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Financiamento de emergência de 67 milhões à Guiné Equatorial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um apoio de emergência de 67,38 milhões de dólares para apoiar a Guiné Equatorial a recuperar das ex-plosões em Bata e para robustecer o combate à pandemia.

20/09/2021  Última atualização 05H00
"A pandemia e as explosões em Bata infligiram graves danos à economia da Guiné Equatorial, enfraquecendo substancialmente a perspectiva de evolução económica, aumentaram as dificuldades económicas e financeiras, e afectaram severamente o rendimento de uma grande parte da população", lê-se na nota enviada à Lusa.
No texto, o FMI diz que "as autoridades estão empenhadas em tomar mais medidas, no âmbito do esforço em curso para lidar com os desafios referentes à governação e à corrupção que a Guiné Equatorial enfrenta".
O desembolso, equivalente a cerca de 57 milhões de euros, vai ajudar o país "às urgentes necessidades orçamentais e da balança de pagamentos que resultam da pandemia de Covid-19 e das explosões em Bata, em Março, e catalisar recursos externos adicionais, bem como aumentar as reservas junto da Comunidade Económica e Monetária da África Central", diz a instituição financeira multilateral.
A pandemia e as explosões aumentaram as necessidades externas de financiamento externo na balança de pagamentos em 625 milhões de dólares, que representa 5% do PIB neste e no próximo ano, indica o FMI, apontando que o Governo reagiu "de forma apropriada", aumentando a despesa em saúde, incluindo a compra de vacinas, e potenciando a assistência social.
Três fortes explosões, espaçadas em vários minutos, arrasaram vários edifícios do campo militar e numerosas casas dos bairros vizinhos a 7 de Março em Bata, a principal cidade continental da Guiné Equatorial, causando 107 mortes e 600 feridos.
Na cidade de Bata residem cerca de 800.000 dos cerca de 1,4 milhões de habitantes da província do litoral, rica em petróleo e gás, mas cuja maioria da população vive em situação de pobreza.

Terceira vaga
A Guiné Equatorial está a enfrentar a terceira vaga da Covid-19, devido ao aumento de casos na última semana, adiantou o director do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC).
"Não estamos livres de perigo, estamos na terceira vaga, com 43 países a representarem 73% de todos os membros a enfrentarem a terceira vaga, e um novo país foi adicionado desde a semana passada, que é a Guiné Equatorial, disse John Nkengasong, durante a conferência de imprensa semanal do África CDC, agência de saúde pública da União Africana.
Em resposta a questões da Lusa sobre o número baixo de casos reportado pelo país, o responsável vincou que o África CDC trabalha com os números que são enviados por cada país e não recolhe os dados no terreno.
"Trabalhamos com os nú-meros reportados pelos países. Portanto, isto é uma comparação com os sete dias anteriores, não é uma avaliação do número total", disse John Nkengasong, assinalando que, "mesmo que haja números baixos, o que conta é a comparação com a semana anterior".
"Nós não vamos aos países recolher os números, trabalhamos com os dados que os países nos enviam, e isso é o que todas as instituições internacionais de saúde fazem", salientou o responsável, quan-do questionado sobre a fiabilidade dos dados enviados por Malabo, que é questionada por várias Organizações Não-Governamentais.
De acordo com os últimos dados apresentados pelo África CDC, a Guiné Equatorial conta com 131 óbitos e 10.498 casos de infecção desde o início da pandemia.
Na conferência de imprensa, John Nkengasong deu conta de uma taxa de fatalidade em África na ordem dos 4,4% do total mundial e elencou que cinco países representam mais de 60% do total de casos de infecção no continente: África do Sul, Marrocos, Tunísia, Líbia e Etiópia.
Há também três países que mostram uma taxa de fatalidade acima de 5%, o Egipto, a Somália e o Sudão, mas há a registar uma descida na última semana face à semana anterior.
"Na última semana, houve 133 mil novos casos nos 55 países, o que mostra uma descida de 20% no número de infecções na última semana", disse John Nkengasong, vincando ainda que houve uma descida de 26% no número de mortes, que foi de cerca de 3.400, na última semana.

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