Economia

FMI prevê recessão de 3,2% para as economias africanas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipa que as economias da África Subsaariana tenham uma recessão económica de 3,2 por cento, este ano, o que duplica a previsão feita em Abril, que estimava uma queda de 1,6 por cento no PIB.

25/06/2020  Última atualização 15H17
DR © Fotografia por: Impactos económicos e de saúde da pandemia da Covid-19 piora a situação do continente



De acordo com a actualização das Perspectivas Económicas Mundiais, divulgadas ontem em Washington, o FMI antevê que estas economias africanas tenham uma contracção do Produto Interno Bruto (PIB), devido aos impactos económicos e de saúde da pandemia da Covid-19.
Para os países produtores de petróleo, as previsões são ainda mais pessimistas e também agravam as estimativas de Abril. Assim, agora, o FMI espera uma quebra de 8,4 por cento, o que representa um agravamento de 0,8 pontos face à recessão de 7,6 por cento prevista há dois meses.
A actualização das previsões não apresenta novas estimativas para nenhum país africano lusófono, antecipando apenas as alterações para as maiores economias, como por exemplo o Brasil, que deve ter uma quebra no PIB na ordem dos 9,1 por cento, o que representa um agravamento de 3,8 pontos percentuais face ao inicialmente previsto.
A descida das previsões era já esperada, já que há um mês o director do Departamento Africano do FMI, Abebe Selassie, tinha dito que a realidade era pior do que as previsões.

“Esta é uma das alturas mais desafiantes e difíceis de sempre, para a economia e para as pessoas”, disse o responsável do FMI durante um 'webinar' organizado pelo Instituto Real de Assuntos Internacionais britânico, a Chatham House, em 20 de Maio.
“Quando nos juntámos para fazer as previsões (do relatório de Abril sobre a África Subsaariana), centrámo-nos no valor de 1,6 por cento para a contracção económica, o que significa uma redução per capita de 4 por cento. Nessa altura, esperávamos que as medidas de confinamento fossem limitadas a um trimestre e que depois haveria uma recuperação, mas vemos agora que a reabertura das economias e a recuperação está a ser mais lenta. Por isso, vamos rever a previsão de evolução da economia nas próximas semanas”, disse o director do Departamento Africano.

Para Selassie, “os riscos descendentes que foram identificados, quando foi feito o relatório, parecem estar a materializar-se, por isso a principal preocupação é que a perspectiva de evolução da economia tenha um quadro mais sombrio”. A nível mundial, o FMI prevê uma contracção de 4,9 por cento, o que é 1,9 pontos mais baixo do que a estimativa de Abril: “A pandemia da Covid-19 teve um impacto mais negativo na actividade económica no primeiro semestre do que tínhamos antecipado e a recuperação deverá ser mais gradual do que o que prevíamos”, argumentam os analistas do FMI.

Dívidas mundiais

As dívidas públicas mundiais devem registar um rácio de 101 por cento do PIB em 2020 e 2021 e os défices ficarão acima dos 14 por cento este ano, segundo as mesmas previsões. O FMI estima que as receitas dos Estados devam cair mais do que a produção dos países, 2,5 pontos percentuais do PIB abaixo, em média, do que em 2019, “reflectindo menores rendimentos pessoais e das empresas e o impacto no consumo privado”.
“A trajectória da dívida e dos défices está sujeita a grande incerteza e poderia resultar num cenário adverso se a actividade desapontar, devido a um ressurgimento de infecções ou se circunstâncias contingentes provenientes de grandes apoios à liquidez se materializarem quando as condições de financiamento apertarem”, alerta o FMI.

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