Opinião

“ Filhos da mãe”

Arsénio Chilala

No passado dia primeiro de Maio, além de se celebrar o Dia Internacional do Trabalhador, comemorou-se igualmente o Dia da Mãe.

08/05/2022  Última atualização 14H30
Não há pessoa alguma que não tenha nascido de uma mãe, o que, naturalmente, quer dizer que todo filho tem uma mãe biológica, mas nem toda mãe tem um filho biológico, pois sabemos que há mulheres que, não podendo gerar filhos, optam pela adopção. Contudo, essa condição não diminui o amor que estas mães sentem pelos filhos.

O amor de mãe é incondicional, é incomparável, é imensurável, enfim é, diríamos, divinal. Há uns anos, assisti a um filme indiano que marcou a minha posição de olhar para as mães. O enredo era sobre uma mulher muito pobre que, não tendo como sustentar os filhos, vendia o próprio sangue todas as semanas a um hospital privado, mas nada dizia aos filhos.

Sem qualquer pretensão de julgar quem quer que seja, tive conhecimento, a partir de testemunhas "oculares” de que durante a fuga do Huambo para Benguela, na guerra que se seguiu às eleições de 1992, houve mães que, apesar de estarem debilitadas, carregaram os filhos das que tinham ficado feridas ou que, infelizmente, tinham morrido. Umas houve que tiveram mesmo de amamentar essas crianças. E, inclusive, dizia-se, não sei se a brincar ou se era mbora mesmo verdade, que algumas mulheres  deram xuxa até aos próprios maridos, porque, segundo contavam, os homens estavam mais fracos do que as mulheres, durante aquela épica marcha comandada pelo não menos conhecido general Sukissa.

Como bem disse quando abri o parágrafo, só falei disso para exaltar o amor materno, nada a ver com criticar este ou aquele. Até porque já estamos em paz e o que passou, passou e já lá vai!

Toda mãe é um poço de amor e bondade. Nós os filhos é que, às vezes, nos portamos mal, sobretudo quando já somos grandes e temos lá cabocadinho de condições, achamos que já não precisamos da protecção das nossas velhas. É assim que aparecem vezes sem conta, histórias de filhos que largaram as mães que lhes pariram no Beiral só porque as caprichosas e mal humoradas das suas caras-metades não querem  ver as sogras por perto, ou ainda, aquelas histórias mais dramáticas em que uma filha acusa a progenitora de feiticeira e coisas desse género, só porque está desconseguir de fisgar um papóite mija-grosso.

Há uma canção na minha língua – umbundu - que diz "yoõ yove, inche ocitende, mpandula”, o que significa: ainda que tua mãe for demente, agradeça, pois foi ela que te deu a vida e te criou.

Mãe é mãe e, por isso, deve ser amada e respeitada, nem que seja para agradecer-lhe os sacrifícios que consentiu para sermos e estarmos. 

Conheço pessoas, algumas até amigas, cujas vidas tomaram rumos completamente desagradáveis depois que desprezaram suas mamãs. Dizem que quando uma mãe bate no seu ventre, dizendo "só se não fui eu que te nasci”,  mano, é melhor ajoelhar-se diante dela e pedir desculpas, caso contrário estás perdido.

Mas há, felizmente, muitos bons filhos que amam, cuidam e protegem as suas mães. Filhos que não trocam suas mães por nada desse mundo cada dia mais materialista e imediatista. E esses, sim, recebem a bênção, não apenas das mães, mas de Deus que tudo vê e pode.

Maio é para algumas crenças religiosas o mês dedicado a Maria, a Santa Virgem Mãe de Jesus, por isso, mal algum nos faria uma redobrada atenção às nossas mães, ainda que não sejam aquelas que nos nasceram.

Catê mais! 

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