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Formado novo Governo após mais de um ano de espera

A Presidência do Líbano anunciou, ontem, a formação de um novo Governo, após 13 meses marcados por intermináveis negociações políticas que agravaram uma crise económica com a qual o país se debate há dois anos.

11/09/2021  Última atualização 08H55
Chefe de Estado libanês (à direita), recebeu o Primeiro-Ministro no Palácio Presidencial © Fotografia por: DR
O Presidente Michel Aoun e o Primeiro-Ministro designado, Najib Mikati, "assinaram o decreto para formar o novo Governo na presença do presidente do Parlamento, Nabih Berri”, disse a Presidência na rede social Twitter.
A nova equipa inclui personalidades apolíticas, algumas das quais gozam de boa reputação, como Firas Abiad, director do hospital público Rafic Hariri, que lidera a luta contra o novo coronavírus.

O Executivo de 24 ministros deve realizar a sua primeira reunião na segunda-feira, indicou o secretário-geral do Conselho de Ministros, Mahmud Makiyye.
O Líbano está com um Governo interino desde que o Primeiro-Ministro Hassan Diab se demitiu a 10 de Agosto de 2020, seis dias depois da catastrófica explosão no porto de Beirute, que causou mais de 200 mortos, milhares de feridos e destruiu bairros inteiros da capital libanesa.

Desde então, a crise económica sem precedentes que o país atravessa,  desde o Verão de 2019, tem continuado a piorar e foi considerada pelo Banco Mundial como uma das piores do mundo desde 1850.

Com uma inflação galopante e despedimentos em massa, 78 por cento da população libanesa vive,  actualmente,  abaixo da linha da pobreza, segundo a ONU.

Além da queda livre da moeda local, de restrições bancárias inéditas, diminuição de subsídios, falta de combustível e de medicamentos, os libaneses enfrentam há vários meses cortes de energia, que já atingiram as 22 horas diárias.

O novo Governo tem numerosos desafios à sua espera, nomeadamente a conclusão de um acordo com o Fundo Monetário Internacional, cujas negociações estão suspensas desde Julho de 2020.Para a comunidade internacional, este é um passo essencial para tirar o Líbano da crise e desbloquear ajuda substancial.

Há mais de um ano que a comunidade internacional condicionou a ajuda ao Líbano à formação de um Governo capaz de combater a corrupção e realizar reformas significativas. Foi fornecida apenas ajuda humanitária de urgência na sequência da explosão em Beirute, sem passar pelas instituições oficiais.

No final de Julho, Aoun encarregou Najib Mikati, antigo Primeiro-Ministro e um dos homens mais ricos do país, de formar um novo Governo após o fracasso dos seus dois antecessores.

O antigo Primeiro-Ministro,  Saad Hariri,  desistiu em meados de Julho,  após nove meses de negociações difíceis. Antes dele o embaixador Mustafa Adib só tinha resistido cerca de um mês.


 Bruxelas pede aplicação de reformas

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, saudou, ontem, o anúncio do acordo para formar um Governo no Líbano e apelou às autoridades para aplicarem as reformas planeadas.

"Saúdo o anúncio feito pelo Presidente Michel Aoun e pelo Primeiro-Ministro Najib Mikati, que assinaram o decreto para formar o novo Governo no Líbano”, escreveu o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa na sua conta na rede social Twitter.

Para Borrell, chegou o "momento-chave” para enfrentar as actuais crises económica, financeira e social, bem como para "implementar as reformas que deveriam ter-se realizado há muito tempo” e ainda para preparar as eleições de 2022.

Há cerca de um mês, a União Europeia (UE) aprovou o quadro legal que lhe permitirá sancionar pessoas ou entidades que obstruam este processo político ou a chegada das reformas.

Durante uma visita ao Líbano, em Junho passado, Borrell condicionou a ajuda financeira ao país à concretização de reformas e à formação de um Executivo, à semelhança do que fez grande parte da comunidade internacional.  O novo Primeiro-Ministro do Líbano prometeu começar a trabalhar para controlar a grave crise económica, assegurando que a suspensão das ajudas seria crítica para o Governo libanês.

Emocionado, Najib Mikati, um dos homens mais ricos do país, disse reconhecer a dor das mães libanesas que não conseguem alimentar os filhos ou encontrar uma aspirina para aliviar dores, bem como os alunos cujos pais não têm condições de enviá-los  para a escola.

"A situação é difícil, mas não impossível de lidar se cooperarmos”, defendeu Mikati no Palácio Presidencial, onde foi anunciada a formação do novo Governo. O novo Executivo enfrenta uma tarefa gigantesca que poucos acreditam poder ser superada, incluindo a realização de reformas extremamente necessárias.

Entre as primeiras tarefas estará o controle da insatisfação pública e das tensões resultantes da suspensão dos subsídios aos combustíveis esperados até ao final do mês.

As reservas em moeda estrangeira no Líbano estão perigosamente baixas e o banco central do país, muito dependente de importações, disse não ser mais capaz de apoiar o programa de subsídios de mais de cinco mil milhões de euros.

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