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Feitos do rei ne vita nkanga reflectidos em palestra

Os feitos do rei do então reino do Kongo, Ne Vita Nkanga, morto em combate em 1665, na célebre batalha de Ambuíla, actual província do Uíge, foram ressaltados esta semana, em Mbanza Kongo, durante uma palestra sob o lema “Honrar a memória dos nossos antepassados é preservar a nossa identidade cultural”.

31/10/2021  Última atualização 20H56
© Fotografia por: Garcia Mayatoko | Edições Novembro | Mbanza Congo

A palestra com o tema "Vida e obra do rei Ne Vita Nkanga”, também baptizado por rei António I, no anfiteatro do II edifício do governo provincial, visou celebrar o 356º aniversário da citada batalha que marcou a sua morte e a luta contra a colonização portuguesa que, definiu o declínio do reino do Kongo.

O especialista Nangu Mpululu disse que, a participação directa na batalha de Ambuila até ao último suspiro,  o rei Ne Vita Nkanga demonstrou o seu espírito nacionalista e a vontade inabalável de manter unido o reino, bem como manter o legado dos seus antepassados.

"Houve várias tentativas de negociações para evitar a batalha de Ambuíla, mas não houve acordo com os portugueses, porque estes exigiam a ilha de Luanda, onde retirava-se o Zimbu (moeda do reino do Kongo), a zona sul do rio Dande (onde situava-se as regiões do Ndongo, Kissama, Luanda), para além de três mil negros, como pagamento pela morte de alguns dos seus. Exigências que haviam sido recusadas pelo rei Ne Vita Nkanga, porque não ofereciam vantagens ao reino”, disse.

O também docente universitário lembrou ainda que o rei Ne Vita Nkanga tinha como missão principal proteger os interesses do seu povo contra os colonos e recuperar as terras espoliadas pelos portugueses, mas não foi bem sucedido, por causa da traição de alguns autóctones.

"A batalha de Ambuíla a 29 de Outubro de 1665, foi a primeira grande confrontação militar envolvendo o exército de Ntotela dia Kongo munido apenas de catanas, flechas e paus, contra os portugueses detentores de armas de fogo sofisticadas na altura”, explicou.

Após a destruição da primeira barreira militar, prosseguiu, "o rei que se encontrava na segunda lutou com a máxima força ao lado dos seus súbditos, mas por falta de meios militares proporcionais, acabou derrotado e  decapitado, cuja cabeça levada à Igreja Nossa Senhora da Nazaré, em Luanda, onde ficou exibida por algum tempo”, lembrou.

Na ocasião, a vice-governadora do Zaire para o Sector Político, Económico e Social, Fernanda Guerra, considerou a palestra como oportuna para honrar e homenagear os antepassados que participaram na Batalha de Ambuíla, cuja bravura continuou até ao alcance da Independência Nacional.

"Este exercício em alusão a Batalha de Ambuíla, visa divulgar a importância da referida luta empreendida pelo rei Ne Vita Nkanga e seus companheiros pela Independência dos angolanos, cujos sacrifícios e feitos devem continuar a ser divulgados para as novas gerações”, disse.

Já a directora do gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos no Zaire, Nzuzi Kadi defendeu a necessidade de se intensificar o estudo da história de Angola e de África, para enaltecer as lições de coragem e luta pela liberdade, paz e progresso social.

"A história não se apaga, mas estuda-se. As igrejas devem continuar a promover palestras e seminários para transmissão da nossa identidade cultural às novas gerações, porque presta-se pouca atenção a algumas datas históricas muito importantes, como o caso de dois de Julho, dia da morte de Kimpa Vita, o 12 de Outubro que assinala a morte de Simão Kimbangu e o 29 de Outubro, data da morte em combate do rei Ne Vita Nkanga”, sublinhou.

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