Cultura

Festa do teatro encena peças sobre o percurso de Neto

Manuel Albano |

Jornalista

O espectáculo “Mansanga Mamã”, do grupo Madiwano, abre, hoje, às 19h00, a primeira edição do Festival de Artes Cénicas, denominado “Palco do Teatro”, que se prolonga até ao dia 1 de Dezembro, na Liga Africana, em Luanda.

24/11/2022  Última atualização 07H40
Festival de artes cénicas, em Luanda, promove espectáculos sobre a vida e obra do Poeta Maior © Fotografia por: DR

O festival está enquadrado na Edição Especial - Centenário do Festival Nacional da Cultura (FENACULT), para assinalar o centenário do nascimento do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, assinalado a 17 de Setembro deste ano.

"Mansanga Mamã”, que abre o festival, é um espectáculo sobre a história dos movimentos de libertação no país. De acordo com o encenador e autor do texto, MbandoNsingui, o espectáculo, com a duração de 45 minutos, é interpretado por quatro actores e narra a história dos três principais movimentos de libertação de Angola, o MPLA, FNLA e a  UNITA.

A história reflecte a importância dos movimentos de resistência no país, pelo conjunto de acções desenvolvidas na clandestinidade por um grupo de pessoas que defenderam o país, na luta contra a dominação colonial portuguesa. A peça, segundo o encenador, narra os esforços implementados pelo primeiro Presidente Agostinho Neto como um dos defensores dos indígenas, as atrocidades perpetradas pela opressão colonial.

Após a Independência, em 1975, o país, recorda Mbando Nsingui, foi assolado por uma guerra civil que se prolongou até 2002. Essa e outras inquietações são abordadas durante o espectáculo.

A peça, que foi exibida em Setembro deste ano, no âmbito do Circuito Internacional de Teatro (CIT), mostra em palco o desenrolar de várias acções no teatro das operações militares no território nacional.

Na perspectiva do encenador, a morte prematura do primeiro estadista angolano esteve na origem dos vários conflitos e desentendimentos entre "irmãos angolanos”. "A ideia foi criar uma peça de teatro que conseguisse retratar um pouco a história do conflito armado e as diferenças ideológicas entre os angolanos, que prejudicou o desenvolvimento social do país”.

Para a construção do texto dramático, disse, precisou de criar um enredo de conflitos, com base nas várias interpretações feitas sobre as ideologias de Agostinho Neto.

O grupo foi criado em 2003 e já exibiu mais de 20 peças, entre as quais "Bebé Gigante”, "Amor de Rosas”, "Maka no Alambamento” e "Vale Apenas Tentar”.

Sonhos de Rua

As ruas da cidade de Luanda registam inúmeros fenómenos sociais protagonizados por crianças, dos quais alguns vão ser retratados na peça de teatro "Sonhos de Rua”, do grupo Njila, também, hoje, às 20h00, no mesmo local. A peça narra a história de seis meninos que vivem nas ruas da cidade capital do país por vários motivos, entre os quais a fuga à paternidade, a acusação de feitiçaria e a invasão da privacidade.

O encenador do grupo, Valdemar Francisco, referiu que a mensagem da peça tem carácter crítico e pode contribuir para a erradicação de males sociais. No género trágico e comédia, o espectáculo tem a duração de uma hora, tendo como objectivo a tradução do fenómeno dos meninos de rua em Luanda.

O grupo Njila Teatro ostenta vários prémios nacionais, destacando-se o de Melhor Espectáculo em 2013, no Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca). Fundado a 17 de Setembro de 2009, o grupo é uma agremiação cultural vocacionada ao resgate dos valores socioculturais e musicais.

Para amanhã, no mesmo palco, às 19h00, o grupo Cartarcis exibe a peça de teatro "A Estátua- na primeira pessoa”, montada com base em revelações feitas sobre o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto. Entretanto, uma hora depois, entra em cena o grupo Calunga Teatro, que vai exibir o espectáculo "Rei sem Coroa”, que aborda em peça frustrações e conflitos interpessoais.

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