Opinião

Fazer muito com pouco para melhorar a vida das pessoas no Namibe

Aos poucos, o Namibe vai fazendo jus ao seu lema “Terra da felicidade”. O seu potencial turístico, que combina o mar, o sol e o deserto, está cada vez mais evidenciado com as infraestruturas sociais que vem recebendo nos últimos anos, concretamente, requalificação e asfaltagem das ruas,

08/05/2022  Última atualização 13H55

desde o casco urbano ao interior dos bairros periféricos, expandindo a zona urbana das cidades; iluminação pública; mais escolas e unidades hospitalares; aterros sanitários e outros equipamentos sociais construídos não apenas no âmbito do PIIM, principal impulsionador do Investimento Público da actualidade, mas através do esforço do governador provincial em captar patrocínios de parceiros sociais para projectos sociais na província, como é o caso da Escola Primaria Fundação BNI, patrocinado pelo Banco BNI, o apetrechamento do Centro de Formação Profissional do Bairro 5 de Abril, patrocinado pela Liga Nacional dos Amigos do 4 de Abril e as obras em curso da construção de 4 Escolas do Ensino Primário em Moçâmedes, patrocinadas pela Sonangol, só para citar alguns. É com esta vontade de melhorar a vida das pessoas que, sob sua liderança, o município de Camucuio foi o primeiro município do país a concluir as obras do PIIM e os demais todos com um nível de execução acima dos 90 por cento.

As estradas hoje são um factor essencial para sustentar o crescimento económico e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Foi com este propósito que o governador Archer Mangueira, no amplo processo de auscultação que levou a cabo no início do seu mandato, identificou como prioridade, para além das estradas de ligação entre os municípios, como Bibala-Camucuio e Moçâmedes-Virei, a requalificação dos arruamentos e melhoria das estradas das nossas cidades, desenvolvendo assim uma acção governativa que vai ao encontro dos anseios e principais preocupações dos namibenses.

 Há muito era clamado o asfalto no Saidy Mingas II, um bairro que nasceu da vontade dos munícipes de Moçâmedes em realizar o sonho da casa própria, mas que as infraestruturas tardavam em chegar; o bairro da Juventude que foi um dos primeiros projectos sociais destinados à juventude, mas cuja falta de infraestruturação com passeios e estradas asfaltadas não conferia a dignidade com que os jovens sempre sonharam; a necessidade urgente de infraestruturação dos bairros 5 de Abril e Valódia, que crescem vertiginosamente do dia para noite; o desgaste da vila do Tômbwa que clamava por uma intervenção para lhe devolver o charme que sempre lhe caracterizou, só para citar algumas.

Diante destas preocupações e num ambiente de forte aperto financeiro do nosso cenário macroeconómico, era preciso encontrar as melhores soluções que permitisse fazer muito com pouco.  E a solução encontrada para a asfaltar as ruas do Namibe foi o denominado Tratamento Superficial Duplo (TSD), que na verdade não é uma solução nova, só para termos uma ideia, no tempo colonial, todas as estradas da cidade de Moçâmedes e a maioria das estradas do País foram feitas, usando o TSD e resistiram até hoje e muitas delas ainda são dignas de elogios pela longevidade que as mesmas apresentam.

Infelizmente, para aqueles que não acreditavam que tudo isto seria

possível em tão pouco tempo, e andam desesperadamente a "profanar”, correndo a procura ou manutenção de um lugar na Assembleia Nacional, sem o mínimo de fair play, tentando agora semear a desinformação sobre o trabalho de asfaltagem em TSD que estão a conferir uma nova imagem as ruas das nossas cidades, que só não vê quem não quer ver.

Mas então o que é o TSD e qual a sua diferença com o Asfalto convencional, como por exemplo o Betão Betuminoso Usinado a Quente (BBUQ)?

O TSD é basicamente uma camada do revestimento constituída por duas aplicações de ligante asfáltico ou betuminoso e cada uma delas coberta por camada de agregado mineral (Britas) e submetida a compressão, é muito utilizado em vias urbanas e vias com pouco tráfego rodoviário, muito usado em países como o Brasil e a Namíbia.

Esta técnica oferece actualmente melhor relação custo/benefício no que se refere à reabilitação de pavimentos, melhorando as características de impermeabilização, rugosidade, antiderrapante e durabilidade da camada de desgaste, proporcionando uma camada de rolamento de pequena espessura, porém com alta resistência ao desgaste. Basicamente, esse tipo de pavimentação utiliza dois tipos de materiais, ou seja, emulsão ou ligante betuminoso e agregado mineral (Brita), por exemplo, aplicação de rega de Impregnação ou Emulsão Betuminosa MC30 ou rega de Colagem ECR-1 numa (Taxa de 1,0 Kg/m2) e agregados numa (Taxa entre 10 a 11 kg/m2).

Esse tipo de pavimentação não deve ser aplicado em dias com temperaturas ambiente inferiores a 10˚C, em dias chuvosos e dias com excesso de humidade, pois essas condições irão dificultar a ligação entre os ligantes betuminosos e os agregados minerais.

Em termos de tempo de execução (do TSD) podemos considerar como muito

rápida, uma vez que aplicação das matérias é feita diretamente na zona ou área a ser pavimentada, isso comparando por exemplo com o Betão betuminoso usinado a quente (BBUQ) que é preparado a altas temperaturas nas usinas/ centrais de produção de betão betuminoso e depois transportados ao local de aplicação por caminhões basculantes, ou seja processo esse de produção (BBUQ) que requer a utilização de grandes quantidades de combustível (gasóleo) e outros insumos, tanto no processo de fabricação como todo processo logístico de transporte do material em obra.

Em termos de custos entre esses dois processos (TSD e BBUQ) podemos considerar uma diferença de 8 a 10 vezes mais caro o método BBUQ em relação ao TSD, visto desse modo parece pouco, mas se considerarmos

grandes extensões de troços de estradas, logo chegaremos a conclusão que o TSD é muito mais económico. Por exemplo, a asfaltagem no modelo convencional custa a volta de 1.0 milhão de USD/ Km, enquanto que a opção TDS custa a volta de 80 mil dólares /km.

Caso para dizer que o Namibe conta com um Verdadeiro Gestor, que adotou na sua governação o princípio da racionalidade económica, visando a melhoria da vida das populações. É em tempo de crise que os grandes gestores se destacam com grandes realizações, fazendo muito com pouco, em prol da melhoria da vida das pessoas.

Sem prejuízo da fiscalização proactiva que todo cidadão deve fazer aos investimentos públicos, para que atempadamente sejam tomadas as devidas medidas correctivas, é importante termos em conta que, independentemente do promotor, as estradas e quaisquer outras infraestruturas públicas não têm partido político, elas servirão a todos nós, independentemente da nossa opção política. Por isso, com sentido de patriotismo, é preciso enaltecer e encorajar quem as faz, como forma de sensibilizarmos toda a sociedade para melhor conservação, evitando deste modo a onda de vandalismos aos bens públicos, que vem crescendo nos últimos tempos fruto do populismo de alguns actores políticos. Bem haja Governador Archer Mangueira! O Namibe está contigo.

* Economista

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