Cultura

Feira do Livro do Porto foi “um grande sucesso”

A Feira do Livro do Porto, que terminou no domingo, tinha registado até à véspera mais de 155 mil visitantes, um recorde, disse à Lusa o programador Nuno Faria, que considerou o evento “um enorme sucesso”, também comercial.

14/09/2022  Última atualização 07H00
© Fotografia por: Dr

"Num balanço muito provisório, eu diria que a feira foi um enorme sucesso”, disse domingo à Lusa o coordenador da programação do certame, que valorizou não só o número de visitantes (155.489 no final de sábado), mas também a componente comercial da feira.

De acordo com o responsável, a feira foi tendo números de visitantes recorde durante os seus 17 dias, e mesmo com um dia por contabilizar (domingo), foram superados "os números do ano anterior e de anos anteriores”.

"A feira também teve sucesso comercial alargado, generalizado”, disse à Lusa, salvaguardando que os números finais terão de ser, mais tarde, confirmados "pelos próprios livreiros”, apesar das opiniões serem "muito claras nesse sentido”, referiu.

Nuno Faria concluiu também que "não houve nenhum retraimento” por parte dos clientes, mesmo num contexto de crise e inflação agravada, baseando-se em "várias opiniões de vários sectores livreiros” da feira, um sentimento "generalizado”.

"As pessoas, muito provavelmente, neste período, precisam também de outro tipo de estímulos e de inquietação espiritual”, reflectiu.

A feira decorreu "num momento chave, entre o Verão e o começo das aulas”, conjugando "um conjunto de factores que fizeram do evento não só muito popular, mas também muito harmonioso do ponto de vista de todos os interesses que estiveram em jogo”, disse Nuno Faria à Lusa.

Além da componente comercial, o programador observou que "as pessoas ficavam bastante tempo no recinto da feira” e "regressavam”, por também se tratar de "um festival cultural em articulação com uma feira”.

"O que distingue esta feira é isso. É ser uma feira ao lado de uma biblioteca, e também dentro de uma biblioteca”, incluindo "programação muito variada, entre conversas, lições, cinema, concertos de vários géneros, programação infanto-juvenil e outras actividades de exterior”.

Segundo o responsável, "a separação da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) tornou a feira menos estereotipada, com uma escala mais desta cidade, mas não menos cosmopolita, porque se viu gente de todos os lados”.

Sobre o facto de a Feira do Livro do Porto ter ocorrido ao mesmo tempo da de Lisboa, Nuno Faria disse que para a organização "não é benéfico nem prejudicial”, por se tratarem de "duas escalas diferentes, dois propósitos diferentes”.

"Para o programa literário também não é prejudicial, porque nós antecipámos muito os nossos convites, e acho que aí é possível sempre haver uma conciliação”, acrescentou.

Porém, para os livreiros, "sobretudo para os livreiros mais pequenos”, disse que a coincidência de agendas foi "bastante prejudicial”.

A Feira do Livro do Porto decorreu de 26 de Agosto a 12 deste mês, tendo contado com mais de 100 actividades conversas, lições, oficinas, concertos, filmes e actividades para bebés, crianças e jovens.

A programação homenageou os escritores Ana Luísa Amaral e Manuel Gusmão, dedicando uma atenção especial à literatura brasileira, para assinalar os 200 anos da Independência do país.

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