Economia

Fitch agrava previsão de recessão para quatro por cento este ano no país

A consultora Fitch Solutions reviu hoje a estimativa de crescimento económico para Angola, agravando a previsão de recessão este ano de 2,3 para quatro por cento, e alertou que a propagação da covid-19 pode forçar novo confinamento.

22/07/2020  Última atualização 20H07
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"No seguimento de um desempenho abaixo do esperado dos indicadores do primeiro trimestre, revimos em baixa a nossa perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, de uma contracção de 2,3 por cento para uma queda de quatro por cento", lê-se no comentário à economia do país.

 Na análise, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas desta consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings escrevem que "o declínio da produção petrolífera vai influenciar fortemente a actividade económica, ao passo que a economia não petrolífera vai enfrentar fortes ventos contrários devido à pandemia de covid-19".

 Os analistas, aliás, alertam que apesar do "relativamente baixo número de infecções por covid-19, 705 até 21 de Julho, a taxa de infecção tem estado a aumentar mais depressa desde Junho e se esta tendência se mantiver, o Governo pode ser forçado a apertar as medidas de confinamento outra vez, o que levará a uma queda do PIB ainda mais acentuada este ano".

 Para além disto, apontam ainda, "se houve uma propagação mais acentuada do novo coronavírus para além do último trimestre deste ano, isso pode impedir a recuperação do consumo privado em 2021, potencialmente mantendo a economia em recessão, já que as exportações petrolíferas continuam a cair".

 Ainda assim, a expectativa actual apontam para uma recuperação da economia já no próximo ano, com uma expansão de 0,8 por cento, assente "numa modesta recuperação do consumo privado, mas a queda das exportações e o escasso crescimento do investimento vai manter o PIB real abaixo dos níveis de 2020 até 2023".

O sector petrolífero será o principal motivo da queda na actividade económica em 2020, mantendo Angola em recessão pelo quinto ano consecutivo, apontam os analistas, que antecipam uma queda de 7,8 por cento na produção em 2020, agravando a queda de 5,7 por cento registada no ano passado.

 As exportações vão cair 1,3 por cento em 2021, suavizando a queda de oito por cento este ano, mas os problemas mantêm-se: "Apesar de o consumo privado mais forte poder apoiar os lucros e, portanto, o investimento nos sectores relacionados com o consumo, no geral o ambiente operacional adverso (Angola está em 26º lugar do ranking de Risco Operacional de 48 países da África subsaariana), mantém o interesse dos investidores diminuto".

 Por outro lado, concluem os analistas, "o Governo deverá retomar a consolidação orçamental em 2021/2022 como parte do programa do Fundo Monetário Internacional, e isto deverá resultados em cortes no investimento público".

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