Economia

Fundo Soberano no capital de mineradora australiana

A companhia mineira Rare Earths anunciou ontem que o Fundo Soberano de Angola (FSDEA) passou a deter 4,8 por cento das acções através de um investimento de dois milhões de dólares na empresa, para financiar um projecto em Longonjo, no Huambo, onde em Abril do ano passado foi anunciada a descoberta de jazidas de terras raras.

12/03/2020  Última atualização 18H59
DR © Fotografia por: Projecto Longonjo, de exploração de terras raras no Huambo, vai beneficiar do investimento

“A Pensana Rare Earths anuncia com agrado que angariou mais de dois milhões de dólares do Fundo Soberano de Angola que gere uma parte da nossa carteira de investimentos, distribuída entre vários sectores e classes de activos, incluindo o sector mineiro”, lê-se no comunicado distribuído em West Perth pela companhia mineira australiana.
“Quando for completado o negócio, o Fundo será um investidor estratégico na companhia, detendo aproximadamente 4,8 por cento das acções após o aumento de capital da companhia”, acrescenta-se no texto, ex-plicando que “os fundos agora angariados vão ser usados para lançar o Estudo Definitivo de Viabilidade do projecto Longonjo”.
Trata-se de “um grande projecto mineiro a ser desenvolvido em Angola há bastante tempo; está a ser pensado para ser um dos maiores fornecedores de metais magnéticos fundamentais para a transição energética, esperando-se uma forte procura para os veículos eléctricos e dos produtores de turbinas eólicas ao largo da costa”, disse o presidente da empresa, Paul Atherley, citado no comunicado.
“Vai providenciar empregos e um estímulo econó-mico numa altura em que o Governo de Angola está activamente a procurar atrair investimento externo para diversificar a economia”, acrescentou.
“A Pensana Rare Earths e o Projeto Longonjo têm potencial para gerar lucros sustentáveis de longo prazo para An-
gola e para o povo angolano”, disse o presidente do Fundo, Carlos Alberto Lopes, também citado no comunicado.

Ouro do século XXI
Em Abril do ano passado, foi noticiado que um projecto de prospecção de minerais no município de Longonjo, no Huambo, que durou cerca de dois anos, permitiu identificar 23 mil milhões de toneladas de metais valiosos, conhecido por terras raras.
O projecto mineiro, cuja exploração estava prevista para este ano, foi feito em parceria entre a empresa angolana Ferrangol e a australiana Pensana, indicou o director administrativo da Ozango Minerais (empresa resultante da parceria), Timothy George, que não adiantou números sobre o investimento nem o valor dos metais em causa.
Segundo Timothy George, citado pela Angop, a jazida tem perto de 2,5 quilómetros de diâmetro de chaminé, tendo sido efectuados, na fase de prospecção, mais de 200 furos de sondagem da superfície a uma profundidade de 35 metros, numa malha de prospecção de 500/700 metros.
Os equipamentos para a fase de exploração, que decorrerá num período de 10 a 20 anos, serão montados em 2021, acrescentou, sublinhando que a empresa está a efectuar prospecções de terras raras, que produzem um íman de grande durabilidade que pode ser utilizado para motores de carros eléctricos e turbinas eólicas, bem como para uso militar ou hospitalar, entre outros.
Timothy George disse estarem em curso trabalhos de sondagem, amostragem, mi-neralogia, testes metalúrgicos, estimação de recurso mineral, engenharia de projecto, avaliação da mina a céu aberto, estudos de custos e avaliação de impacto ambiental e social, além da consulta à comunidade local.
Consideradas “o ouro do século XXI”, pela sua raridade e valor económico, as terras raras são metais que servem de matéria-prima essencial para itens de alta tecnologia. Localizá-los com o grau de pureza e concentração necessárias é uma tarefa difícil, razão pela qual são tidos como raros.
Entre as características de maior destaque estão a condução de calor e electricidade, além de se tratar de estruturas que são altamente magnetizáveis.
São minérios que garantem características únicas a diversos tipos de ligas metálicas, como os iPhones, carros híbridos e lasers. O consumo desses minerais chega a 150 mil toneladas por ano.

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