Economia

Fazenda Sopemba em Marimba aposta na produção de cereais

Francisco Curihingana | Malanje

Jornalista

Soares Kissaqui deixou a cidade de Luanda há mais de cinco anos. Fixou residência na região do Xiquita, no bairro social construído às custas do grupo empresarial Miamop, onde ele exerce actividade comercial.

20/09/2022  Última atualização 06H15
© Fotografia por: Cedida

Por conta disso, já trabalhou duas lavras o que tem permitido reforçar a logística da família deixada em Luanda, mas, o ambiente calmo, leva-o a pensar em trazer a família para Marimba porque no local existe uma escola e um posto de saúde para assistir as mais de 300 famílias antes residentes em Luanda e que agora encontraram a melhor forma de viver no Xiquita.

A dona Esperança Gouveia Ulo mora, igualmente, no bairro social já há cinco anos.

"Eu quando vivia em Luan-da, enfrentava muitas dificuldades. Não tinha como dar sustento à minha família. Agora estou aqui, trouxe comigo os meus filhos e aqui estão. Eles estudam e eu consegui emprego na fazenda Sopemba.

"O que eu ganho, consigo sustentar os meus filhos. Quem paga os estudos dos meus filhos é a empresa. Então, eu aqui estou melhor do que em Luanda”, disse, visivelmente satisfeita.

No local, encontramos igualmente um cidadão português, João Henriques, que trabalha na fazenda Sopemba há 10 anos.

Aos 38 anos de idade, João Henriques contraiu matrimónio com uma angolana cuja união resultou já em três filhos.

"Sinto–me bem aqui. Já formei família aqui também. Tenho uma mulher angolana com quem já tenho três filhos e estou bem. Já me sinto mais ou menos angolano”, disse.

A reportagem do Jornal de Angola encontrou na fazenda Sopemba, Silva José Pongo, que aos  23 anos de idade, nove dos quais naquela empresa, desempenha a profissão de operador de máquinas.

"Aprendi mesmo cá. Foi muito bom para mim. Comecei a trabalhar primeiro na oficina, como fui muito humilde, transferiram-me para um outro posto de trabalho e estou aqui”, disse.

Paciência Mateus é tractorista. Tudo o que ele faz, aprendeu na Fazenda Sopemba.

"Sou tractorista. Gosto muito do que faço. Estou a trabalhar aqui há oito anos. Aprendi essa profissão mesmo aqui. Tive desejo e força de vontade e aprendi mesmo. Aprendi com os mestres portugueses. Eu sou mesmo aqui do Marimba. A empresa nos deu condições de habitação. Tenho uma casa oferecida pela fazenda, os filhos estudam e com o dinheiro que ganho sustento a minha família”, disse.

 
Investimento atinge  20 milhões de euros

"Esse investimento é de média dimensão. Está avaliado em 20 milhões de euros. Todo esse investimento foi feito em euros, máquinas, moagens, os silos, para não termos que falar da estrutura de construção que aqui se ergueu”, começou por nos apresentar a empresa o empresário Monteiro Pinto Capunga.

Ao se referir dos silos, o nosso interlocutor considerou que os mesmos chegam a ser os maiores de África.

"Nós temos a capacidade de 89 mil toneladas de cereais, isso, pode ajudar a fazer o plano de reserva nacional. Nós já comunicamos às instituições de direito, a capacidade de armazenamento que nós temos para que possa servir o país, mas, infelizmente não tem sido bem visto, nós desconhecemos as razões que estão nesta base, o porque do não aproveitamento das nossas ideias”, referiu o empresário.

O proprietário do empreendimento agrícola, Monteiro Capunga,  que por dois mandatos seguidos esteve no parlamento angolano pela bancada parlamentar do MPLA, disse que constantemente recebe propostas de emprego, mas, "nós até certo ponto temos limitações dentro do nosso plano”, adiantou.

Relativamente aos trabalhadores idos de Luanda, o empresário explicou: "estão aqui connosco porque em Luanda não tinham actividade. Aqui encontraram em-prego. Nós demos o mínimo de condições. Temos uma escola, um posto médico, onde eles recebem assistência. As casas que oferecemos são modelo T – 3”, realçou.

O bairro social tem água potável, através de manivelas para além da electricidade que é 24/24 horas”, acrescentou.

O nosso interlocutor referiu que a estratégia visa o descongestionamento das capitais, e para que tal aconteça, é necessário que o governo crie incentivos.

"Os investimentos têm de ser dados na proporção da contribuição dos empresários, porque só assim, estaremos a contribuir para o desenvolvimento do país. Os que têm iniciativa, são os que devem ser apoiados.

Nós temos investimentos com o nosso próprio capital, mas infelizmente não aceitaram comprar o nosso milho aqui. Nós temos aqui cerca de 1000 toneladas de milho e somos obrigados a vender no Congo, ou no mercado paralelo porque o Estado não aceita comprar o nosso milho, no entanto, espero que o novo governo desperte para envolver o empresariado nacional”, disse.

O empresário Monteiro Capunga que apostou os investimentos no município de Marimba, a 210 quilómetros ao norte da cidade de Malanje, referiu que já foram aplicados perto de 30 milhões de euros concretamente para a montagem das moagens, produção de fuba de bombom e muito mais. "Nós estamos a espera que a estrada melhore porque também estamos em condições de começar a produzir ração animal”, acrescentou.

 

Estrada constitui o maior problema

A estrada continua a ser o grande problema. Garantiu que caso o governo autorize que o grupo empresarial Miamop reabilite a estrada, estarão mobilizados para o desafio.

"Se nos autorizarem que nós realizemos o trabalho da estrada para nos pagarem daqui a 15 ou 20 anos, o grupo Miamop consegue reparar a estrada. Nós podemos fazer a estrada, são quase 215 quilómetros, só de estrada. Só depende do governo. Se o governo aceitar que alguém arranje, nós estamos prontos”, desafiou.

 

Diversificação da produção

A fazenda Sopemba dispõe de pivôs que, de acordo com o empresário Monteiro Capunga, não permitem parar. A empresa produz e conserva.

"Nós temos capacidade para conservar entre 4 a 16 anos e na nossa produção própria, nem que fizermos os 30 mil hectares, não enchemos isso. Nós temos aqui um investimento, que qualquer pessoa que conhece a agricultura faz uma matemática e é uma coisa muito assustadora”, disse.

Monteiro Capunga disse ser necessário o governo viabilizar financiamentos aos agricultores e reparar as estradas para permitir a comercialização da produção noutros pontos do país.

O empresário reiterou a vontade de continuar a investir em Malanje e contribuir para o desenvolvimento.


Lider tocoísta enaltece projecto agro-industrial

O líder tocoísta, Dom Afonso Nunes, que visitou o empreendimento agro-industrial localizado no município de Marimba enalteceu o contributo do empresariado nacional na solução dos problemas que afligem muitos sectores da vida nacional.

"Pensamos que a agricultura que encontramos aqui, precisa do apoio de todos para incentivar outros investidores a se dedicarem nesse tipo de actividade”, disse.



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