gabela à categoria de Vila.

Em 1917, a actual cidade da Gabela foi a capital da Capitania-Mor do Amboim. Naquela época, a cidade da Gabela foi-se desenvolvendo com a implantação de infra-estruturas administrativas, até atingir a categoria de cidade. Porém, desde a instalação dos portugueses na região do Amboim são passados 112 anos, data que no passado recente era comemorado como data da cidade.

A origem do nome provém de "Nguebela” que, na língua local significa refúgio ou esconderijo, que, tendo sido aportuguesado, passou a chamar-se de Gabela, no-me que é tratado até aos nossos dias.

A cidade da Gabela é a sede do município do Amboim que tem uma superfície de 1.027 quilómetros quadrados, conta com uma população estimada 264 mil e 168 habitantes e a divisão administrativa corresponde a duas comunas, sendo a sede e a do Assango, com três áreas administrativas, nomeadamente, Salinas, Honga e Boa Entrada (CADA). 

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