Economia

Filda reforça a base económica por via do incentivo à produção

A Feira Internacional de Luanda (FILDA) "representa uma contribuição para a produção nacional e uma iniciativa, através da qual o Executivo angolano quer reforçar a base produtiva".

01/12/2021  Última atualização 09H55
© Fotografia por: VIGAS DA PURIFICACÃO | EDIÇÕES NOVEMBRO
A afirmação é do ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, para quem a feira é um espaço reservado de dimensão internacional que procura promover parcerias bem sucedidas capazes de gerar conectividade na produção nacional e parcerias de classe mundial.

Manuel Nunes Júnior presidiu a abertura da 36ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA) 2021, tendo destacado que o certame é um espaço em que os empresários nacionais e estrangeiros encontram oportunidades para expor os produtos e realizar negócios entre si.

"O nosso país tem produzido com sucesso, desde 2018 um grande programa de estabilidade macroeconómica, que tem permitido manter a dívida de Angola numa trajectória sustentável”, sublinhou.

Estabilidade cambial

Em relação ao mercado cambial, disse, foi introduzida uma taxa de câmbio mais flexível, que permitiu ajustar o valor da moeda nacional às condições do mercado e manter as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do país em níveis adequados.

"As transacções cambais de Angola tornaram-se mais seguras e flexíveis, não havendo por isso, quaisquer restrições nas transferências de dividendos para aqueles que investem no nosso país”, sublinhou Manuel Nunes Júnior, para quem o mercado cambial atingiu já o equilíbrio. O Programa de Estabilização Macroeconómica, levado a cabo pelo Executivo, desde Janeiro de 2018, garantiu o equilíbrio das contas orçamentais de Angola, que se mostravam deficitários nos anos anteriores, afirmou, ontem, ministro de Estado para a Coordenação Económica.

Na abertura da 36ª edição da Feira Internacional de Luanda, em representação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, Manuel Nunes Júnior revelou que, de 2015 a 2017, o país registou défices fiscais, superados após a entrada em funções do actual Executivo.

O ministro disse, por outro lado, que os saldos orçamentais se manifestaram positivos por um período de dois anos, isto de 2018 a 2019, tendo no ano seguinte, 2020, a trajectória dos saldos orçamentais positivos sido interrompida pela pandemia.

Manuel Nunes Júnior reiterou que as projecções mais recentes apontam para um saldo orçamental positivo no decurso do presente ano, motivo pelo qual a proposta do Orçamento Geral Do Estado (OGE) para 2022 apresenta igualmente um saldo orçamental positivo. Apontou, ainda, como medidas de estabilização da economia o facto do Executivo ter introduzido uma taxa de câmbio mais flexível, que permitiu ajustar o valor da moeda nacional às condições de mercados manter as reservas internacionais líquidas no país nos níveis adequados.

Segundo o governante, as transações cambiais de Angola tornaram-se mais seguras e previsíveis, tendo motivado a inexistência de restrições na transferência de dividendos dos investidores estrangeiros que operam no país.
Manuel Nunes Júnior afirmou que, de acordo com especialistas do Banco Nacional de Angola, o mercado cambial funciona de forma regular, por ter já atingido o nível de equilíbrio.

"A diferença entre a taxa de câmbio oficial e a prevalecente no mercado paralelo passou recentemente para menos de 10 por cento, quando em 2017 que era de 150”, disse.
Confiança internacional

O ministro de Estado para a coordenação Económica revelou, por outro lado, que a evolução da economia angolana mereceu sistemáticas avaliações positivas do Fundo Monetário Internacional.
Manuel Nunes Júnior destacou ainda a revisão em alta de risco da dívida soberana de Angola feita pela agência de dotação de risco, a Moodys.

Manuel Nunes Júnior considerou tratar-se de uma demonstração clara de confiança da comunidade financeira internacional nos programas de reformas implementados pelo Executivo.

