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Forças da SADC dizem ter abatido onze rebeldes

As forças militares conjuntas da SADC, em Cabo Delgado, anunciaram, quarta-feira (24), ter abatido onze insurgentes durante confrontos naquela província no Norte de Moçambique, na sequência de uma operação ofensiva

25/11/2021  Última atualização 09H35
Missão militar de países da África Austral prossegue ofensiva em território moçambicano © Fotografia por: DR
realizada na terça-feira que resultou na morte dos integrantes do grupo Al Sunnah wa Jama'ah (ASWJ), segundo um comunicado do Governo moçambicano citado pela Lusa.

Nove das 11 pessoas foram abatidas "numa troca de tiros” no distrito de Macomia, no centro de Cabo Delgado, enquanto outros dois foram mortos na área geral de Ninga, distrito de Nangade, no ex-tremo Norte da província, refere o comunicado.

No distrito de Nangade, que faz fronteira com a Tanzânia, "uma base foi capturada e posteriormente des-
truída”, acrescenta a nota. Entre os mortos, "estão dois comandantes operacionais terroristas do ASWJ: Rajabo Fiquir e Abu Quitali” e "nenhu-ma vítima foi registada do lado das forças conjuntas”.

Durante as operações, as forças aliadas de apoio a Moçambique confiscaram armas, entre as quais "lançadores RPG 7, metralhadoras PKM, fuzis AK47, granadas e dispositivos electrónicos, entre outras”.

Numa análise à situação militar, o comunicado refere que "as forças conjuntas continuam a dominar e a perseguir os insurgentes na área operacional, uma vez que neste momento estes se encontram desalojados das suas bases principais a Sul do rio Messalo”.

As forças que apoiam Moçambique "continuam a criar as condições necessárias para um regresso à vida normal na província de Cabo Delgado”, conclui a nota.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico. O conflito provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde Julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde Agosto de 2020.

  Assistência da União Europeia

O Conselho da União Europeia adoptou, sexta-feira, uma medida de assistência de 40 milhões de euros a Moçambique, de apoio às unidades militares moçambicanas formadas pela Missão de Formação da UE em Moçambique (EUTM Moçambique).

De acordo com um comunicado do Conselho citado pela Lusa, este apoio, concedido ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, e que complementa uma anterior assistência financeira de 4 milhões de euros, aprovada em Julho, para o equipamento mais urgentemente necessário, permitirá, também, às forças moçambicanas, conduzir operações de segurança na província de Cabo Delgado.

Esta instituição europeia, constituída pelos 27 Estados-membros, sublinha que "a prestação da assistência será sujeita à conformidade das unidades formadas pela EUTM das Forças Armadas moçambicanas com o direito internacional relevante, em particular os direitos humanos internacionais e o direito humanitário internacional, bem como com os instrumentos legais relevantes e as melhores práticas baseadas nas regras, normas e políticas internacionais e da UE na área do fornecimento de equipamento militar”.

"A medida de assistência cobrirá parte da duração do mandato da EUTM. Em 2021, serão fornecidos pacotes parciais de apoio às duas forças militares e a partir de 2022três companhias militares adicionais receberão apoio”, complementa o comunicado.

A primeira missão militar da UE em Moçambique, dedicada a treinar tropas para enfrentar a insurgência armada em Cabo Delgado, arrancou em 3 de Novembro com uma cerimónia oficial na Companhia de Fuzileiros Independente da Katembe, Maputo.

A missão de dois anos e que deverá contar com 140 militares formadores, responde ao pedido de ajuda do Governo moçambicano para preparação das suas tropas. O efectivo da missão não se envolverá em operações militares.

Num outro programa de apoio, a União Europeia (UE) entregou, ontem, 90 casas a famílias das vítimas do ciclone Idai, no distrito do Dondo, província de Sofala, centro de Moçambique. "Testemunhámos a entrega de 90 casas Tipo 1 evolutivas, construídas com base no financiamento dos parceiros, através do Mecanismo de Recuperação para Moçambique”, afirmou Osvaldo Machatine, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, citado pela Lusa. O governante avançou que a construção das casas resulta de uma contribuição financeira de 34,3 milhões de euros da UE para o mecanismo de recuperação. A iniciativa está a ser implementada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).



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