Cultura

Feitos do rei Ne Vita Nkanga são relembrados em palestra

Fernando Neto | Mbanza Kongo

Jornalista

Os feitos do rei do então reino do Kongo, Ne Vita Nkanga, morto em combate em 1665, na célebre batalha de Ambuíla, hoje Uíge, pelos portugueses, foram domingo (31) , ressaltados em Mbanza Kongo, durante uma palestra sobre “Vida e obra do rei Ne Vita Nkanga”.

01/11/2021  Última atualização 04H25
Encontro realizado no Uíge serviu para celebrar mais um aniversário da célebre batalha de Ambuíla © Fotografia por: Garcia Mayatoko | Edições Novembro | Mbanza Kongo
A palestra, realizada sob o lema "Honrar a memória dos antepassados é preservar a nossa identidade cultural”, ocorreu no anfiteatro do Governo Provincial do Uíge, e saudou o 356º aniversário da batalha de Ambuíla, contra a colonização portuguesa e definiu, com a morte do soberano, o declínio do reino do Kongo.

O orador convidado, Nangu Mpululu, disse que a participação do rei na batalha de Ambuíla é uma prova do espírito nacionalista e da vontade inabalável de manter unido o reino.


"Foram feitas várias tentativas de negociações para evitar a batalha, mas não houve acordo com os portugueses, porque estes queriam ficar com a ilha de Luanda, a zona sul do rio Dande (onde estavam  situadas as regiões do Ndongo, Kissama e Luanda), além de três mil negros, como pagamento pela morte de alguns dos seus homens. As exigências foram recusadas”, contou.

O também docente universitário lembrou ainda que a batalha de Ambuíla foi o primeiro grande confronto militar envolvendo o exército de Ntotela dya Kongo, munido apenas de catanas, flechas e paus, contra os portugueses.


A vice-governadora do Zaire para o sector Político, Económico e Social, Fernanda Sumbo Guerra, considerou a palestra oportuna para honrar e homenagear os antepassados que participaram na Batalha de Ambuíla, cuja bravura continuou até ao alcance da Independência Nacional. "É uma forma de chamar a atenção para a importância da batalha e os feitos dos valorosos guerrilheiros, cujo sacrifício e feitos devem continuar a ser divulgados às novas gerações”, disse.

Para a directora do gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos no Zaire, Nzuzi Wete Kadi, é fundamental intensificar o estudo sobre a história de Angola e de África, de forma a enaltecer os feitos e a coragem de quem lutou pela liberdade. "A história não se apaga. É preciso continuar a transmitir a identidade cultural às novas gerações, pelo facto de a maioria prestar pouca atenção às datas históricas importantes, como o 2 de Julho, dia da morte de Kimpa Vita, o 12 de Outubro, data da morte de Simão Kimbangu, ou o 29 de Outubro, altura da morte do rei Ne Vita Nkanga”, lembrou.

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