"Estes factos são notáveis, e conferem maior credibilidade a economia nacional, pois terão certamente efeitos positivos na atracção de investimentos para o nosso país”, disse, defendendo que o país precisa de voltar a crescer, pois só com a retoma do crescimento económico será possível reduzir os níveis de desemprego hoje prevalecentes e aumentar os rendimentos da população e do seu bem-estar.

O governante reafirmou também, a vontade do Executivo angolano em minimizar os efeitos  do aumento dos preços dos produtos no mercado internacional, com as mais recentes medidas, como a isenção do pagamento de direitos aduaneiros para produtos de auto-consumo das populações e a redução do IVA de 14 para 7 por cento. Disse que a medida vai, igualmente, contribuir para a redução dos custos da produção e comercialização dos mesmos e terão efeitos positivos no seu preço, porquanto a solução para este problema está no aumento da produção nacional e na diversificação da economia.

"Angola é um país aberto ao mundo, e os empresários estão abertos para cooperar com estrangeiros possuidores de conhecimento e de tecnologia avançada. O Investimento privado estrangeiro é sempre benvindo a Angola”, referiu
."Piloto automático” da Biocom aumenta produção de açúcar

A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) lançou, este ano, o "piloto automático” que possibilitou maior eficiência na plantação de cana-de-açúcar, permitindo atingir, na presente safra, cerca de 120 mil toneladas de açúcar.

A informação foi prestada esta terça-feira, pelo gerente de comunicação e imagem da empresa, Gerri Vissapa, à margem da 36ª edição da Feira Internacional de Luanda, tendo destacado que com este investimento, a Biocom prevê atingir, no próximo ano, 130 mil toneladas de açúcar.

"Este ano, a nossa aposta consistiu em adquirir o piloto automático que acoplado a uma colhedora ou um plantador, aumenta a quantidade e qualidade da produção”, destacou. O "piloto automático” explicou, recebe sinais via satélite e com sensores de direcção percorrem trajectos pré-definidos no computador. O gestor assegurou que apesar das dificuldades provocadas pela crise pandémica, a empresa manteve os níveis de produção, tanto de açúcar como de etanol e álcool, tendo atingido as metas programadas para o presente exercício económico. "Tivemos que nos ajustar à realidade do mercado, sem perder o foco, mantendo os níveis de produção, o que contribui para que a empresa atendesse às necessidades do mercado, já que o açúcar é um dos produtos mais consumidos e que contribui para a dieta alimentar”, apontou.

Localizada no município de Cacuso, em Malanje, a Biocom, com mais de 3.400 trabalhadores, é a principal unidade agro-industrial do país, que se dedica à produção de açúcar, etanol e álcool, utilizando tecnologias inovadoras como suporte de desenvolvimento dos campos agrícolas, o que permite aumentar a produtividade. Empresários procuram

  Empresários procuram firmar novas parcerias estratégicas
A directora da Agência para a Internacionalização das Empresas italianas em Angola, Maria Elisabetta Merlino, disse esperar firmar parceria com empresas de vários sectores. Disse que a presença da agência visa facilitar os contactos entre as empresas participantes na Filda com italianos, além de desenvolver  e promover as relações comerciais
.
Por sua vez, o administrador da indústria Elimy Metal, Jó Kalout, um investimento egípcio, disse que participa pela primeira vez na Filda para mostrar o portfólio da empresa e atrair parceiros para a exportação dos produtos. Já o gestor da Pro Mayombe  Angostar, Nelson Ndjeke, empresa ligada à produção do café, declarou ser objectivo da firma criar parcerias com empresas ligadas ao ramo e angariar clientes, além da promoção dos produtos.  A Filda é um certame que procura promover parcerias bem-sucedidas, capazes de gerar o aumento da competitividade da produção nacional e  a criação de parcerias de classe mundial. A maior bolsa de negócios de Angola decorre até ao próximo sábado, na ZEE Luanda-Bengo.




Xavier António /
Roque Silva       
Adérito Veloso/
Kilssia Ferreira

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