Cultura

Fernando Lucano expõe “Ritos e Ancestralidades”

Francisco Pedro

Jornalista

“Ritos e Ancestralidade - reciclar para a arte” é tema da quarta exposição individual do artista plástico Fernando Lucano, cuja inauguração acontece , amanhã, às 18 horas, na KAFUKOLO 5, no bairro da Coreia, em Luanda.

01/12/2022  Última atualização 09H35
Fernando Lucano mostra um conjunto de 21 máscaras feitas com material reciclado © Fotografia por: DR
A exposição junta 21 máscaras feitas com material reciclado (resíduos sólidos), madeira, plástico e metal, resultado de uma residência artística, promovida pela Kafukolo 5, produtora de conteúdos e segmentos sócio culturais.

Trata-se de uma exposição multidisciplinar, em que os motivos e fontes de inspiração estabelecem o contacto entre o mundo terrestre e o espiritual.

Para o gestor da Kafukolo 5, o actor e produtor Meirinho Mendes, as máscaras "contemporizam técnicas dos nossos antepassados, põem-nos em contacto entre o nós, eles - os antepassados - e aqueles que hão de vir, daí a razão do tema ou título, "Ritos e Ancestralidade - reciclar para a arte”.

Afirmou que, em "Ritos e Ancestralidade - reciclar para a arte”, a estética e técnica de Lucano  "obriga-nos a questionar a realidade do Mundo contemporâneo em que vivemos: "Que mundo queremos deixar para os nossos filhos? Um mundo de resíduos e humanos automatizados, cenário de Wall- E, ou vamos mudar os nossos hábitos, contrariando o ‘fast e o disposable’ ?”.

Na óptica de Meirinho Mendes, as obras, algumas tão leves, outras tão pesadas assemelham-se ao que a vida diária nos reserva diariamente, e "reconhecem a nossa sabedoria e agradecem a oportunidade que temos de inverter a situação. Cada um de nós nelas se retrata, pois, já conviveu muito de perto com aquele pedaço de ancestralidade, durante alguns minutos. Vê-se no outro... Nos outros! Somos os outros. Somos o que fazemos. Reinventamo-nos. Muito mais lentamente do que seria necessário.”.

No decorrer da cerimónia de inauguração, outras intervenções artísticas vão ser asseguradas uma peça de teatro com o actor Dionísio Caminha, um concerto intimista com o músico Hélder Mendes e uma perfomance, com Marisa Kingica.

Perfil do artista

Autodidacta, Fernando Lucano é natural de Luanda, 1989, começou a pintar na adolescência – no bairro da Chicala - , enquanto frequentava o ensino médio, em 2010, trabalhou no atelier da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), como auxiliar dos artistas Lino Damião e Nelo Teixeira.

Membro da Brigada Jovem dos Artistas Plásticos, dois anos depois, passou a trabalhar na plataforma E-stúdio Luanda, como auxiliar de Francisco Vidal e Nelo Teixeira, durante quatro anos, passando mais tarde como auxiliar do mestre António Ole, num período de cinco anos, época em que frequentava, também, o atelier da Sóbumba Chicala II, de Nelo Teixeira, onde produziu alguns trabalhos da sua autoria.

Em 2018, frequantou o atelier do Espaço Luanda Arte (De Beers), sendo auxiliar do artista francês Alexis Pexine. No ano seguinte, fez residência artística em Aquaville, durante 12 meses, produzindo vários trabalhos, seguindo para a Boanda, na embaixada de Portugal, em Luanda.

Frequentou vários cursos, participou em vários workshops na Fundação Arte e Cultura, sobre artes plásticas e reciclagem. Fez parte de 20 exposições colectivas, todas realizadas em Luanda. Individualmente, expôs "Dialogo e reflexão” (2018), na galeria Tamar Golan, "A Tradição do meu povo” (2018), no hotel HCTA, e no mesmo ano, "Entre a reciclagem”, na galeria Movart. 

"Recauchutando objectos das grandes metrópoles”

Uma leitura crítica de Jomo Fortunato, sobre a técnica e estética de Fernando Lucano, destaca os seguintes elementos: a valorização da reciclagem e das relações humanas entre o passado e o mundo actual.

 ‘"Ritos e ancestralidades- reciclar para a arte’ é a montagem estética do aparentemente dispensável, criando mundos possíveis de interpretação do belo. Fernando Lucano estabelece uma estreita ligação e familiaridade com as propostas da arte ancestral africana, recauchutando objectos de um quotidiano, visivelmente degradado das grandes metrópoles. Estamos em presença de uma relação dialógica entre passado e presente, augurando uma temporalidade infinita, de uma arte profundamente humanista”.

 

  "Recauchutando objectos das grandes metrópoles”

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