Economia

Fazendas colhem mais de 10 mil toneladas de hortícolas e cereais por ano

Joaquim Suami

Jornalista

O grupo empresarial SANEP investiu, em 2016, nove milhões de dólares, para a aquisição de duas fazendas agro-industriais, nas províncias do Bengo e Cuanza-Sul, que na campanha agrícola do ano passado, atingiram uma safra de 11.870 toneladas de hortícolas e cereais.

19/09/2022  Última atualização 09H10
PCA da SANEP, Luís M. Troso © Fotografia por: DR

As unidades agro-industriais, com uma área global de 750 hectares,  foram adquiridas com o financiamento do Aviso 10, do Pro-

grama de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), que visa acelerar o crescimento da economia do país, para a promoção do bem-estar da população.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração do grupo SANEP, Luís Manuel Troso, a fazenda do Bengo, vocacionada para o fomento de hortícolas, cereais, fruteiras, citrinos, melancias, mamão, banana e outras culturas agrícolas, é a principal unidade que abastece o mercado de Luanda, com produtos diversos.

Segundo o gestor, para o aumento da produção de cereais, a SANEP está a ins-

talar, na província da Huíla, no município da Caconda, uma fazenda, de 1.500 hectares, com aquisição do complexo de silos, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), que visa reduzir a intervenção do Estado na economia e promover o fomento do empresarial nacional.

 

Criação de suínos

Por outro lado, referiu que para a fazenda localizada no município do Waco-Congo, província do Cuanza-Sul, está preparada para o fomento de cereais, com o objectivo de assegurar a produção de suínos e aves.

Segundo avançou, neste momento, está a ser concluída uma nave, com capacidade para criação de 3.700 porcos por ano.

"A partir do próximo ano, contamos colocar no mercado nacional, aproximadamente, três mil suínos e seus derivados, 25 mil frangos e 1.000 bovinos, em parceria com a fazenda Tchimbolelo”, assegurou.

Lembrou que a SANEP distribui por ano, em todo o país, mais de 20 mil toneladas de fertilizantes e 5 mil toneladas de sementes diversas, com destaque para os cereais, para dinamização do fomento da actividade pecuária em Angola.

 

Produção de tomate

De acordo com Luís Troso, os investimentos da SANEP vão ascender para os 20 milhões de dólares, com a aquisição de duas fábricas de transformação, nas províncias do Bengo e Namibe, num investimento de 1.105 mil milhões de kwanzas, no quadro do Programa de Privatizações (PROPRIV), com a capacidade de produção de 40 toneladas de tomate fresco/dia, e vão assegurar 400 empregos directos.

Disse que para garantir a operacionalidade das duas fábricas, a SANEP vai investir mais de 4.890 milhões de dólares, para que possam estar ao serviço da Nação.

"Com a entrada em produção das fábricas do Bengo e do Namibe, iremos precisar de 120 toneladas de tomate fresco/dia, para atender cada unidade. Esperamos estabelecer acordos de produção com os produtores nacionais para atendermos a procura do tomate, como matéria-prima para as duas fábricas”, disse.

Destacou que aposta no sector agrícola abrange, igualmente, a instalação da fábrica Fibrex, num investimento de sete milhões de dólares, que vai servir para montar linhas de produção de tubagens gota-a-gota, destinadas a irrigação de produções agrícolas, com a capacidade instalada para produzir 2.500 toneladas métricas de tubos diversos/mês.

 

Investimento

Para Luís Troso, o grupo SANEP está a avaliar, com empresários polacos, a possibilidade de ser montado em Angola, uma indústria de montagem de tractores e pequenos instrumentos de produção agrícola, com o objectivo de dinamizar o sector da agricultura no país.

"Temos vindo a desenvolver parcerias com investidores estrangeiros, no domínio agro-indústria para a exportação de produtos nacionais, sobretudo frutíferas processadas, e a importação de máquinas para a produção agrícola, bem como de equipamentos industriais para o processamento de bens alimentares”,disse.

O grupo SANEP conta com dois mil trabalhadores, e 60 por cento deste número, estão enquadrados no sector agrícola.

Com o surgimento de outros projectos, o sector agrícola poderá absorver entre 3 e 4 mil empregos indirectos.

"Hoje, o país, já possui importantes indicadores de produção agrícola, mas também, é bem verdade que parte desta produção se estraga no campo, e para invertermos esta situação, estamos a investir no sector da logística para assegurar o escoamento e conservação desses produtos que são transportados para os centros de consumo do país”, referiu.


Ciclo de vida  do Tomate

O ciclo de produção do tomate varia entre 95 e 125 dias. O período de cultivo é grandemente influenciado pelo clima, condições de fertilidade do solo, irrigação, ataques de pragas e incidência de doenças.

O tomate pode ser colhido com 110 a 120 dias, após a germinação ou com 90 a 100 dias após o transplante. A colheita pode ser realizada manualmente ou com a utilização de colhedeira automotriz.

O tomate precisa ser plantado todo o ano para que se possa ter uma nova colheita e tudo começa com a germinação. As sementes de tomate devem ser iniciadas em ambientes externos, em solo húmido. Depois de uma semana, os pequenos brotos aparecerão no solo e cerca de um mês, as mudas de toma-te terão folhas grandes e fortes. 


Produção de medicamentos para animais

A  par do sector da Agricultura, de acordo com Luis Troso, a SANEP tem em vista a celebração de acordos, no domínio farmacêutico, para a produção de medicamentos para animais, por ser uma estratégia e visão do Executivo de tornar Angola auto-suficiente na produção de fármacos.

"O grupo arrancou com uma indústria que está a produzir alguns produtos de origem hospitalar, sobretudo produtos galénicos e pretende aumentar a oferta de produtos para o sector de saúde angolano. Estamos a negociar com parceiros italianos, algumas patentes destes produtos, e caso seja do interesse dos mesmos, iremos convidá-los a viram a Angola, para juntos desenvolvermos este sector”, disse.

Destacou que a SANEP tem buscado, no mercado internacional, parcerias de referência, para transferência de tecnologia, para que os produtores angolanos possam encontrar no mercado local o que precisam para o fomento da actividade empresarial.

O grupo empresarial Sanep actua em diferentes sectores, como financeiro, agrícola, logística e distribuição, construção civil, farmacêutico, indústria, prestação de serviços e consultoria. Está representado na África do Sul, Espanha, Itália, Moçambique, Polónia, Portugal e Zâmbia.

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