Política

FNLA quer descentralização dos serviços públicos para melhor gestão

A FNLA tem no manifesto eleitoral, num programa de governação para os próximos cinco anos, na súmula do projecto de sociedade, a importância da descentralização dos serviços políticos e administrativos para permitir o rápido desenvolvimento regional no país.

13/08/2022  Última atualização 07H05
Partido dos “irmãos” continua a caçar votos em diversas praças no país, sob liderança de Nimi a Simbi © Fotografia por: Edições Novembro

Dentro das linhas de força constantes do programa de campanha eleitoral, no âmbito das eleições de 24 Agosto, defende a importância de uma atenção especial na descentralização dos poderes para possibilitar melhorias no processo das autarquias locais e regionais, bem como garantir uma melhor gestão dos bens públicos no país.

A estratégia eleitoral do partido possibilita mudanças necessárias para o bem-estar da sociedade angolana, segundo o secretário-geral, Aguiar Laurindo, que passa também por prestar uma atenção especial da importância de se eleger os administradores locais por sufrágio universal directo, enquanto os regionais seriam eleitos por sufrágio universal indirecto por via dos Conselhos de Administradores locais.

Mas esclareceu que, no caso dos governadores, serão por indicação dos partidos políticos vencedores das Legislativas Locais e nomeados pelo Presidente da República, ressaltando que o programa de governação da FNLA promete adoptar, ainda, medidas de justiça social, a favor dos interesses da nação, com destaque para a descentralização dos cargos públicos a todos os níveis, excepto os cargos políticos como o de ministro, cuja ascensão deve obedecer aos critérios de competência e probidade moral.

Os demais cargos, segundo a linha de pensamento do partido no programa de governação até 2027, será por concurso público. Quanto ao Poder Judicial, defende a independência dos Tribunais Comuns, de Conta e Constitucional como defensores da democracia e dos direitos humanos.

Irmãos "caçam votos” em Viana

A FNLA continua firme na "caça ao voto” nos mercados e zonas periféricas da cidade de Luanda e demais províncias, para as Eleições Gerais de 24 de Agosto, com a intensificação de acções de campanha de mobilização de eleitores.

 Os brigadistas do partido dos "irmãos”, como os demais em todo o país, percorrem várias ruas dos municípios e distritos urbanos ao encontro dos eleitores, a quem pretendem apresentar a imagem do candidato a Presidente da República, bem como dar a conhecer a posição no boletim de voto.

Hoje os militantes da FNLA vão ao encontro dos potenciais eleitores na vila sede do município de Viana e amanhã deslocam-se ao distrito urbano do Sambizanga.

Ontem, os brigadistas intensificaram as acções de campanha de mobilização no distrito da Baia, Viana, onde apresentaram a imagem do candidato Nimi a Simbi, bem como a posição da FNLA no boletim de voto.

 Com essa campanha, o partido tem procurado cumprir uma agenda para dar a conhecer aos potenciais eleitores o programa de governação para o país, caso vença as eleições, segundo o secretário-geral da FNLA, Aguiar Laurindo.

 O trabalho da campanha, reafirmou, tem sido realizado um pouco por todas as províncias. Na quarta-feira, os militantes da FNLA organizaram uma actividade partidária de mobilização no mercado do Asa Branca.

 No quadro da intensificação das actividades de campanha, o presidente da FNLA, Nimi a Simbi, desloca-se no dia 17 à província do Huambo, seguindo depois para a Huíla.

Militantes exaltam fim da crise interna

Muitos militantes e simpatizantes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) exaltaram o fim da crise interna que o partido enfrentava, desde 2004, fase em que coexistiam alas que se hostilizavam, reduzindo significativamente a representatividade na Assembleia Nacional.

A ideia da reunificação foi promovida por Nimi a Simbi, depois de ser eleito no ano passado, o que permitiu a fusão das alas que existiam há cerca de 20 anos, sobretudo, as lideradas por Lucas Ngonda e Ngola Kabangu, como disseram ao Jornal de Angola os militantes e amigos do partido.

Nvulu Samuel, que militava na FNLA de Ngola Kabangu, no Uíge, filiou-se no partido com apenas 14 anos. Agora com 69 anos de idade disse ter o domínio da história do partido, acrescentando rever-se na actual liderança de Nimi a Simbi, pelo facto deste apostar na unidade, paz e reconciliação, rumo a uma FNLA mais coesa, forte e com um futuro desafiante.

"Nós estamos e estaremos unidos permanentemente, aquele que desejar ver a FNLA desunida, então deve abandonar o partido, porque de agora em diante a nossa missão é trabalhar, rejuvenescer o partido e conquistar vitórias”, disse. 

Mazikidi João Pedro, outro militante e membro permanente da delegação provincial da FNLA, no Uíge, que pertencia à ala de Lucas Ngonda, lembrou que as desavenças partiram desde 1975 e foram se alastrando.

"O nosso partido está organizado, coeso e afirmamos aqui que a FNLA não é do Lucas Ngonda ou do Ngola Kabangu. É o partido de todos que neste momento estão empenhados na mobilização de novos militantes para o reforço das fileiras”, disse.

Para o primeiro-secretário provincial da FNLA, Pinto Luvambo, a ideia do líder em unificar o partido é construtiva, pois em poucos meses da junção já se pode sentir algum efeito positivo.

"Já somos uma força política que conta com um crescimento. Há casamento de ideias, projectos e acções. Hoje todos nós partilhamos a mesma mesa inclinados pelo pensamento da futura governação de Angola. Convidamos a juventude a não baixar a guarda na mobilização de novos militantes”, reforçou.

No fim da jornada de trabalho no âmbito da campanha eleitoral, o presidente da FNLA exortou os militantes, simpatizantes e amigos do partido a primarem sempre pelo diálogo, compreensão, civismo e manterem "acesa a vela da paz, harmonia e esperança”.

Nimi a Simbi assegurou que, neste momento, as estruturas do partido estão unidas e fortes, depois de um longo e árduo trabalho de reunificação dos militantes que durante 20 anos estiveram desavindos. "Agora, de mãos dadas, o momento é de trabalhar para conquistar a vitória nas eleições de 24 de Agosto”, declarou.

Manuel Albano | Luanda e Valter Gomes | Uíge

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