Economia

FMI: Executivo tem sido “muito prudente” nas contas públicas

O Governo angolano tem sido “muito prudente nas contas públicas e fez um esforço hercúleo no sentido de diminuir as despesas”, disse esta sexta-feira (29), em Luanda, o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI).

29/07/2021  Última atualização 21H13
© Fotografia por: DR

Marcos Souto que falava no "Angola Innovation Summit”, evento que decorre hoje e sexta-feira (29), de forma virtual, reconheceu que "infelizmente” as receitas sofreram também um impacto negativo devido aos efeitos da pandemia de Covid-19 e à forte dependência do petróleo.

O também economista considerou que a retoma da actividade não petrolífera tem acontecido a um ritmo lento do que seria desejável e apontou riscos significativos, apesar da melhoria do ambiente externo: níveis elevados da divida, volatilidade dos preços do petróleo, bem como a evolução da pandemia, em particular os feitos da nova variante Delta apesar do investimento na vacinação.

"Apoiamos integralmente, inclusive, se necessário em termos de espaço orçamental, o que as autoridades julgarem necessário para garantir a vacinação da sua população”, afirmou.

Por outro lado, o FMI alertou para a capacidade de endividamento "muito limitada” de Angola, sublinhando que qualquer iniciativa de financiamento deve ser vista "de forma muito cautelosa” e aplicada em projectos com retorno económico adequado.

 "Cada vez que há um choque nos preços do petróleo isso gera desafios enormes para as finanças públicas. Por isso, qualquer iniciativa no sentido de se obter linhas de financiamento para o Governo deve ser vista de forma muito cautelosa”, afirmou, apelando a que os recursos sejam aplicados para que tragam um retorno económico adequado.

O responsável do FMI reforçou que, quer se trate de emissão ou contratação de linha de financiamento tem de ser "muito cautelosa” considerando os níveis elevados da dívida.

Já que os recursos são efectivamente escassos, a escolha dos projectos deve ser feita de forma muito criteriosa, considerando todas as dificuldades, não apenas económicas, mas que dizem respeito à população angolana, realçou.

Marcos Souto saudou, também, o compromisso do Executivo angolano com as reformas estruturais "difíceis” e com a estabilização da economia, salientando que FMI e governo mantêm uma "relação muito construtiva”, embora nem sempre estejam de acordo.

Adiantou que a perspectiva macroeconómica é de melhoria, associada à subida do preço do petróleo, mas a médio prazo permanecem desafios devido ao grau de incerteza provocado pela Covid-19.

Inflação

Outro dos desafios, adiantou, é a elevada inflação, em torno dos 25%, que dificulta um crescimento económico sustentável, apesar da política monetária restritiva que tem sido conduzida pelo banco central angolano.

O potencial impacto negativo do aumento da taxa de juro decidido na última reunião do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola "está a ser monitorado”, afirmou.

"É um equilíbrio muito delicado. Por um lado, suportamos os esforços do banco central para ancorar as expectativas inflacionárias, mas não se deseja com isso que a atividade económica seja sufocada, daí a importância de continuar as reformas estruturais”, detalhou o responsável do FMI.

O FMI concluiu recentemente a 5.ª avaliação do programa económico de Angola, apoiado por um acordo estendido no âmbito do Programa de Financiamento Ampliado, o que permitiu mais um desembolso de cerca de 770 milhões de dólares.

 

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