Opinião

Feitiço de Nabeul

Em busca de um trabalho com alguém da Selecção Nacional sénior masculina que disputa o Africano aqui nestas paragens, fui parar até a cidade de Nabeul, situada a cerca de 70 quilómetros a sudeste da capital Tunis, e a 12 km a nordeste de Hamamet, as duas urbes que acolhem os jogos da competição.

23/01/2020  Última atualização 06H44

Não sei porque razão os organizadores do Africano decidiram alojar algumas selecções tão distante dos palcos dos jogos. Mas, eu e o Vigas, o meu colega da imagem, lá fomos à procura de elementos para o nosso trabalho de reportagem. Apanhámos um mini-bus, tipo os nossos Hiaces, e metemo-nos na estrada.
Gozamos e tivemos o prazer de apreciar as paisagens que embelezam o percurso ate à localidade. À entrada, ainda a cerca de vinte quilómetros da cidade, deparamo-nos com uma vasta extensão de plantações de laranjeiras e uma outra planta, que desconhecíamos, mas viemos a saber chamar-se olea, e ficamos a perceber porque razão é que há muita laranja a “preço de igreja” em qualquer esquina do “Kilamba de Tunis”, bairro onde fixamos residência.
Postos na cidade de Nabeul, o nosso espanto e admiração tornaram-se maiores, porque a maioria, senão mesmo todas as ruas da cidade, está ornamentada com laranjeiras e oleas. Há tanta laranja que até parece capim.
Em todas as ruas onde passamos havia laranjas maduras nos paus e muitas no chão, e não vimos ninguém a apanhá-las. A maioria fica aí até apodrecerem, para certamente nascerem novas laranjeiras.
Também deve acontecer o mesmo com as oleas, uma planta que partilha as ruas da urbe com a laranjeira, mas que ainda não estavam em tempo de reprodução.
Mas Nabeul não tem só as laranjas, a espalhar o perfume pelas ruas, para mostrar. É muito linda e com praias que devem atrair, certamente, muitos turistas durante a época quente, pois tem uma vasta rede hoteleira e bairros com habitações, que mostra serem de gente endinheirada e muito bom gosto, tal a majestosidade delas. Destaco também a simpatia dos habitantes e a pacatez da cidade, que contraria o rebuliço e a azâfama da capital, sendo um destino que aconselho para quem visita a Tunísia.
Deparamo-nos com um parque de lazer muito bonito, que para os muangolês seria, certamente, o poiso ideal ou o “pombal do amor” para os casais de namorados, pela beleza e proximidade ao mar, que no entanto o nosso está votado ao abandono, para minha tristeza e do Vigas.
Mesmo assim, a confirmar, encontramos uns três casais de adolescentes, um a trocar beijinhos e promessas de fidelidade eterna num banco escondido por uns arbustos, e outros dois a brincarem nos baloiços e escorregas lá existentes. Até uma mesquita existe neste local paradisíaco. Nabeul enfeitiçou-me, e é pena que talvez já não consiga lá voltar.

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