Sociedade

Fiscais no encalço das vendedoras para o uso da máscara facial

Mazarino da Cunha

Jornalista

Os fiscais do Mercado do 30, em Viana, estão, diariamente, no encalço das vendedoras para obrigá-las a usar a máscara facial, no quadro das medidas de protecção contra a pandemia da Covid-19.

21/01/2022  Última atualização 06H15
© Fotografia por: Vigas da Purificação| Edições Novembro
Numa ronda feita na quinta-feira pelo Jornal de Angola, para constatar o cumprimento das medidas de biossegurança por parte dos vendedores, foi possível observar a luta entre fiscais e vendedoras que não usavam a máscara facial, muitas delas por negligência.

À entrada do mercado registava-se um engarrafamento, poeira e aglomerado de jovens e adolescentes a oferecerem, aos gritos, serviços aos potenciais compradores.

Terças, quintas e sexta-feiras são os dias em que o mercado regista o maior movimento de visitantes, que pode chegar a 10 mil pessoas, além dos mais de seis mil vendedores fixos e móveis que circulam no interior do recinto.

Sofia Sorte, uma das poucas senhoras que usava a máscara, contou que várias vezes foi questionada pelas colegas do pavilhão sobre o constante uso da máscara facial: "Algum dia você viu o coranavírus e quem te falou que existe Covid-19 no Mercado do 30?", perguntaram.

Indignada com esse questionamento, Sofia Sorte, que vende cereais, passou a observá-las apenas, lamentando os riscos de possíveis contágios devido ao incumprimento das medidas de biossegurança.

Sofia Sorte manifestou preocupação pelo facto de muitas das suas colegas minimizarem a importância do uso da máscara facial durante a actividade mercantil e encorajou os agentes da administração a continuarem com o papel de fiscalizar e sensibilizar.

"Acho que as minhas colegas colocam em primeiro lugar a venda dos produtos do que a saúde delas e das suas famílias", frisou Sofia Sorte, que agradeceu a administração do mercado por ter colocado um posto de vacinação para as vendedoras.

Confrontada sobre as razões do não uso da máscara, uma das colegas de Sofia Sorte que questionam a existência ou não do novo coronavírus no Mercado do 30, respondeu que só compraria a máscara facial no final do dia, mas caso tivesse lucro.

António Kazola, motorista de um mini-autocarro, que fazia a rota Zango-Mercado do 30, disse que todos os passageiros que transporta são obrigados a apresentar o cartão de vacina e a usar correctamente a máscara, independentemente da idade.

"Fomos convidados, na semana passada, pela Comissão Multissectorial para a Prevenção e Combate à Covid-19 a sermos os primeiros fiscalizadores e sensibilizadores no cumprimento das medidas de biossegurança", salientou António Kazola.

Sensibilização vai continuar

A administradora para área social do Mercado do 30, Ariete Rogério, disse que não tem sido fácil fiscalizar o uso da máscara facial e o cumprimento do distanciamento físico entre as vendedoras, porque muitas minimizam a doença.

Apesar da resistência que os fiscais encontram, disse, vão continuar a sensibilizar, fiscalizar e garantir segurança sanitária para todos os frequentadores do Mercado do 30.

Com uma extensão de dois mil metros de comprimento e 950 de largura, o mercado recebe, aproximadamente 16.000 pessoas entre vendedores, compradores e prestadores de serviços que circulam dentro e fora do recinto. 


Vacinação

Em relação à adesão ao posto fixo de vacinação, instalado no interior do mercado, a administradora considerou positiva, garantindo que 90 por cento dos vendedores já foram vacinados, incluindo os filhos com idade elegível. 

O posto de vacina atende, em média, 1.500 pessoas entre vendedores, compradores e prestadores de serviços.
Carla Antónia, vendedora de cenoura, levou a filha de 13 anos para ser vacinada.

Animada pela organização encontrada no posto de vacinação e do profissionalismo dos técnicos de saúde, Carla Antónia contou que foi a filha que pediu para ser levada a um posto a fim de ser imunizada contra a Covid-19 e obter o certificado de vacinação.

Sem apresentar a sua identidade, a menina manifestou satisfação por ter apanhado a primeira dose da Pfizer e garantiu que vai sensibilizar as amigas a fazerem o mesmo. "Apanhar a vacina é rápido e também não dói como pensava antes", sublinhou.


Melhoria no acesso ao mercado

O troço que liga a Estrada Nacional 230 (Estrada de Catete) ao Mercado do 30 precisa de ser reparado, devido ao mau estado. A administradora para área social do Mercado do 30, Ariete Rogério, acredita que a reabilitação vai ser concretizada este ano. Ariete Rogério disse que tudo tem feito para que os utentes do Mercado do 30 tenham um espaço comercial digno, onde todos se sintam seguros e orgulhosos do trabalho que fazem no dia-a-dia.

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