Política

Famílias têm base de dados para recolha de informações genéticas

A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) fase II decidiu, ontem, em Luanda, integrar o contacto directo com as famílias e a recolha de informações genéticas a partir de uma base de dados de parentes sobrevivos no país e no exterior.

07/01/2022  Última atualização 09H20
Momento de entrega da certidão de óbito a um dos familiares © Fotografia por: KINDALA MANUEL | EDIÇÕES NOVEMBRO
Em comunicado de imprensa tornado público ontem, no final da reunião física e virtual, na sede do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, a Comissão refere que a medida surge como inovação à forma de actuação ao longo deste  ano.


Até ao momento, a CIVICOP tem, a partir de actos públicos, comunicado sobre o processo da identificação de ossadas humanas de vítimas de conflitos e a sua análise forense com amostras recolhidas de familiares sobrevivos, utilizando os órgãos de comunicação de massas ou mediante a organização de conferências de imprensa.

"A complexidade dos trabalhos requer que se proceda a um acto de esclarecimento mais privado com as famílias sobre os processos de triagem de informação de exames de ADN, o que requer mais tempo até à obtenção de perfis completos e não parciais”, concluíram membros da Comissão, em encontro que reuniu os ministros da Justiça e dos Direitos Humanos, da Saúde, Interior, das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, respectivamente, Francisco Queiroz, Sílvia Lutucuta, Eugênio Laborinho e Manuel Homem.

Em Novembro último, duas ossadas dos antigos dirigentes da UNITA, Salupeto Pena e Alicerces Mango, foram entregues às  famílias, mas, neste momento, dez outras ossadas foram encontradas e procede-se ao estudo da informação genética dos membros, para compará-las com as informações das amostras de ADN de potenciais familiares sobrevivos às vítimas de conflito.

Fruto de pedidos de angolanos que vivem em Portugal, cujos familiares foram vítimas de conflito, que se dispõem a recolher os seus dados genéticos para os relacionar com potenciais parentes mortos em conflitos no país, levou a um novo potencial estágio de deslocação geográfica dos serviços em curso no âmbito da CIVICOP.

"Concluímos que, cooperando com autoridades portuguesas e associações de angolanos no exterior que mobilizem famílias, a tarefa é possível de ser realizada. Vamos trabalhar neste sentido”, consideraram os membros do CIVICOP.

O encontro da CIVICOP, no qual também participaram os coordenadores de grupos de trabalho, abordou questões relacionadas com a evolução dos exames de ADN das ossadas dos dirigentes da UNITA que pereceram em 1992 (pelo Grupo Médico-forense),  a evolução da recolha de ossadas de outras vítimas de conflitos políticos e a entrega às famílias ( pelo Grupo de Localização e Exumação), avaliação da possibilidade de recolha de material genético fora do país a familiares residentes no exterior (pelo  GTC e Grupo Médico-forense), a avaliação da execução do programa de Comunicação Institucional (pelo Grupo de Comunicação Institucional) e a informação sobre o ponto de situação da proposta de Decreto Presidencial que aprova o orçamento da CIVICOP II FASE.

A CIVICOP funciona como uma plataforma, através da qual o país lida com os episódios de violência física ou espiritual e os mecanismos que proporcionam o diálogo convergente e evita factores que possam enfraquecer as bases para a construção da paz e reconciliação nacional.

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