Opinião

Fazer acontecer, eis a questão

Li há algum tempo uma frase que dizia: “a água parada cria um pântano, a mente que não pensa cria um tolo”. Qualquer semelhança com a reflexão a que me proponho será mera coincidência, porém, na impossibilidade de encontrar o termo certo para caracterizar o que nos é dado a ver, no que tange à letargia da materialização de disposições, orientações ou recomendações, sobre questões transversais concorrentes à mitigação de factores que agravam a vida dos cidadãos, e até mesmo melhor desempenho de instituições públicas, é caso para se dizer que uma mente excessivamente teimosa, aproxima-se realmente a de um tolo ao quadrado, porque, além de não pensar, também não enxerga o óbvio que o circunda.

07/08/2019  Última atualização 07H53

De tão óbvio, e requerer acções práticas visando a retoma da produção, o Presidente da República, João Lourenço, na lógica de ver para crer, partilhou com os representantes do sector privado, tendo ouvido por cerca de duas horas, as (mesmas) preocupações, que emperram ou descompassam a cadência que procura imprimir ao sector real da economia e não só, para se que assista: menor intervenção do Estado na economia, financiamento da banca à economia em oposição à aquisição de títulos, simplificação do processo de atribuição de vistos a empresários, turistas e de trabalho, remoção de contróis (desnecessários) em localidades e estradas nacionais, interpelação de estrangeiros em aeroportos domésticos, financiamentos indexados ao dólar a taxas proibitivas, regularização da dívida (remanescente) interna, atribuição de licenças, alvarás, títulos de concessão de espaços e outras, celeridade na disponibilização de divisas para transacções externas, movimentação de contas em divisas e, por último, mas não menos importante, disponibilização aos empresários dos recursos já disponíveis destinados ao “aquecimento” económico, para gerar emprego, aumento de bens e serviços, para o atendimento da procura interna e exportação de excedentes, pressupostos sem os quais o crescimento e desenvolvimento económicos, objectivos centrais do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) e bandeira do actual Executivo, não passarão de mera intenção.
O Presidente da República não pode ficar indiferente às inquietações dos empresários e dos jovens, principalmente, que reclamam e denunciam a existência de mecanismos de bloqueio, potenciadores do quadro (ainda) pouco animador, caracterizado pelos seguintes indicadores de performance económica: excessiva dependência do petróleo em mais de 90% das exportações; Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – 0,56, posição 147 de 189 países; Taxa de Desemprego 28,8%; Taxa de inflação 19%; Dívida Externa mais de 69% do PIB; ambiente de negócios (Doing Business), posição 175 de 190 países; Corrupção sistémica com forte incidência no sector público; criminalidade - mais de 20 mil jovens detidos – segundo o MININT, com elevados custos para o Estado...!!!
A propósito da corrupção sistémica, e para que se possa aferir a pertinência do seu combate permanente, importa referir que, dados oficiais do Banco Mundial, indicam que África perde, anualmente, cerca 148 mil milhões de dólares, o equivalente a 25% do PIB do continente..!!! Qual será a quota parte de Angola?

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