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Florestas de Cazengo estão a ser devastadas

Garrido Fragoso

A devastação do pulmão florestal do morro do Binda, da floresta do Quilombo e das fosforeiras no Lucala, bem como a caducidade de árvores ornamentais plantadas na década dos anos 80, são apontadas por alguns habitantes de Cazengo como as principais causas do aumento da temperatura em Ndalatando, nos últimos anos.

29/11/2019  Última atualização 21H41
Marcelino Manuel | Edições Novembro | Ndalatando © Fotografia por: População é aconselhada a evitar o abate anárquico de árvores e a fazer o reflorestamento

O Jornal de Angola soube de fonte oficial que nos últimos cinco anos o Departamento Provincial do Ambiente e a Administração Municipal de Cazengo plantaram mais de três mil árvores de rápido crescimento, com o propósito de atenuar a situação, cuja maior parte delas foi destruída por alguns citadinos, antes de atingirem a fase adulta.
Estima-se que entre os anos 70 e 80 a cidade de Ndalatando tinha mais de 100 mil árvores, entre eucaliptos, cedros, pinheiros, acácias, palmeiras e outras, na sua maioria originárias da América do Sul e Ásia, com alturas que variam de cinco a 30 metros de comprimento.
Manuel Francisco, de 63 anos, morador da rua dos Voluntários, desde 1978, conta que nos anos 80 a cidade de Ndalatando tinha um verde “sem igual”, proporcionado por diversas árvores e jardins, o que permitiu, na altura, a existência de um clima fresco e agradável. “Actualmente as ruas com árvores e jardins dignos de realce são a avenida Doutor António Agostinho Neto e a rua das Palmeiras”.

Ilha de calor
O bio-pedagogo Yuri Manuel explica que a ilha de calor é um termo usado para se referir ao aumento da temperatura em áreas urbanas. Na sua opinião, isso acontece devido à falta de áreas verdes, excesso de construções, asfalto e poluição.
A forma mais eficaz de combater a ilha de calor, acrescentou, é o plantio de árvores, que ajudam a fornecer sombras.
De acordo com a Agência de Protecção Ambiental dos EUA, ainda segundo Yuri Manuel, uma área sombreada pode ser até sete graus mais fresca do que áreas expostas ao sol.
“Amenizando o calor, ameniza-se, também, a quantidade de energia gasta para a refrigeração de ambientes, o que, consequentemente, também diminui a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera”, rematou.
Yuri Manuel fez saber que as árvores realizam naturalmente um processo de evapotranspiração, tendo avançado que, durante este processo, elas libertam vapor de água na atmosfera, ajudando a refrescar naturalmente o ambiente.
O bio-pedagogo deu a conhecer que as árvores têm grande influência na manutenção do ar e podem limpar os poluentes atmosféricos.
Outro benefício oferecido pelas árvores é a purificação da água. Ao envolver o solo, as plantas funcionam como um filtro natural e retentor de águas. Quanto mais árvores presentes nas cidades, melhor é o escoamento de água durante as tempestades e mais limpo o recurso será.

Aquecimento global
O chefe de Departamento do Ambiente do Gabinete Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos Sólidos e Serviços Comunitários, Rui Sebastião, disse que o aumento da temperatura em Ndalatando e arredores resulta de um processo climático global, derivado da devastação das florestas, desertificação e queimadas.
Fez saber que nos últimos cinco anos as entidades governamentais do município de Cazengo procederam ao plantio de mais de três mil árvores, em diversas ruas e bairros da cidade de Ndalatando, mas, infelizmente, a maior parte delas foi vandalizada pela população, sem causa aparente.

Importância das árvores
O chefe de Departamento do Ambiente do Gabinete Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos Sólidos e Serviços Comunitários aponta a falta de conhecimento sobre a importância das árvores como factor fundamental da destruição e arranque das mesmas.
Revelou que a devastação do pulmão florestal do Morro do Binda, da Floresta do Quilombo e as Fosforeiras no Lucala aumentou nos últimos anos, por causa do custo de vida e pelo facto de a população encontrar nestas zonas condições propícias para o fabrico de carvão vegetal e corte de lenha.
Destacou que para a reversão do actual cenário, o Departamento do Ambiente desenvolve várias acções de moralização e sensibilização, através de palestras ligadas à educação ambiental, combate às práticas nocivas ao ambiente e criação de ambiente sadio.
Afirmou que neste momento o departamento que dirige tem em sua posse mais de mil mudas de plantas ornamentais para o repovoamento vegetal da cidade de Ndalatando e arredores.

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